Bônus com ônus

Fundos de crédito privado ganham destaque em cenário de redução da Selic e da rentabilidade dos fundos DI - mas não se engane, eles são mais arriscados

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SÃO PAULO – Que ninguém espere lucros fartos dos rendimentos mais conservadores no Brasil. No atual cenário econômico, os investidores têm de procurar mais riscos para obter uma rentabilidade interessante. Dentro dessa realidade, os fundos de crédito privado – que emprestam dinheiro para as empresas – vêm ganhando espaço ao oferecer um retorno geralmente acima dos do CDB e do CDI.

Entretanto, para quem está entrando agora nesse mercado, é preciso ter cautela na hora de aplicar. Os riscos precisam ser calculados. Como esses fundos investem prioritariamente em títulos de dívidas de companhias, isso os torna bastante arriscados, uma vez que sempre há o risco de a empresa quebrar e não pagar o empréstimo.

O sócio-diretor da Claritas Investimentos Mario Issa recomenda que, antes de optar por essa modalidade, o investidor analise com cuidado a composição de cada fundo, buscando os que alocam os recursos entre papéis de dívida de diferentes companhias, para que, caso uma das empresas apresente problemas em honrar seus compromissos, o prejuízo seja diluído, não comprometendo o resultado de toda a carteira.

Rentabilidade x Risco
Outra questão importante na hora de escolher um investimento é considerar a relação risco/retorno que ele proporciona. De acordo com o superintendente nacional de gestão de ativos de terceiros da Caixa Econômica Federal, Marcelo de Jesus Perossi, o fundo Caixa FIC Arrojado Crédito Privado apresentou um retorno de 108,3% do CDI, no acumulado do ano, até 24 de setembro. Esses fundos só são atrativos para o investidor se baterem o CDI, a principal referência para investimentos em renda fixa no Brasil. Só é preciso um pouco de cautela porque, quanto mais alto é o rendimento, mais risco o gestor pode estar assumindo.

Mario Issa também alerta para o problema de liquidez que os gestores desses fundos podem enfrentar – o que coloca em risco a rentabilidade sustentada. Isso porque, caso algum investidor queira pedir resgate do fundo, o gestor terá que vender os papéis da dívida em um mercado sem muitas negociações, o que pode obrigá-lo a aceitar um deságio. Desse modo, afirma, um bom fundo deve contar não somente com papéis de crédito privado, mas também com títulos públicos e outros papéis atrelados à inflação, dando mais liberdade ao gestor para administrar os passivos e conseguir melhores preços no mercado.

Já Arturo Profili, sócio-diretor da Capitânia, recomenda outros cuidados ao investidor desse tipo de fundo. Para ele, é fundamental analisar o histórico de performance do gestor nos últimos 12, 36 e 60 meses. Também é importante fazer uma análise da equipe e estrutura de gestão. Por fim, é preciso entender totalmente os objetivos do fundo e o risco do investimento. Só se passar por todos esses filtros o gestor merecerá confiança.

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Crédito privado no DI
Ainda em dúvidas em aderir a esse investimento? Saiba que, mesmo em fundos DI, considerados bastante seguros, você pode aplicar em crédito privado. Os fundos DI precisam concentrar 95% de suas aplicações em papéis indexados ao CDI, mas isso não significa que apenas títulos públicos possam entrar na carteira. A legislação permite que até 50% do portfólio sejam direcionados a crédito privado. Segundo Perossi, essa é uma estratégia que está se tornando cada vez mais comum entre os gestores, uma vez que, no atual cenário de queda dos juros, é preciso arriscar mais para conseguir uma rentabilidade maior – tanto que a rentabilidade média dos fundos DI nos oito primeiros meses deste ano ficou em 6,19%, contra 6,02% do DI.

Bom para poucos
Apesar do aumento da procura entre investidores institucionais, poucos pequenos poupadores já têm aplicado em fundos de crédito privado. Até o momento, os maiores investidores ainda são as pessoas físicas de alto poder aquisitivo, os family offices, gestores de riquezas e os fundos de pensão, afirma o sócio-diretor da Capitânia. Com isso, Profili diz que os agentes autônomos de investimento – tradicionalmente ligados a corretoras de valores mobiliários – terão papel fundamental em educar e fornecer informações ao investidor final, para que conheçam essa modalidade e se decidam por ela.

Essa matéria foi publicada na edição 41 da revista InfoMoney, referente ao bimestre novembro/dezembro de 2012. Para tornar-se um assinante da revista, clique aqui.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.