Visões de investimento

“BC cria volatilidade, em vez de retirar” com redução rápida da Selic primeiro e elevação brusca depois, diz Parreiras, da Verde

Para o gestor, que vê a Bolsa brasileira “bem barata” agora, o mercado atribuiu um risco muito grande em termos fiscais de longo prazo ao preço das ações

Por  Bruna Furlani -

O tom mais enfático adotado nesta semana pelos dirigentes do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, ao afirmar que poderão colocar os juros em patamar “significativamente contracionista” surpreendeu boa parte do mercado.

Os agentes financeiros já esperavam a elevação da Selic para 9,25% ao ano, como de fato ocorreu, mas o comunicado que se seguiu ao anúncio, na quarta-feira (8), trouxe questionamentos sobre o impacto que a postura da autoridade monetária pode ter sobre uma economia já bastante debilitada.

Na visão de Luiz Parreiras, sócio e gestor da estratégia de fundos multimercados da Verde Asset Management, gestora com R$ 50 bilhões sob gestão, o rápido aperto monetário feito pelo Banco Central é “brutal” e está “criando volatilidade, em vez de retirar”. O executivo conversou com o InfoMoney nesta quinta-feira (9).

“Na hora que coloca o juro a 2% e depois tem que colocar em 12%, naturalmente ele [BC] injetou volatilidade na economia. Nós tivemos um dos ciclos de corte mais rápidos da história do país. E agora, vamos ter um dos ciclos de alta mais brutais”, afirmou.

Para Parreiras, isso não caracteriza política monetária de “país normal”. “Cortou demais e agora está na outra direção em excesso”, indaga.

A preocupação com ajustes mais duros não é só com o BC brasileiro. Um dos maiores temores de Parreiras para o ano que vem e para o próximo é de que bancos centrais e governo apertem demais o freio de uma hora para outra em termos de políticas monetárias e fiscais – ou seja, de que os países saiam rapidamente de “uma condução de muita velocidade para velocidade nenhuma”.

No caso global, o gestor ainda não acredita que esse é o cenário atual, mas não descarta a tendência e, por isso, monitora o tema com atenção.

Sobre renda variável local, Parreiras defende que a Bolsa carrega um certo pessimismo, mas, ao mesmo tempo, também diz que não está otimista. Para o executivo, os desafios são grandes: o BC realiza um aperto monetário forte, há um problema de perda de renda real da população e 2022 é ano eleitoral.

O ponto, segundo ele, é que o trabalho do gestor não é ser animador de torcida. É, afirma, confrontar o cenário com o que está no preço. E nisso, ele tem apenas uma certeza: há muita coisa mal precificada, com o cenário macroeconômico pesando além da conta no preço que o mercado calcula para algumas ações.

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Uma das maiores posições na parte de renda variável local, conta, está em papéis da Suzano (SUZB3). Além dessa, a casa se dedica a encontrar oportunidades em alguns segmentos que parecem bem descontados, com empresas de qualidade e que podem se sair bem independentemente do cenário macroeconômico, como Grupo Assaí (ASAI3), Natura (NTCO3), Grupo Soma (SOMA3) e Notre Dame Intermedica Participações (GNDI3).

Confira os principais trechos da entrevista a seguir:

Diante das mudanças que tivemos em termos de cenário, com a aceleração do tapering nos Estados Unidos, alteração de tom do Copom, piora no cenário fiscal e chegada de eleições, como está hoje o portfólio do Verde?

Então, eu acho que lá fora, obviamente, tem essa questão do aperto das políticas monetárias, especialmente com foco no Fed [banco central americano]. É uma coisa que nós já esperávamos e vínhamos nos posicionando para isso. Estávamos tomados em juros nos Estados Unidos, ou seja, iríamos nos beneficiar da alta das taxas. E a comunicação de lá tem vindo em linha com o que nós esperávamos, muito por conta da pressão inflacionária que se espalhou pelo mundo e pelos Estados Unidos.

Já aqui no Brasil, toda essa questão inflacionária por si só já seria difícil. E ficou mais complicada ainda pela combinação cíclica com a questão estrutural e fiscal. Isso levou a um cenário mais nebuloso e a reprecificação de ativos: Bolsa caiu, real desvalorizou e as curvas de juros subiram. Agora, há duas dúvidas: precisamos separar o cíclico do estrutural e tentar entender o que está no preço e o que não. Na nossa opinião, o que o mercado fez foi colocar no preço dos ativos um risco muito grande em termos fiscais de longo prazo, especialmente nas ações. Nós consideramos que o mercado acionário brasileiro ficou bem barato.

Conseguiria explicar melhor em que termos ele está mais barato?

O Verde já carregava um portfólio de ações aqui no Brasil, sofreu por causa disso, mas mantivemos as ações. Apenas em um lugar ou outro lugar aumentamos a posição marginalmente. A visão é de que o mercado está excessivamente negativo. Nós consideramos que a Bolsa carrega um excesso de pessimismo, em parte compreensível pela questão do estouro do teto e do calote que está embutido ali na PEC dos Precatórios. É uma questão super séria. É uma mudança de modelo fiscal que vigorou até então e foi rompido. De fato, o presidente e o Congresso optaram por acabar com o teto enquanto uma ferramenta de política fiscal e estrutural. Não é que não tem uma razão para isso, mas parece que o mercado exagerou um pouco na conta.

Como assim?

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É muito fácil ser otimista e dizer que está tudo certo quando tem crescimento, está todo mundo bullish [apostando na valorização dos ativos] e tem reforma acontecendo. O desafio do gestor é sempre confrontar isso com que está no preço. Hoje, o que nos parece é que ninguém quer otimismo. Se for ter capa da The Economist, é Cristo Redentor capotando de novo. E já tem bastante coisa ruim no preço.

Não é que estamos otimistas. O BC já está fazendo mais um aperto, já está causando em alguma medida uma recessão. Está contratando menos crescimento pra frente. Tem um problema de perda de renda real da população. O ano que vem é eleições. Mas a verdade é que ao confrontar isso com o preço de algumas empresas, vemos empresas boas e com posição competitiva que é difícil de atacar. O trabalho do gestor não é ser animador de torcida. É confrontar o cenário com o que está no preço. A nossa opinião é que tem muita coisa ruim no preço. Então, tem que ter uma alocação agora porque depois se eu ficar mais otimista, eu não consigo pegar a volta a tempo.

O que está barato, então?

É sempre difícil fazer uma afirmação geral do Ibovespa. Tem o componente commodities, bancos e tem todo o resto. No quesito commodities, Petro [Petrobras] e Vale parecem baratas. Agora, elas dependem bastante do preço da commodity. Historicamente, há um truísmo que funciona há uns 40/50 anos que diz que você não deve comprar ação [de commodity] quando ela está barata. É que quando ela está barata, quer dizer que o preço da commodity está muito alto e vice versa.

Temos uma dificuldade de achar que está tudo muito barato e que tudo vai se sustentar. Hoje, a única ação de commodity que temos uma exposição relevante é Suzano. Achamos que ela está barata e que o preço da commodity está baixo. Uma combinação rara. Além do que a empresa é excepcional e tem grande opcionalidade.

Há mais algumas empresas?

Bom, o segundo grande bloco, que é mais de 20% da bolsa, são os grandes bancos. Eles estão baratos, mas não vemos uma razão para eles deixarem de ser baratos. Essa competição que já há hoje só vai piorar. Tem mais disrupção pra acontecer e mais gente vindo para atacar o que chamamos de profit pool, que seria esse grupo de lucro. Os bancos devem continuar baratos e pode haver oportunidades. Agora, não acho que é um setor que as coisas vão melhorar muito estruturalmente.

Sobre o resto da Bolsa, que seriam os 50% restantes, tem umas cento e poucas empresas de consumo, energia, logística, saneamento e imobiliário etc. É nisso que gastamos a maior parte do nosso tempo. Então, a gente tem alocações importantes no setor de consumo, em empresas que vão desde Natura, Assaí [Grupo Assaí], até um negócio como o Grupo Soma, do setor de vestuário, que teve um turnaround [mudança de desempenho de uma empresa] de Hering.

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São posições grandes do livro de ações no Brasil. São empresas excepcionais, com gestão muito boa e oportunidade de lucro independentemente do macro. Estão razoavelmente baratas e o mercado está nessa onda de pessimismo. Por exemplo, temos também Intermedica [Notre Dame Intermedica Participações], que se tiver teto dos gastos ou não, muda pouca coisa na vida dela. O aumento de juros, muda a dívida, claro. Mas a empresa vem construindo uma vantagem competitiva muito sólida e vai continuar. O macro causa essa volatilidade. Agora, os investidores estão resgatando. O Brasil é isso mesmo. É algo cíclico. Tem que ter disciplina.

Qual é a maior preocupação da casa hoje em termos locais? 

Acho que, no cenário local, é o aprofundamento dessa desmontagem do arcabouço fiscal. O que nos preocupa de verdade é essa visão de que, às vezes, parece ter se estabelecido no País a ideia de que é possível gastar o que for que não há consequências. É uma ideia que parece ter se estabelecido em Brasília nos últimos dois anos. É errado. O país está mais pobre seja via inflação, seja via real desvalorizado.

Agora, em termos internacionais, qual é a maior preocupação? 

Lá fora, nos preocupamos com a possibilidade de o processo inflacionário se tornar desordenado, de pisarem no freio de uma maneira muito agressiva e que estrague o pouso da economia global. No ano passado, entre março e abril, o mundo inteirou parou. A economia parou e aí todos os governos e BCs [bancos centrais] injetaram uma quantidade de estímulos monetários e fiscais pra economia reacelerar e fizeram o avião decolar. Então, ele acelerou quando a veio a vacina. Mas cada lugar numa velocidade diferente.

E aí esse avião começou a andar rápido demais e por algumas razões, nós vimos problemas do lado da oferta. Começamos a ver que falta produto e que o preço de commodity subiu muito. O lado oferta ficou esquecido e esse avião começou a andar com maior velocidade e rachou o vidro porque estava rápido demais. Acendeu um monte de luz vermelha, quando a inflação começou a pressionar.

Agora, esse avião precisa desacelerar e fazer uma espécie de pouso mais suave. O risco é ser forte demais e sair voando uma asa, por exemplo. Por causa do medo da inflação, ou da ômicron, o risco é que os responsáveis por fazer políticas públicas, como BCs e o governo, exagerem na intensidade do freio. De sairmos de uma condução com muita velocidade pra velocidade nenhuma. Numa escala global, isso me preocupa. Ainda não é evidência. Mas é uma coisa pra se acompanhar. É o grande risco para 2022 e 2023.

Como vê isso no Brasil?

O Brasil exagerou na dose do estímulo monetário e fiscal. Em termos monetários, na hora que colocou o juro a 2%, isso foi um exagero. Agora vai exagerar na outra ponta, ao levar os juros para 11% ou 12%. É uma retirada de estímulos rápida demais. Nós já estamos vendo uma desaceleração muito forte. E isso vai piorar no primeiro semestre do ano que vem. Então, nos preocupa. Aqui, a situação foi pior. Além da inflação mais pressionada, tivemos o problema fiscal, ficamos sem chuvas. Foi difícil, mas eles estão exagerando na dose.

E como vê a postura do Copom na quarta, ao contratar outro ajuste de 1,5 ponto percentual?  

O Banco Central está numa postura de reconquistar a credibilidade perdida e tentar ancorar a inflação em 2022 e 2023. Nesse contexto, dá pra entender o que eles estão fazendo. Eles foram colocados numa posição ruim, eles cometeram erros e deram azar depois. Ele [comitê] pode subir até onde ele quiser que não vai fazer chover. Tivemos choque nos preços de alimentos e de petróleo e a Selic não cria preço de petróleo. Não faz sair gasolina. Eles cometeram erros e estão correndo atrás. Porém, me preocupa o exagero na ida e na volta. Do mesmo jeito que defenderam a ferro e fogo que estavam certos ao levar para 2%, essa postura dura não me parece condizente com a realidade dos fatos de que a economia está desacelerando.

Faz dois meses que todos os dados de atividade estão piores. E acho que isso só vai se aprofundar. Tem muito setor que ainda não sentiu o juro maior. Pra economia real, o juro ainda estaria em 7% ou menos. Quando for pra 11% e 12%, o efeito na economia real a gente vai ver no primeiro semestre do ano que vem. Tem setores em que a desaceleração ainda está por vir. É uma preocupação que tenho quando vejo essa postura excessivamente dura. É o Banco Central que está criando volatilidade em vez de retirar volatilidade.

Como assim, poderia explicar melhor?

Na hora que coloca o juro a 2% e depois tem que colocar a 12%, naturalmente ele injetou volatilidade na economia. Nós tivemos um dos ciclos de corte mais rápidos da história do país. E agora, vamos ter um dos ciclos de alta mais brutais. Estamos na segunda elevação de 150 bps [1,5 ponto percentual] e vamos ter mais uma, pelo menos, de 150 bps, que já está contratada. Isso não é política monetária de país normal. É isso que eu chamo de injetar volatilidade. Cortou demais e agora está indo na outra direção em excesso.

No comunicado de quarta-feira, o BC citou que poderia adequar o ritmo de alta de juros para assegurar a “convergência” da inflação para suas metas. Acredita que ficou frouxo qual é o horizonte que o Copom vai, de fato, entregar a inflação na meta. Como viu essa questão?

O BC tem que sempre falar que vai tentar entregar a inflação na meta. O desafio deles é que estamos bem longe da meta. O País tem inércia, tem indexação. É difícil fazer uma desinflação de 10% pra 3,5%. O custo econômico disso é muito alto. Nós estamos contratando uma recessão porque para entregar na meta teria que ter uma recessão muito brutal. Ele tem que ter equilíbrio com foco em 2022 e 2023. Tem que ter uma política que não exagere na dose.

É como se nós tivéssemos um ar-condicionado tentando manter a temperatura. Aí jogamos a temperatura pra 10 graus. Todo mundo morrendo de frio e colocando casaco. Ele vai lá e aperta o ar-condicionado pra 30 graus e daqui a pouco, as pessoas estão tirando o casaco. Ele está exagerando na calibragem da temperatura. Colocou o ar muito quente e agora está congelando o país. A tarefa deles é muito complicada. Não choveu durante um tempo, por exemplo. Mas também não pode exagerar na reação. É equilibrar essa métrica pra chegar na meta do ano que vem.

Na carta do Verde do mês passado, a gestora afirmou que obteve ganhos com Bolsa global. Ainda há atratividade na Bolsa americana? 

Os ganhos têm sido em Bolsa americana. Temos mantido mais exposição lá por causa da qualidade das empresas. O S&P está subindo 25% no ano e em grande medida, o lucro das empresas também está crescendo. É um fenômeno diferente do Brasil. Nós achamos que, apesar de uma desaceleração, a lucratividade das Bolsas americanas deve seguir boa. A dúvida é quanto se paga por isso. Em geral, apesar do crescimento de lucro, o mercado vai pagar menos por isso. Eu diria que o aumento de juros vai ser gradual e que não deve atrapalhar. Logo, o lucro deve ficar entre 5% a 10%. Não são os 25% de 2021, mas é um retorno legal e complementar. A gente mantém posições. Não temos uma super posição, mas mantivemos a alocação.

Considerando que, no ano que vem, o Fed deve subir os juros, o que deve explicar esse aumento de lucro que as empresas devem ter?

Acredito que o Google vai crescer lucro em 2022 contra 2021, Amazon também. Apple também, Facebook também. Só aqui já falei boa parte da Bolsa americana. Os bancos também costumam se beneficiar da alta de juros e devem crescer lucro. Setores de consumo desaceleram, mas ainda podem subir um pouco com a volta do consumo presencial, como em restaurantes. Então, quando eu olho o índice por alto, é confortável fazer esse tipo de aposta e individualmente, nós estamos falando das melhores empresas do mundo. É uma boa aposta que elas vão continuar crescendo. Essa é uma das razões para se ter Bolsa americana. Lá, há uma competição brutal. Os grandes ganhadores, o retorno marginal é muito alto e a lucratividade é muito elevada.

Como vê a onda recente de venda de empresas de tecnologia nos Estados Unidos, como a que afetou companhias como a Stone? 

O que aconteceu nos últimos meses de uma maneira mais sistêmica é que o apetite por ativos de alto crescimento se reduziu. Há duas razões para isso. A primeira é que agora há uma politica monetária mais apertada e taxas de juros mais altas. Como muito do valuation está mais distante e a taxa de desconto a valor presente deve subir com o aumento das taxas de juros, o prêmio de risco exigido subiu e o preço da ação caiu. Já vimos isso ocorrer muitas vezes. Já houve esse tipo de correção antes.

Como deve ser a postura do mercado agora? 

Tinha muita coisa cara. Esse menor apetite por risco afeta as empresas que estão na margem. Quem está querendo vir para fazer um IPO. Existe uma decepção porque se pagava muito por um fluxo de lucratividade que não existiu. Um exemplo claro disso é a Stone. É uma empresa excepcional. O mercado estava vendo um fluxo de lucro X e a empresa reduziu esse fluxo. Então, diminuiu também o quanto se pagava por esse fluxo de lucros. Agora, há empresas onde o fluxo nem foi reduzido, mas o valuation veio pra baixo. O desafio é separar o joio do trigo.

E com relação aos IPOs, como vê a janela? 

Tem empresas que conseguiram fazer IPOs nos últimos dois anos e a decepção é forte. Mas há outras que entregaram o que prometeram . O valuation voltou e vão achar um equilíbrio. Olhando para frente, a barra subiu e o quanto o mercado está disposto a pagar por uma promessa se reduziu. O jogo deu uma mudada. Vai ter que prometer menos e entregar mais. O IPO não é um fim em si. Ele é o início de uma jornada pra uma empresa. Muitas empresas viam como se fosse o fim. Isso nos incomoda. É algo nada saudável.

Neste exato momento, ocorre o IPO do Nubank, que está fazendo com que a fintech se torne o maior banco da América Latina. O que isso representa para os demais bancões brasileiros? 

Esse IPO só representa algo que já vem ocorrendo há uns cinco ou seis anos. O Nubank é um concorrente forte de cartão de crédito. Mas temos que ver outras coisas. A XP disruptou o negócio de investimentos. O Banco Inter é um caso de sucesso em termos de conta corrente e outros serviços tradicionais. Há vários competidores, como Stone e Pag Seguros. Quando nós olhamos pras startups, onde tem um banco ganhando dinheiro, há pessoas tentando entregar uma proposta de valor e crescendo por causa disso. Onde tinha competidor lento e ineficiente, o Nubank entrou para brigar no centro do ringue.

Nesse processo, estamos nos primeiros 30 minutos do primeiro tempo. Os bancos estão se mexendo. Itaú comprou participação na XP, estão indo atrás de tratar melhor o cliente. É um cenário que estamos acompanhando e que teremos novos players. Nós somos acionistas do Nubank. A gente conhece e admira há muitos anos. Estamos envolvidos no IPO. É uma empresa incrível de tecnologia.

Agora sobre eleições. Como veem o cenário eleitoral no ano que vem? 

Eu diria que esse processo está no começo. Um ano antes, é muito tempo para fazer previsões. Antes de 2018, não se considerava o Bolsonaro uma candidatura forte. Um ano antes das eleições dos Estados Unidos, o Biden não era considerado muito relevante. Isso mostra que a previsibilidade para períodos muito anteriores às eleições não é muito alta. Fazer prognósticos e jogar dados é mais ou menos a mesma coisa agora. É uma eleição complicada. Mas, ao mesmo tempo, tem muita coisa ruim precificada. Nós vamos ter que acompanhar o que o eleitor deseja e quais candidatos têm a capacidade de atender o eleitor.

Há uma preferência do mercado pela terceira via? Como vê o lançamento da candidatura do ex-juiz Sergio Moro?

Eu não sei quem é esse mercado. Eu acho que existe essa entidade que gostaria que o país tivesse boas políticas macro e microeconômicas. Pode ser o Moro, pode ser o Doria, o próprio Bolsonaro. O que importa é qual política o candidato vai oferecer. Eu não gosto muito de fazer afirmações sobre o mercado porque é um monte de gente e isso vira um agregado do preço dos ativos.

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