Banco inglês recomenda cripto “fora do radar” e projeta alta de mais de 600% até 2028

Banco inicia cobertura do token Ethena e aposta na expansão do USDe e no novo programa de recompra para sustentar valorização superior à de Bitcoin e Ethereum

•

Publicidade

O Standard Chartered inicia nesta quarta-feira (30) a cobertura da Ethena (ENA) com projeção de que o token salte de US$ 0,28 para US$ 2 até o fim de 2028, alta de cerca de 614%, desempenho que, segundo o banco, supera o esperado para o Bitcoin (BTC) e o Ethereum (ETH).

Antes disso, o banco prevê o ENA a US$ 0,42 no fim de 2026, alta de 50%, e a US$ 1,10 no fim de 2027, avanço de 293%.

A tese se apoia no programa de recompra e queima de tokens aprovado com 100% dos votos, que destina 95% da receita líquida dos negócios da Ethena à compra de ENA para retirá-los de circulação. O motor dessa receita é o USDe, stablecoin da Ethena cujo rendimento vai para quem faz staking e recebe sUSDe.

Os analistas projetam que a oferta de USDe salte de US$ 4,9 bilhões para cerca de US$ 40 bilhões até 2028. A própria Ethena fala em potencial de US$ 100 bilhões em cinco anos, mas o Standard Chartered adota premissa mais conservadora, com crescimento ligeiramente acima do mercado total de stablecoins.

Nesse cenário, se o preço do ENA ficasse estável, as recompras retirariam de circulação cerca de 23% dos tokens por ano. “É razoável supor que uma recompra de 23% seria alta demais; como resultado, esperaríamos que o token ENA se valorizasse até atingir um nível sustentável”, afirma o banco em relatório.

A referência é o UNI, da Uniswap, que também depende apenas de recompras. A taxa anual de recompra do token se estabilizou entre 3% e 4% graças à alta do preço, que praticamente triplicou desde junho.

Continua depois da publicidade

O relatório destaca ainda o fim dos desbloqueios mensais de tokens de investidores iniciais, após a Ethena Foundation recomprar em agosto parte dessas participações. A partir de 5 de outubro, apenas os tokens em poder da fundação e de funcionários da Ethena Labs, que somam 12% do total, seguem em cronograma de liberação. “Os desbloqueios regulares de tokens tendem a prejudicar o preço, e agora eles terminaram”, ressalta o documento.

Novas fontes de rendimento

Lançado no fim de 2023, o USDe é a stablecoin mais rápida a atingir US$ 10 bilhões em valor de mercado, segundo o banco, e a Ethena é hoje a quarta maior emissora de stablecoins do mundo, atrás de Tether, Circle e Sky. O crescimento inicial veio do basis trade, estratégia que combina compra de cripto à vista com venda de contratos perpétuos e que chegou a render mais de 20% ao ano.

Com a queda desses retornos, a oferta da stablecoin recuou, e a Ethena passou a diversificar o lastro com empréstimos em finanças descentralizadas (DeFi) e a instituições, ativos do mundo real tokenizados (RWAs) e operações com ações e commodities, que hoje rendem 5,2% ao ano combinados. Os analistas consideram essa base sustentável diante da projeção de alta dos RWAs em blockchain de US$ 40 bilhões para US$ 2 trilhões até 2028.

Continua depois da publicidade

A Ethena também aposta em novas linhas de negócio, cuja receita também alimentará as recompras, como o Whitelabel, que cria stablecoins para outras blockchains e aplicativos, e o Ethena Pay, aplicativo de serviços bancários digitais. “A posição da Ethena como emissora de dólares em escala a coloca em uma posição única para integrar verticalmente sua oferta de produtos”, aponta o relatório.

“O crescimento mais lento que o esperado das stablecoins com rendimento é o principal risco para essa visão”, explica o Standard Chartered, que cita ainda uma possível expansão mais lenta dos RWAs, dos quais o USDe depende para gerar retorno.

Tópicos relacionados