Política monetária

Aumento de juros no Reino Unido aponta para “notável desaceleração” da economia, diz ex-Pimco

Comunicado do Banco da Inglaterra trouxe hoje que inflação pode chegar a dois dígitos no fim do ano e que a economia pode contrair em 2023

Por  Bruna Furlani

A decisão do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) de subir os juros para 1%, no quarto ajuste consecutivo, aponta para uma “notável desaceleração” da economia do Reino Unido, além enfatizar o que o Andrew Bailey, presidente da autoridade monetária, chamou de “linha estreita” entre o crescimento e a inflação.

A visão é de Mohamed El-Erian, economista, presidente do Queens’ College da Universidade de Cambridge e ex-CEO da gestora americana Pimco, que falou sobre o tema em suas redes sociais, nesta quinta-feira (5).

Segundo o comunicado do BoE, agora a expectativa é que a taxa anual de inflação ao consumidor (CPI) do Reino Unido supere os 10% no fim do ano e que a economia do Reino Unido contraia em 2023. Antes, a previsão era que o Produto Interno Bruto (PIB) terminaria o ano que vem com alta de 1,25%.

Para 2024, a estimativa de crescimento do PIB também foi ajustada para baixo, de 1% para 0,25%.

Na avaliação de El-Erian, a postura adotada pelo BoE dá sinais de que a autoridade monetária está “à frente ao olhar o potencial fator de risco que está ocorrendo na transição dos mercados”.

Sem dar muitos detalhes, ele disse apenas que a transição envolve olhar menos para o risco existente entre as taxas de juros e a inflação, para focar mais na relação entre o crédito e o risco de crescimento.

Para El-Erian, se esse pensamento estiver certo, isso deve exigir uma seleção e diversificação ainda maiores dos ativos, especialmente aqueles de menor qualidade.

De olho no Fed

Os comentários de El-Erian, no entanto, não ficaram restritos à decisão de política monetária do Reino Unido. Em publicações feitas em sua rede pessoal, o ex-CEO da Pimco disse ainda que a queda nos rendimentos dos treasuries (títulos públicos americanos), especialmente o de dois anos vista na véspera (4), consiste em um movimento excessivo de altas que o mercado tinha precificado para o Federal Reserve (Fed), banco central americano.

A razão para isso ter ocorrido, segundo ele, é porque o Fed está bastante “atrasado” em termos de política monetária. Para o economista, a postura da autoridade em não validar a curva a termo anterior está bastante ligada ao potencial impacto negativo que isso pode ter no crescimento da economia americana.

O professor alerta ainda que essa postura está gerando hoje uma liquidação confusa de ações e de títulos, diante da baixa liquidez e das preocupações com o funcionamento do mercado.

Nas últimas semanas, El-Erian já vinha defendendo que o atraso no aperto das condições monetárias nos Estados Unidos exigiria três coisas do Fed: habilidade, tempo e sorte para fazer um pouso mais suave da economia, após a subida de juros.

“A história sugere que quando o Fed está atrasado desse jeito, a probabilidade de uma recessão é ‘inconfortavelmente’ alta”, disse. Emendou: “Vamos torcer para que isso seja evitado e para que eles tenham habilidade, tempo e sorte para fazer isso [pouso mais suave]”.

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