Crise econômica

QuintoAndar desembolsa R$ 50 milhões com atraso de aluguéis durante coronavírus. “Modelo de negócio parou de pé”, diz CEO

Desde que o serviço foi implementado, em 2015, a startup pagou R$ 200 milhões em aluguéis atrasados a seus proprietários

Gabriel Braga e André Penha: fundados do QuintoAndar (Divulgação)
Gabriel Braga e André Penha: fundadores do QuintoAndar (Divulgação)
Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – Quando a startup imobiliária QuintoAndar estreou o “Proteção QuintoAndar” — que garante ao proprietário do imóvel o pagamento em dia do aluguel mesmo em caso de inadimplência do inquilino —, em 2015, o serviço não passava de uma aposta. Agora, diante da maior crise econômica já enfrentada pela empresa, a aposta se pagou, afirma Gabriel Braga, co-fundador e CEO da companhia.

Desde o início da pandemia, em março, o QuintoAndar desembolsou cerca de R$ 50 milhões para quitar aluguéis atrasados por inquilinos — valor este que, segundo a startup, foi bancado sem grandes problemas.

Embora tenha trazido um modelo inédito e bem-sucedido na atração de clientes, a Protenção Garantida da empresa sempre foi vista como um risco em uma grave crise financeira, como a atual. Como a companhia faz o seguro de toda a sua carteira, o receio era que a taxa de inadimplência disparasse e ela não conseguisse bancar todas as perdas.

Aprenda a investir na bolsa

“No começo da crise a gente chegou a projetar diversos cenários extremos de inadimplência. A inadimplência subiu, mas foi menor do que o projetado e nosso modelo parou de pé”, afirmou Braga em entrevista ao InfoMoney.

De 2015 até aqui, o QuintoAndar pagou um total R$ 200 milhões em aluguéis atrasados para 20 mil proprietários, segundo dados divulgados pela primeira vez nesta terça-feira (21).

Desde a sua fundação, em 2012, uma das principais propostas de valor da startup foi arcar com o custo e a burocracia do seguro fiança. Para isso, a plataforma iniciou suas operações contratando apólices de seguro para cada imóvel que alugava.

“A gente arcava com os custos e operava no negativo, mas sabíamos que, se esse negócio funcionasse e crescesse, existia uma maneira de fazer o seguro custar muito menos”, contou André Penha, co-fundador da startup, em entrevista ao podcast Do Zero ao Topo no ano passado.

Quando já possuíam dados suficientes sobre o perfil dos locatários e a taxa de inadimplência, os fundadores tentaram negociar uma apólice coletiva para a sua carteira. Como as seguradoras não aceitaram, eles resolveram montar o próprio modelo e assumir os riscos.

Com a Proteção QuintoAndar, a startup sempre defendeu que conseguiria atrair os melhores clientes nas duas pontas de seu negócio. Do lado dos locadores, teria bons imóveis de pessoas que querem alugar e ter sua renda garantida. Do lado dos locatários, a eliminação do custo do seguro fiança e uma a seleção criteriosa — baseada em uma ampla e tecnológica análise de dados —, atrairia bons pagadores.

PUBLICIDADE

A equação parecia fechar em tempos de normalidade, e, por hora, se comprovou também diante da crise.

O QuintoAndar não abre suas taxas de inadimplência, mas garante que é uma das mais baixas do mercado e ressalta que possui um seguro para proteger seu negócio de situações atípicas, no valor de quase R$ 1 bilhão, e que não precisou ser acionado até o momento. Embora a crise econômica ainda esteja longe do fim, Braga não espera ter que acionar o recurso.

A gestão de crise do QuintoAndar

Além do desembolso de R$ 50 milhões, para superar a crise a startup disponibilizou uma opção para que inquilinos parcelassem seus aluguéis e criou uma ferramenta que permite que locadores e locatários negociem reduções no aluguel por um determinado período. “Muitos locadores preferiram renegociar — até por entender que trata-se de uma situação atípica — do que deixar o imóvel vazio”, afirma Gabriel.

Em abril, o QuintoAndar também reduziu cerca de 8% de seu quadro de funcionários, que era de 1.100 pessoas antes da crise. “Foi um ajuste pontual e agora estamos contratando pessoas para algumas posições”, afirma Braga.

Mesmo com o período de recessão econômica que o país ainda deve enfrentar daqui para frente, o CEO acredita que o pior para a empresa já passou.

Neste segundo semestre a startup começa, aos poucos, a retomar seus investimentos. O foco será o desenvolvimento de tecnologia e a ampliação da publicidade para crescer nas 30 cidades em que já atua. Por enquanto, não há planos para entrar em novas cidades.

A empresa também não está procurando uma nova rodada de investimentos. Se algum aporte vier, será por questão de “oportunidade”, garante Braga. A última rodada, anunciada em setembro de 2019 no valor de US$ 250 milhões (mais de R$ 1 bilhão), foi liderado pelo conglomerado japonês SoftBank Group. Ao todo, a companhia já recebeu mais de R$ 1,5 bilhão.

Segundo o QuintoAndar, o volume de cinco mil aluguéis por mês — média pré-coronavírus — já voltou. Para Braga, isso é sinal de que duas de suas principais estratégias — digitalização dos aluguéis e o pagamento garantido de aluguéis — vieram pra ficar .

PUBLICIDADE

Confira a história completa do QuintoAndar no 20º episódio do podcast Do Zero ao Topo. Disponível no SpotifySpreakeriTunesGoogle PodcastsDeezer, Castbox e outros agregadores de áudio.