Em negocios

17 fatos que você (provavelmente) desconhece sobre o homem mais rico do Brasil

Lançado na semana passada, o livro "Sonho Grande" revela os bastidores dos maiores negócios já fechados por Jorge Paulo Lemann e seus dois principais sócios

Jorge Paulo Lemann
(Divulgação)

(SÃO PAULO) – Em menos de uma semana, o livro “Sonho Grande”, da jornalista Cristiane Correa, alcançou o topo do ranking dos livros de não-ficção mais vendidos do Brasil, publicado semanalmente pela revista Veja. A obra conta como o empresário Jorge Paulo Lemann, homem mais rico do Brasil, e seus sócios Marcel Telles e Beto Sicupira construíram um grupo empresarial gigantesco, capaz de construir a maior empresa brasileira em valor de mercado - a Ambev - e de comprar alguns dos maiores ícones dos Estados Unidos - como a Budweiser, o Burger King e a Heinz.

O livro serve principalmente a homens de negócios interessados em aprender mais sobre a cultura de negócios forjada no antigo banco Garantia - e que depois foi imposta a todas as empresas cujo controle foi comprado pelo trio. Como o foco do livro não é a vida dos empresários, mas seus negócios, o texto de Cristiane Correa também ajuda a entender quem é quem no mercado financeiro brasileiro e relata uma série de curiosidades sobre a construção do império. A seguir, o InfoMoney apresenta 17 fatos que pouca gente conhecia sobre Lemann antes da publicação do livro:

1 – Órfão de pai aos 14 anos

Pai de Jorge Paulo, Paulo Lemann foi o fundador da fabricante de lácteos Leco (abreviatura de Lemann & Company), que tinha sede em Resende, no Rio de Janeiro. Anos depois, o laticínio foi vendido para Hélio Moreira Salles, irmão de Walter Moreira Salles, fundador do Unibanco. Hoje a empresa é controlada pelo grupo JBS, maior frigorífico de carne bovina do mundo. Paulo Lemann não viveu o suficiente para acompanhar a ascensão do filho. O pai de Jorge Paulo morreu atropelado por um ônibus quando ele tinha apenas 14 anos.

2 – Jeitinho brasileiro em Harvard

Jorge Paulo esteve longe de ser um grande aluno em seu primeiro ano de estudos no curso de Economia em Harvard. Mas, em conversas com ex-alunos e professores, descobriu que as provas e trabalhos eram praticamente repetidos de um ano para o outro e que as provas antigas ficavam arquivadas na biblioteca da universidade. Quando começou a se preparar para as provas estudando as dos anos anteriores, Jorge Paulo passou de aluno problema a queridinho do reitor. Ele conseguiu concluir o curso em apenas três anos – ao invés dos quatro tradicionais.

3 – Bom nas quadras, melhor fora delas

Muita gente sabe que Jorge Paulo foi um grande tenista. Mas foi por muito pouco que ele não se tornou um profissional do esporte ao invés de megaempresário. Jorge Paulo chegou a ser convidado para disputar a equipe da Suíça na Copa Davis e jogou como profissional em Wimbledon e Roland Garros, dois dos quatro torneios mais importantes do mundo. A carreira só não foi adiante porque ele percebeu que dificilmente chegaria a top 10 do mundo.

4 – A primeira falência a gente nunca esquece

A primeira empresa em que Jorge Paulo teve participação societária foi a Invesco, que atuava na concessão de crédito. A empresa quebrou em 1966, quando ele tinha 27 anos. A participação de 2% detida por Jorge Paulo virou pó.

5 – Como caçar um talento

O bilionário sempre foi bastante rigoroso nas contratações. Jorge Paulo costumava dizer que buscava jovens que ele descrevia pela sigla PSD: “poor, smart, deep desire to get rich” – ou em português, “pobres, espertos e com um desejo profundo de ficar rico”.

6 – Clube do bolinha

Nos 30 anos de história do banco Garantia, fundado por Jorge Paulo, cerca de 40 funcionários alcançaram o topo da hierarquia. Nenhum era mulher.

7 – Nepotismo zero

Filhos e esposas dos sócios são proibidos de trabalhar nas empresas controladas pelo trio de empresários. Se alguém se cassasse com outro funcionário no banco Garantia, um dos dois era obrigado a deixar a empresa. Na Ambev, até hoje os filhos de Jorge Paulo, Marcel e Beto só podem atuar como trainees.

8 – Ascensão abaixo do nível do mar

Foi a prática de pesca submarina que criou laços pessoais de amizade entre Jorge Paulo, Marcel e Beto. A piada interna no banco Garantia era de que quem pescava com o chefe tinha mais chances de avançar na carreira.

9 – Perfis distintos

No trato pessoal com os funcionários, “Beto é durão, Marcel é soft e Jorge Paulo é soft, soft, soft”.

10 – Há males que vêm para o bem

Poucos meses após comprar a cervejaria Brahma, o trio de empresários levou um susto ao descobrir que o fundo de pensão da cervejaria tinha um patrimônio de US$ 30 milhões e uma necessidade de US$ 250 milhões para cumprir com o pagamento da aposentadoria dos funcionários. O rombo era equivalente a quase quatro vezes o valor pago pela Brahma. Hoje o trio comenta que foi ótimo não ter feito uma auditoria completa na empresa antes de fechar o negócio. Se soubessem do buraco nas contas, nunca teriam levado o negócio adiante.

11 – Banco não é para cardíacos

Apesar do gosto pelos esportes, da dieta rígida e da distância dos vícios, Jorge Paulo sofreu um enfarte em 1994, aos 54 anos. O susto o fez passar um ano afastado do dia a dia do banco Garantia.

12 – Uma garantia contra o risco Garantia

Após a descoberta de um rombo milionário no Garantia, o trio tentou passar o controle do banco para os sócios mais jovens, que, no entanto, se recusaram a assumir a instituição. Como em caso de quebra de um banco, a legislação brasileira determinava que todo o patrimônio pessoal dos banqueiros fosse usado para cobrir o rombo, o trio, na verdade, tentava proteger empresas como a Brahma e a Lojas Americanas ao colocar a instituição à venda. No final, o Garantia foi comprado pelo Credit Suisse.

13 – De trem e em segurança

Após uma tentativa de sequestro dos filhos, Jorge Paulo e a esposa mudaram sua residência oficial para os arredores de Zurique, na Suíça. Lá, as crianças podem ir de bicicleta para a escola e Jorge Paulo muitas vezes vai trabalhar de trem.

14 – O aluno que virou CEO

No início da carreira, Carlos Brito, atual presidente da ABInbev, pediu uma bolsa a Jorge Paulo para cursar um MBA no exterior. Ao decidir liberar US$ 22 mil para Brito estudar, ele pediu quatro coisas: que o mantivesse informado sobre o andamento dos estudos, que enviasse artigos interessantes que lesse sobre finanças, que também ajudasse alguém a estudar no futuro e que, concluídos os estudos, não aceitasse uma oferta de emprego antes de procurá-lo.

15 – Antes de uma megafusão, uma meganegociação

A fusão da Ambev com a belga Intrebrew consumiu seis meses de negociação e incluiu a participação de advogados de 16 países diferentes. No total, mais de 8.500 e-mails foram trocados entre as partes.

16 – De camelo com FHC

Na época em que a Inbev negociava a compra da Anheuser-Busch, fabricante da Budweiser, o trio de empresários foi surpreendido pelo vazamento da informação, publicada no blog Alphaville, do jornal britânico Financial Times. No final de maio de 2008, Jorge Paulo e sua mulher Susanna viajavam pelo deserto de Gobi, localizado entre o sul da Mongólia e o norte da China. Acompanhavam o casal o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua então mulher, Ruth. Em foto publicada no livro, os quatro aparecem em cima de camelos.

17 – Nada a comemorar?

Quando descobriu que havia ultrapassado Eike Batista e alcançado o topo da lista dos brasileiros mais ricos do mundo, Jorge Paulo não deu a menor bola. Com Sam Walton, fundador do Walmart, ele havia aprendido que listas eram só papel e que na prática nada havia mudado.

Ouça entrevista da jornalista Cristiane Correa sobre o livro "Sonho Grande" para a gestora de recursos Rio Bravo.

 

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