Análise

Gafisa: investidores comemoram saída do polêmico fundo GWI e ação salta até 7%

A GWI Asset Management deixou o controle da empresa após gestão curta e cheia de polêmicas

SÃO PAULO – As ações da Gafisa (GFSA3) subiram até 7,34% nesta sexta-feira (15) após o anúncio de um “divórcio” que trouxe alívio aos acionistas. A GWI Asset Management, do polêmico sul-coreano Mu Hak You, deixou de ser a controladora da empresa ao leiloar seus papéis na quinta-feira (14) em uma negociação que movimentou R$ 131,4 milhões.

A Planner Corretora arrematou 14,6 milhões de ações, o equivalente a 33,67% do capital da Gafisa, para um grupo de investidores interessados no negócio, segundo informações dos jornais Valor Econômico e O Estado de S. Paulo.

“A notícia é positiva para as ações da Gafisa no curto e médio prazo e para os acionistas minoritários. Os novos controladores serão de grande importância para colocar a companhia novamente nos eixos”, afirmam Felipe Bevilacqua e Eduardo Guimarães, especialistas em ações da Levante.

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O novo bloco controlador deve convocar uma assembleia para a nomeação dos membros do Conselho de Administração e definir nova diretoria nas próximas semanas, conforme informa o Estadão citando fontes próximas à negociação. 

A gestão da GWI, comandada pelo investidor Mu Hak You, foi curta e marcada por polêmicas. Após assumir o controle da empresa, em setembro de 2018, a GWI demitiu metade dos funcionários, incluindo executivos do alto escalão, como CEO, diretor financeiro e diretor comercial, que foram substituídos por advogadas sem experiência no ramo de incorporação. A nova administração ainda deixou de pagar fornecedores e buscou a renegociação de contratos que considerava pouco vantajosos.

A companhia também foi alvo de acusação de desvios de recursos. Segundo a Polo Capital Securitizadora, que comprou dívidas da Gafisa e teria o direito de receber parte dos valores pagos pelos clientes da companhia, a construtora enviou novos boletos de cobrança a clientes no início de fevereiro em que listava seus próprios dados bancários, em vez dos relativos à Polo. O total seria de R$ 1,8 milhão.

Com a alteração dos boletos, a Polo Capital afirmou que “a Gafisa passou a receber indevidamente os créditos de compradores de imóveis de titularidade da securitizadora”. Segundo fontes de mercado, haveria cerca de R$ 300 milhões em CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários) emitidos pela Gafisa. Não há detalhes sobre qual parcela foi securitizada pela Polo Capital.

Além dessas polêmicas, a Gafisa é uma das empresas mais alavancadas do segmento e, para não deixar o preço do papel cair muito, gastou o pouco caixa que tem com um plano de recompra de suas ações iniciado em setembro de 2018 pela GWI. A incorporadora desembolsou R$ 18 milhões em recompra apenas no mês de janeiro. Com isso, a liquidez da companhia passou a ser foco de grande preocupação dos acionistas.

“A necessidade de gerar caixa para fazer frente às margens financeiras devidas para a corretora e a pressão da B3 fizeram com que a venda de Gafisa fosse realizada. Neste momento ainda não se sabe quem são os novos controladores, mas tudo indica que é um grupo já com experiência no setor imobiliário. E o foco da companhia agora volta para o que deveria ser, desenhar e executar a melhor estratégia no setor imobiliário”, afirmam os especialistas da Levante, em relatório enviado a clientes. 

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Em 11 de fevereiro o mercado já havia respondido com entusiasmo os rumores de que a GWI estaria negociando a venda de sua participação. Na ocasião, os papéis saíram de perdas de 10,82% para queda de 1%. 

Apesar da resposta bastante imediatamente otimista com a conclusão da troca no controle, a Gafisa ainda tem um longo caminho para recuperar o valor de suas ações, que acumulam perdas de 42,4% somente neste ano. Prova disso são os dados da prévia operacional do quarto trimestre, que decepcionaram as já baixas expectativas do mercado e com os analistas vendo pouca atratividade e baixa geração de caixa para o papel. Mesmo com a forte queda do papel, boa parte do mercado não via o papel como barato, ainda mais por conta dos problemas de gestão que a Gafisa enfrentava.

Desta forma, a companhia ainda enfrenta muitos desafios – mas o primeiro passo foi dado com a troca de controlador.