Fintech que ajuda pequenas empresas a fazerem marketing digital recebe R$ 20 milhões

A Divibank oferece linhas de financiamento para fazer campanhas em plataformas como Google, Facebook, Instagram e TikTok

Mariana Fonseca

Jaime Taboada e Rebecca Fischer, cofundadores da Divibank (Divulgação)
Jaime Taboada e Rebecca Fischer, cofundadores da Divibank (Divulgação)

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SÃO PAULO – O Brasil tem mais de 700 fintechs, segundo o último estudo Radar FintechLab. 114 delas atuam na área de crédito. Muitas delas precisam apostar nos nichos para competir com as propostas das instituições mais tradicionais.

A Divibank é um desses exemplos. A fintech é focada em fornecer capital para PMEs e startups investirem em marketing digital. São linhas de financiamento para fazer campanhas em plataformas como Google, Facebook, Instagram e TikTok.

Essa proposta nichada atraiu investidores. A Divibank anunciou um aporte semente de R$ 20 milhões (US$ 3,6 milhões). A injeção de recursos foi liberada pelo fundo Better Tomorrow Ventures. Também contou com a participação de fundos como o brasileiro MAYA Capital e o americano Village Global, fundo que tem Bill Gates, Jeff Bezos e Mark Zuckerberg entre seus investidores. Alguns anjos que aportaram na Divibank foram Sebastian Mejía (cofundador da Rappi) e Karim Atiyeh (cofundador da Ramp).

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O mercado para a Divibank explorar ainda é grande. Jaime Taboada, cofundador da fintech, afirma que US$ 5 bilhões foram investidos em marketing digital no Brasil durante 2019. Na América Latina, foram US$ 13 bilhões em marketing digital, ante os US$ 30 bilhões de investimento total em mídia.

“Essa proporção não está em linha com países mais desenvolvidos nesse setor, onde a maioria do investimento já vai para canais digitais. Mas a América Latina tem acelerado esse investimento e acreditamos nesse potencial de alta”, diz Taboada. O InfoMoney conversou com o cofundador para entender o modelo de negócios da Divibank e os planos com a nova captação de recursos.

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Ideia de negócio: financiar campanhas de marketing digital

A Divibank foi fundada pelos empreendedores Jaime Taboada e Rebecca Fischer. Taboada é colombiano, mas estudou ciência da computação e engenharia nos Estados Unidos. Após trabalhar com investment banking no Goldman Sachs, Taboada chegou ao Brasil em 2019. Trabalhou como empreendedor residente no fundo MAYA Capital, trocando análises com investimentos por consultoria em um projeto empreendedor.

“Estava de olho na área de fintech por conta do meu background, e no mercado latino-americano por conta da minha origem. Uma das melhores formas de ajudar a economia é ajudar pequenas e médias empresas e startups. Elas criam boa parte dos empregos e trazem inovações”, diz Taboada.

O futuro empreendedor reparou que muitos donos de startups pediam investimento na MAYA Capital para fazer campanhas de marketing digital. De olho na oportunidade de atender esse mercado, Taboada conheceu Rebecca, que também via aumento de interesse em mídias online. Ela tem experiência em marketing digital, atendendo empresas como Ambev, Mercado Livre e Quinto Andar e trabalhando em agências como Kensho e Blinks.

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Taboada e Rebecca fundaram a Divibank em março de 2020. A empresa passou por testes até agosto deste ano, quando passou a adicionar clientes à carteira. A Divibank atua como correspondente bancário, mediando financiamento para campanhas de marketing digital a pequenas e médias empresas. O investimento mínimo em uma campanha costuma ser de R$ 5 mil, podendo ir até R$ 2 milhões. A Divibank ainda está analisando em qual faixa de campanha nichar sua proposta.

O pagamento do empréstimo é feito por parcelas que representam uma porcentagem da receita futura desses negócios (revenue sharing). Juros já estão embutidos nas parcelas, e vão de 1% até 4% ao mês. A Divibank não coloca um prazo limite para pagamento completo do crédito. A fintech também afirma que de 2% até 15% da receita são usados para pagamentos de parcelas. A porcentagem é determinada dependendo do tamanho do empréstimo e das receitas do cliente.

Como forma de mitigar o risco, a fintech analisa algumas métricas. O empreendedor entra na plataforma da Divibank e preenche um formulário sobre sua empresa. A fintech faz uma análise de crédito pedindo pelo menos seis meses de operação com receita e pelo menos três meses fazendo algum esforço em marketing digital. Esses pontos são analisados para verificar tanto a capacidade de pagamento quanto o potencial de melhorar as campanhas de marketing. “Por enquanto, estamos direcionando nosso empréstimo para alguém que já tem experiência com marketing digital. Depois, veremos como educar quem ainda não faz”, diz Taboada.

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A Divibank atende lojas virtuais, softwares como serviço (SaaS) e negócios que vendem direto ao consumidor (D2C). A Divibank não fornece dados totais, mas afirmou que obteve mais 50 clientes e aumentou o valor originado em sete vezes nos últimos seis meses. A Divibank já recebeu solicitações de empréstimos que acumulam mais de R$ 83 milhões.

Novo investimento e planos de expansão

Este é o primeiro aporte recebido pela Divibank. O investimento semente de R$ 20 milhões servirá para investir em tecnologia e escalar as operações da fintech.

Agora, a Divibank está testando uma plataforma para que as empresas consigam ver e analisar informações agregadas de campanhas feitas em diversas fontes, como Facebook e Google. A fintech pode mandar alertas quando alguma campanha diminuiu seu custo-benefício. “Queremos fornecer smart money. A ideia é apoiar nossos clientes não apenas com capital, mas com ferramentas para que façam bom uso do marketing digital”, diz Taboada.

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Outro investimento em tecnologia é a entrada no Open Banking, obtendo acesso a informações mais detalhadas das empresas clientes. Essa integração de dados também deve se estender a plataformas de e-commerce, para acessar dados de vendas.

A fintech também pretende expandir suas frentes de atuação. “Estamos de olho em financiar estoque, em tomar recebíveis como garantias e em securitizar ante receitas recorrentes [converter em títulos negociáveis]. Existem várias oportunidades para ser a plataforma de crescimento dos empresários”, diz Taboada.

Segundo o cofundador, esses investimentos devem manter ou ampliar o ritmo de crescimento visto nos últimos seis meses, de sete vezes. Para concretizar a meta, a Divibank pretende saltar de seis para 30 funcionários nos próximos doze meses. As vagas estão abertas para crédito, operação e tecnologia.

Mariana Fonseca

Subeditora do InfoMoney, escreve e edita matérias sobre empreendedorismo, gestão e inovação. Coapresentadora do podcast e dos vídeos da marca Do Zero Ao Topo.