Mercado financeiro

Com futura corretora, Messem mira o potencial do interior para o mercado financeiro e planeja triplicar total de unidades

Escritório de agentes autônomos de Caxias do Sul tem 30 mil clientes e R$ 15 bilhões sob custódia, e criará corretora em sociedade com a XP

(Divulgação)

SÃO PAULO – A Messem Investimentos – primeiro escritório de agentes autônomos a estabelecer uma sociedade com a XP para a criação de uma corretora – planeja dobrar o número de cidades em que possui unidades até o fim do ano que vem. Hoje presente fisicamente em 15 municípios, a empresa pretende chegar a 30 em 2022 e a 50 em 2023. Criada em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, há quase 15 anos, a Messem atua principalmente fora de capitais – cerca de dois terços dos seus escritórios e representantes estão no interior.

“Em alguns estados, como o Rio Grande do Sul, estamos bem estabelecidos, mas enxergamos potencial em muitas outras cidades do interior que, junto com os municípios vizinhos, somam uma população na faixa dos 500 mil habitantes”, diz Mauro Silveira, CEO da Messem. Ele estima que a futura corretora – na qual a empresa terá participação de 50,1% e a XP, de 49,9% – já nascerá avaliada em cerca de R$ 1 bilhão.

A estratégia reflete uma tendência à descentralização do interesse pelo mercado financeiro no Brasil: a região da Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, embora ainda dominante, começa a dividir espaço com outros locais menos badalados. Atualmente, 51% dos investidores pessoas físicas cadastrados para operar na Bolsa de valores (B3) não estão nem em São Paulo, nem no Rio de Janeiro.

A Messem tem buscado seguir o movimento, que, segundo Silveira, foi aprofundado durante a pandemia. “Muitos dos nossos clientes são pessoas que migraram das maiores cidades para o interior, especialmente as que atuam em áreas com uma dinâmica propícia para o trabalho a distância”, afirma. Há, também, uma parcela formada por quem já se aposentou e buscou cidades menores, com serviços à disposição, para viver os próximos anos.

Do início de 2020 para cá, por exemplo, a Messem abriu cinco unidades em cidades como Londrina (PR), Pelotas (RS), Florianópolis (SC), Jundiaí e São José (SP). No mesmo período, contratou mais de 200 pessoas, dobrando o tamanho do time, que hoje é formado por 400 pessoas. “Da nossa equipe, 70% estão na força comercial e 30% trabalham nas áreas de suporte. Na Messem, ou você trabalha atendendo cliente ou trabalha para quem atende cliente”, diz Silveira.

Os 30 mil clientes – que mantêm perto de R$ 15 bilhões em custódia com a Messem – têm perfil variado, abrangendo desde pequenos investidores até alta renda, private e também corporate. “São pessoas que, muitas vezes, querem sair dos bancos, mas têm dúvidas de como tomar essa iniciativa sozinhos”, diz Silveira. “Temos cliente super digitalizados, é claro, mas também há um perfil que quer bater um papo ao vivo com assessor e ter um acompanhamento de perto da carteira”.

O que muda com uma corretora?

O processo de criação da corretora depende de trâmites junto ao Banco Central e, por isso, deve se estender pelos próximos 12 meses. Segundo Silveira, a expectativa é conseguir personalizar ainda mais o atendimento aos clientes.

Em um primeiro momento, a nova corretora deve ser do tipo “participante de negociação” ou “PN”, considerando a classificação estabelecida pela B3. Entram nesse grupo as instituições que realizam suas operações por meio de outras corretoras do tipo “pleno” – ou “full”, no jargão do mercado.

Assim, embora vá desenvolver sua marca e oferecer acesso aos mercados por meio de uma interface própria, a Messem continuará utilizando a infraestrutura tecnológica e de backoffice da XP, incluindo sistemas, liquidação e custódia. Com o tempo, é possível que haja uma migração também para o modelo “full”.

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O rol de investimentos oferecidos tende a ser ampliado, já que a Messem poderá trabalhar, ela mesma, na originação de produtos. Um exemplo está nas empresas regionais, que podem encontrar dificuldades para acessar o mercado de capitais por meio das maiores corretoras – mas poderiam ser atendidas por uma casa como a Messem.

“As plataformas de investimentos demandam produtos muito robustos, já que precisam atender um enorme volume de clientes. Como corretora, conseguiremos tanto originar quanto oferecer opções customizadas para os investidores e para as empresas”, explica Silveira.

Segundo o executivo, a XP será um sócio estratégico, com aporte que acelerará o crescimento da empresa. Um conselho de administração deverá ser formado, com representantes das duas casas trabalhando na definição dos rumos do negócio. Atualmente, a partnership da Messem inclui 35 sócios.

Parcerias semelhantes foram firmadas pela XP nos últimos dias com outros dois escritórios de agentes autônomos: uma com a Monte Bravo e outra com a Faros.

Para dar velocidade à expansão da empresa, Silveira afirma que podem acontecer aquisições, seja de outros escritórios de agentes autônomos como é a Messem atualmente, seja de outras corretoras. “Não vislumbramos um nicho específico, mas queremos caminhar com velocidade”, diz.

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