Gigante sofre críticas

Amazon cresce com pandemia, mas enfrenta crise interna e preocupações com segurança

Tensões internas não impediram que Jeff Bezos ficasse US$ 23,6 bilhões mais rico

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SÃO PAULO – As ações da Amazon atingiram a máxima histórica nesta semana, com a empresa se beneficiando da forte demanda em meio ao isolamento social e elevando o seu valor de mercado para US$ 1,14 trilhão.

A pandemia de coronavírus forçou uma mudança no perfil de consumo das pessoas, que passaram a realizar mais compras online. Neste cenário, a Amazon mudou sua cadeia logística para priorizar itens essenciais e ajustou seus outros negócios para lidar com o bloqueio do vírus.

Por conta da nova realidade, a empresa passou a enfrentar críticas de seus funcionários sobre a forma como lida internamente com a Covid-19. Mais de 74 armazéns dos EUA já relataram casos do vírus, e as preocupações dos trabalhadores sobre segurança e saneamento fizeram com que os mesmos protestassem publicamente.

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Mesmo com as reclamações, a companhia, nas últimas semanas, anunciou milhares de contratações para atender o aumento de pedidos online.

O aumento da demanda, embora seja bom para os resultados da Amazon, significa também que sua rede de atendimento e operações está sob pressão. Analistas em do Bank of America disseram, na terça, que a empresa está passando por uma “mudança de demanda sem precedentes”.

Outras questões ainda deixam o caminho da Amazon mais tortuoso, embora suas ações sigam em constante crescimento. A multinacional foi forçada a “pausar” o serviço de entregas, que a colocava de frente com concorrentes como a FedEx e UPS, além de fechar armazéns na Europa e perder executivos importantes durante a crise.

Valorização

A gigante do comércio eletrônico foi negociada a US$ 2.283,32 por ação na última terça-feira, superando o recorde anterior alcançado em 19 de fevereiro, quando as ações fecharam a US$ 2.170,22.

O negócio Web Services, que presta serviços para outras empresas, também posiciona a empresa para fortes ganhos durante a quarentena: o coronavírus representa um “ponto de virada chave” para o setor de computação em nuvem, escreveu Dan Ives, analista da Wedbush, em nota.

Desde o começo do ano, seus papéis subiram mais de 20%, enquanto o índice de referência S&P 500 caiu cerca de 12%.

A Amazon é uma das poucas empresas a se recuperar por conta do coronavírus, que começou no final de fevereiro, e uma das 28 ações da S&P 500 a reagir com valorização. As ações dispararam em 2020, em meio à desaceleração do mercado e as paralisação em todo mundo.

O Bank of America manteve sua classificação de compra para as ações da Amazon e elevou o preço alvo para US$ 2.480.

Enquanto a Amazon se esforça para se adaptar a nova realidade, o CEO e a pessoa mais rica do mundo, Jeff Bezos, viu um aumento de US$ 23,6 bilhões em sua fortuna – um dos poucos bilionários a ter seu patrimônio líquido aumentado neste ano, de acordo com a Bloomberg.

No início de fevereiro, Bezos vendeu mais de US$ 4 bilhões em ações da Amazon, tendo um lucro de US$ 3,1 bilhões. A riqueza do executivo aumentou cerca de 20% nos últimos quatro meses, para US $ 138,5 bilhões em abril.

Em sua carta anual aos acionistas, o CEO da Amazon, Jeff Bezos, destacou os esforços da organização para lidar com a pandemia, mantendo os funcionários seguros, incluindo a introdução de medidas de distanciamento social em seus armazéns, reservando a primeira hora de compras na Whole Foods apenas para idosos e aumentando o salário mínimo em US$ 2 por hora até o final de abril, além do plano de testar todos os funcionários para a doença.

“Uma coisa que aprendemos com a crise da Covid-19 é a importância da Amazon para nossos clientes”, escreveu Bezos na carta, publicada nesta quinta-feira. “Por enquanto, meu tempo e pensamento continuam focados na Covid-19 e em como a Amazon pode ajudar enquanto estamos no meio.”

Preocupações internas

A carta é divulgada no momento em que a Amazon está envolvida em controvérsias sobre o tratamento dado aos trabalhadores de seus armazéns.

Entre 50 e 60 funcionários protestaram em um armazém da Amazon no bairro de Staten Island, em Nova York, exigindo que as instalações fossem fechadas e limpas depois que um trabalhador testou positivo para o coronavírus. A companhia demitiu um trabalhador que ajudou a organizar um protesto.

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A empresa revelou que várias medidas foram tomadas para garantir a segurança dentro de seus armazéns, incluindo uma regra de distanciamento de 1,5 m, e fornecimento de materiais de limpeza e para os trabalhadores e introduzindo verificações de temperatura.

Mas, segundo o site Business Insider, vários funcionários do armazém disseram que ainda não se sentem seguros ao entrar no trabalho, afirmando que as medidas de distanciamento social são impossíveis dentro dos armazéns e os suprimentos sanitários acabam com frequência.

Um funcionário do armazém da Amazon no sul da Califórnia morreu de Covid-19, alimentando ainda mais as preocupações com as medidas de proteção e combate. Esse foi o primeiro caso conhecido de morte por doença de coronavírus entre os funcionários.

A Amazon se recusa a comentar o número exato de funcionários afetados pela doença e, em resposta às criticas, prometeu adicionar algumas novas medidas de segurança , como o fornecimento de máscaras faciais e verificações regulares de temperatura para todos os funcionários de seu armazém. A companhia também aumentou o salário por hora durante o mês de abril, oferecendo folga remunerada àqueles diagnosticados com a doença.

Políticos americanos criticam a maneira em que a Amazon lida com os protestos dos trabalhadores. O senador Bernie Sanders tuitou na terça-feira pedindo que a companhia ofereça um ambiente de trabalho mais seguro.

“Em vez de demitir funcionários que querem justiça, talvez Jeff Bezos – o homem mais rico do mundo – possa se concentrar em fornecer a seus trabalhadores licença médica remunerada, um local de trabalho seguro e um planeta habitável”, escreveu Sanders.

Diante das críticas, Jeff Bezos doou US$ 100 milhões para a Feeding America, uma organização sem fins lucrativos que ajuda a alimentar famílias carentes, afirmando também que a empresa planeja testar regularmente seus funcionários, incluindo aqueles que não apresentam sintomas.

Crise na Europa

A Amazon tomou a decisão de fechar seus centros de distribuição na França, depois que um tribunal decidiu terça-feira que a empresa deveria reavaliar medidas de proteção para manter os trabalhadores protegidos contra o coronavírus.

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Na terça-feira, o tribunal de Nanterre decidiu que a Amazon só poderá enviar itens essenciais aos seus armazéns, com multa de 1 milhão de euros (US $ 1,1 milhão) por dia, em caso de descumprimento.

O tribunal disse em sua ordem que a Amazon “não reconheceu suas obrigações em relação à segurança e saúde de seus trabalhadores”, segundo a AFP.

A Amazon possui seis armazéns na França, onde emprega cerca de 10 mil pessoas. A gigante do varejo disse que está pedindo aos funcionários de seus armazéns que fiquem em casa de 16 a 20 de abril. Após a decisão, a empresa anunciou a suspensão das atividades em um tuíte na noite de quarta-feira.

A Amazon insistiu que havia mostrado ao tribunal “evidências concretas” das novas medidas que adotou para proteger seus funcionários da propagação do coronavírus.

No mesmo dia em que saiu a decisão, o chefe de operações da Amazon na União Europeia, Roy Perticucci, deixou a empresa.

A saída não tem relação com a sentença francesa, mas acontece em um momento crucial para a multinacional. Perticucci supervisionava mais de 60 instalações operacionais em 12 países, onde os pedidos da varejista são processados. A empresa conta com mais de 120.000 associados trabalhando nos locais de atendimento, classificação e transporte europeus durante a alta temporada.

Contratações mesmo com aumento de desemprego

No mês passado, a Amazon proibiu todos os produtos “não essenciais” de chegarem a seus armazéns. Essa mudança teve como objetivo abrir a capacidade de bens necessários, como máscaras faciais e álcool gel.

Com o aumento de pedidos, a Amazon abrirá suas portas, mais uma vez, para pedidos não essenciais em seus armazéns nos Estados Unidos neste fim de semana.

A empresa anunciou nas últimas semanas que planeja contratar 75 mil funcionários adicionais em suas operações de entrega e armazenamento. Em um post no blog, a Amazon afirma que os novos postos de trabalho surgem depois que a companhia ocupou outros 100.000 em março – quando a pandemia se espalhou pelos EUA e se tornou uma crise global da saúde.

A maioria dos cargos são para atuar nos armazém ou atuar como compradores e motoristas de entrega, com pagamento de US$ 15 por hora.

A empresa ainda possui mais de 20 mil vagas de tecnologia abertas em seu site, com carreiras na área de desenvolvedores de software e profissionais de suporte de TI. No Brasil, as vagas são integrais e também para carreiras em tecnologia.

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