Êxodo dos milionários bate recorde global; para onde vão os brasileiros mais ricos?

Migração de grandes fortunas deve atingir 165 mil pessoas em 2026; Portugal e Estados Unidos seguem entre os destinos preferidos de brasileiros de alta renda

Marina Verenicz

(Unsplash/ Francisco de Frias)
(Unsplash/ Francisco de Frias)

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A migração internacional de milionários deve atingir um novo recorde em 2026. Segundo levantamento da New World Wealth divulgado pela revista The Economist, cerca de 165 mil pessoas com grande patrimônio devem trocar de país neste ano, acima das 140 mil registradas em 2025, o maior número já contabilizado pela consultoria.

O movimento reflete uma tendência que ganhou força após a pandemia e passou a envolver não apenas empresários de países emergentes, mas também famílias de alta renda da Europa e dos Estados Unidos. Em busca de menor carga tributária, diversificação patrimonial, segurança jurídica e acesso a novos mercados, os ultrarricos movimentam uma indústria global estimada em US$ 40 bilhões.

No caso brasileiro, Portugal e Estados Unidos continuam entre os principais destinos escolhidos por investidores e famílias de alta renda que buscam residência ou cidadania no exterior.

Quantos brasileiros vivem fora do país

Dados do Ministério das Relações Exteriores apontam que mais de 5 milhões de brasileiros vivem atualmente no exterior.

A maior comunidade está nos Estados Unidos, com cerca de 2 milhões de pessoas. Portugal aparece entre os destinos que mais cresceram nos últimos anos, impulsionado pela facilidade linguística, pela segurança e pelos programas de residência para investidores.

Embora não exista uma estatística oficial sobre quantos brasileiros expatriados são milionários, consultorias especializadas em planejamento patrimonial relatam aumento contínuo na procura por estruturas de residência internacional entre famílias com patrimônio elevado.

Segundo critérios utilizados pela New World Wealth, milionários são pessoas com patrimônio líquido superior a US$ 1 milhão, excluindo a residência principal. Já os ultramilionários possuem patrimônio acima de US$ 30 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 152 milhões.

Porta de entrada

Durante a última década, Portugal se consolidou como um dos principais destinos para brasileiros de alta renda. O país atrai investidores pela combinação de estabilidade institucional, acesso ao mercado europeu e possibilidade de obtenção futura de cidadania. Além disso, tornou-se um centro para famílias interessadas em educação internacional e planejamento sucessório.

Recentemente, porém, o governo português endureceu parte das regras migratórias. Em maio, Lisboa ampliou de cinco para dez anos o prazo necessário para obtenção da cidadania para grande parte dos imigrantes, reduzindo uma das vantagens que tornavam o país particularmente atrativo.

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Mesmo em meio ao endurecimento da política migratória, os Estados Unidos continuam entre os principais receptores de grandes fortunas globais.

O principal instrumento utilizado por investidores estrangeiros é o programa EB-5, que concede residência mediante investimentos produtivos. Atualmente, o valor mínimo exigido é de US$ 800 mil, mas o mercado espera um aumento desse patamar nos próximos meses.

O país abriga aproximadamente um terço dos ultramilionários do mundo, o que ajuda a explicar seu papel central na atração de empresários, investidores e gestores de patrimônio.

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Mercado bilionário

A expansão da chamada migração por investimento criou um setor especializado que reúne escritórios de advocacia, consultorias tributárias, gestores patrimoniais e empresas voltadas à obtenção de vistos e cidadanias.

A consultoria IMI, também ouvida pelo The Economist, estima que esse mercado movimentou US$ 40 bilhões em 2025, o dobro do observado em 2019. Atualmente, mais de 1.200 empresas atuam globalmente nesse segmento.

O crescimento ocorre apesar das restrições adotadas por alguns governos. Espanha encerrou seu programa de residência para investidores neste ano, Malta enfrenta questionamentos da União Europeia sobre concessão de cidadania e a Argentina abandonou recentemente um projeto semelhante.

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Destinos mudam com a geopolítica

Até recentemente, Dubai figurava entre os principais polos de atração para milionários de países emergentes, especialmente do Sul da Ásia, Oriente Médio e África.

A escalada das tensões no Golfo, contudo, levou parte dos investidores a reavaliar planos de mudança. Ao mesmo tempo, consultores relatam aumento da procura por alternativas na Europa por parte de famílias americanas preocupadas com o ambiente político nos Estados Unidos.