Suíços rejeitam limite populacional de 10 milhões e mantêm política migratória

Proposta apoiada pela direita foi derrotada nas urnas e evitou mudanças que poderiam afetar imigração, asilo e relação com a União Europeia

Marina Verenicz

(Ronnie Schmutz/ Unsplash) Bandeira da Suíça
(Ronnie Schmutz/ Unsplash) Bandeira da Suíça

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Os eleitores da Suíça rejeitaram neste sábado (13) uma proposta que obrigaria o país a limitar sua população a 10 milhões de habitantes. Segundo a BBC, cerca de 55% dos votantes se posicionaram contra a medida, enquanto 45% apoiaram a iniciativa. A participação ficou em torno de 60%.

A consulta popular foi promovida pelo Partido Popular Suíço (SVP), principal legenda da direita nacionalista do país. O grupo defendia que o crescimento populacional tem aumentado a pressão sobre moradia, infraestrutura, transporte e recursos ambientais.

Com a derrota da proposta, permanecem inalteradas as regras atuais de imigração, residência e circulação de pessoas.

O que mudaria com a aprovação

O texto previa uma série de medidas para conter o crescimento demográfico ao longo das próximas décadas. Entre elas estavam regras mais rígidas para reagrupamento familiar, concessão de permissões de residência e pedidos de asilo.

O projeto também estabelecia que o governo deveria agir para impedir que a população ultrapassasse a marca de 10 milhões de habitantes antes de 2050.

Uma das consequências mais relevantes envolvia a relação da Suíça com a União Europeia. Caso o limite fosse atingido, o país seria obrigado a abandonar o acordo de livre circulação de pessoas com o bloco europeu.

Na prática, isso colocaria em risco o atual acesso suíço ao mercado único europeu, considerado estratégico para a economia local.

Os defensores da proposta argumentavam que a imigração tem sido o principal fator por trás do crescimento populacional do país. Atualmente, a Suíça possui cerca de 9,1 milhões de habitantes. Dados oficiais mostram que 27% da população residente não possui cidadania suíça.

A maior parte dos estrangeiros vem da Europa. Em 2024, italianos formavam o maior grupo de residentes estrangeiros, seguidos por alemães e portugueses. Imigrantes oriundos da Ásia representavam 9% dos estrangeiros residentes, enquanto africanos correspondiam a 5% e pessoas das Américas, a 4%.

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A derrota representa um revés para o Partido Popular Suíço, que vinha apresentando a limitação populacional como uma forma de preservar a capacidade dos serviços públicos e reduzir pressões sobre habitação, transporte e meio ambiente.

Para os opositores da medida, porém, a proposta criava riscos econômicos e diplomáticos ao vincular o crescimento populacional à permanência dos acordos de livre circulação com a União Europeia.