Entenda a nova escalada entre Israel e Irã que ameaça o cessar-fogo de Trump

Escalada começou no Líbano, atingiu instalações energéticas iranianas e israelenses e voltou a pressionar o mercado global de petróleo

Marina Verenicz

Publicidade

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que suspendesse novos ataques contra o Irã e desse espaço para a diplomacia. O pedido foi atendido temporariamente, segundo uma autoridade israelense ouvida pela emissora Channel 12 nesta segunda-feira (8).

A pausa ocorre após quatro dias de confrontos que colocaram em risco o cessar-fogo negociado por Washington em abril e reacenderam preocupações sobre a segurança energética global. Apesar da suspensão dos ataques diretos ao Irã, Israel sinalizou que continuará sua campanha militar contra o Hezbollah no sul do Líbano.

A nova escalada revelou um problema que nunca foi resolvido pelo acordo costurado pelos Estados Unidos. Embora a trégua tenha reduzido o risco de confronto direto entre Washington e Teerã, ela não incluiu as operações israelenses contra o Hezbollah, principal aliado regional do regime iraniano.

A escalada começou no Líbano

O ponto de partida da crise foi uma série de bombardeios israelenses contra alvos ligados ao Hezbollah em Beirute e no sul do Líbano. Israel sustenta que o grupo continua ampliando sua capacidade militar próximo à fronteira e afirma que suas operações são necessárias para impedir novos ataques contra o território israelense.

Os ataques ocorreram semanas após uma tentativa de acordo entre Israel e o governo libanês mediada pelos Estados Unidos. O entendimento acabou fracassando depois que o Hezbollah rejeitou os termos da proposta, classificando-a como inaceitável.

A deterioração da situação já vinha sendo observada havia meses. Segundo o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, Israel realizou 3.491 ataques aéreos no país entre 17 de abril e 7 de junho, além de 407 demolições controladas e seis grandes operações de destruição em áreas próximas à fronteira.

Continua depois da publicidade

Teerã responde e amplia o conflito

Após os bombardeios no Líbano, o Irã decidiu reagir diretamente. Teerã lançou mísseis contra Israel e afirmou que não permaneceria passivo diante de ataques contra forças e grupos aliados na região.

O governo iraniano passou a tratar a ofensiva israelense contra o Hezbollah como parte de uma estratégia mais ampla de pressão contra o chamado “eixo de resistência”, formado por grupos apoiados por Teerã no Líbano, Síria, Iraque e Iêmen.

A resposta iraniana representou uma mudança importante porque elevou o confronto de uma disputa indireta para uma troca aberta de ataques entre os dois países.

Israel mira infraestrutura

As Forças de Defesa de Israel (IDF) bombardearam instalações militares iranianas e atingiram a petroquímica Karun, uma das maiores empresas do setor no país.

Segundo os militares israelenses, os alvos faziam parte da infraestrutura utilizada para produzir materiais empregados no programa de mísseis balísticos iraniano.

Israel argumenta que essas instalações têm papel estratégico no desenvolvimento de armamentos capazes de atingir seu território. O governo iraniano rejeitou essa versão e acusou Israel de atacar estruturas civis e econômicas.

Continua depois da publicidade

Petróleo entra no centro do conflito

A partir desse momento, a crise deixou de ser apenas militar e passou a preocupar diretamente os mercados. Nesta segunda-feira, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã anunciou ter lançado mísseis contra instalações industriais em Haifa, no norte de Israel.

O ataque foi apresentado como uma resposta ao bombardeio israelense contra um complexo petroquímico localizado em Mahshahr, importante polo energético iraniano.

Em comunicado, a corporação afirmou que Israel abriu um precedente perigoso ao atingir instalações ligadas aos setores de petróleo e energia.

Continua depois da publicidade

A mensagem foi interpretada por analistas como um aviso de que ativos energéticos poderão se tornar alvos prioritários caso a escalada continue.

Trump tenta salvar a trégua

O governo americano trabalha há meses para reduzir as tensões na região e garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, passagem por onde circula aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido no mundo.

O bloqueio parcial da rota nos últimos meses já provocou oscilações nos preços internacionais e ampliou preocupações inflacionárias nos Estados Unidos.

Continua depois da publicidade

Segundo o Wall Street Journal, Trump considera que uma guerra regional ampliada poderia comprometer um dos principais objetivos de sua política externa: estabilizar os fluxos energéticos globais e reduzir pressões sobre a economia americana.

A crise também revelou diferenças crescentes entre Trump e Netanyahu. Enquanto a Casa Branca busca preservar o cessar-fogo e avançar em negociações mais amplas com o Irã, o governo israelense sustenta que o combate ao Hezbollah deve continuar independentemente dos acordos diplomáticos.

Netanyahu enfrenta forte pressão interna para manter uma postura dura contra os grupos apoiados por Teerã. Já Trump busca evitar uma deterioração militar que possa afetar os preços da energia e ampliar a instabilidade regional.

Continua depois da publicidade