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Produtores rurais da Polônia realizam nesta sexta-feira (9) um protesto em Varsóvia contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado pelos países do bloco após mais de duas décadas de negociações.
A manifestação ocorre na praça Plac Defilad, no centro da capital polonesa. Antes do ato, o presidente da Polônia, Karol Nawrocki, se encontrou com representantes dos agricultores envolvidos na organização do protesto.
Dias antes, agricultores chegaram a bloquear a fronteira de Medyka, no sudeste do país, interrompendo uma das principais rotas de comércio terrestre. A paralisação só foi suspensa após o governo assumir publicamente o compromisso de votar contra o acordo com o Mercosul.
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O ministro da Agricultura polonês, Czeslaw Siekierski, foi pessoalmente ao local negociar com os manifestantes e afirmou, em publicação no X, que a oposição ao tratado seria formalizada como posição do governo e do Parlamento.
“Mantemos nossa oposição inquestionável ao tratado com o Mercosul, como exigem os agricultores”, escreveu. Segundo ele, o receio é a entrada de produtos agrícolas mais baratos e com regras sanitárias menos rigorosas, prejudicando produtores locais.

A aprovação do acordo foi formalizada em reunião de embaixadores em Bruxelas, segundo diplomatas ouvidos por agências internacionais, e ocorreu após semanas de forte pressão política e protestos de agricultores em diferentes países europeus.
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O aval dos Estados-membros veio depois da incorporação de mecanismos de salvaguarda voltados ao setor agrícola, ponto central das críticas ao acordo. O texto ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu para entrar plenamente em vigor.
Protestos no campo anteciparam a decisão
Os produtores afirmam que o acordo pode resultar em uma entrada expressiva de alimentos mais baratos no mercado polonês e europeu, o que, segundo eles, ameaça a competitividade dos agricultores locais. O temor é compartilhado por setores rurais de outros países da União Europeia, que veem o tratado como um risco para cadeias agrícolas consideradas sensíveis.
A decisão foi precedida por manifestações intensas de agricultores, sobretudo na França e na Polônia, que deram visibilidade ao custo político do acordo dentro da UE. Em Paris, sindicatos rurais levaram tratores a pontos simbólicos da cidade, como o Arco do Triunfo e áreas próximas à Torre Eiffel.
Houve confrontos com a polícia, bloqueios de vias estratégicas e hostilização a autoridades, incluindo a presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, que precisou ser retirada por seguranças após vaias e o arremesso de líquidos.
Segundo o ministro dos Transportes da França, Philippe Tabarot, os bloqueios provocaram cerca de 150 quilômetros de congestionamentos em rodovias de acesso à capital.
Salvaguardas e concessões
Diante da escalada dos protestos, a Comissão Europeia apresentou concessões para destravar o apoio necessário à aprovação do acordo. Entre elas, a antecipação de € 45 bilhões em recursos para agricultores no próximo orçamento do bloco e a redução de tarifas de importação sobre determinados fertilizantes.
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A Itália teve papel central na negociação das salvaguardas. O ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida, defendeu critérios mais rígidos para a suspensão automática de importações agrícolas do Mercosul.
O país pressionou para reduzir de 8% para 5% o limite que aciona cláusulas de proteção em caso de aumento excessivo das importações ou queda relevante de preços no mercado europeu. “Queremos que esse limite de 8% seja reduzido para 5%”, afirmou Lollobrigida ao jornal Il Sole 24 Ore.
As salvaguardas foram decisivas para consolidar a maioria entre os 27 Estados-membros, mesmo com votos contrários de França, Polônia, Hungria, Áustria e Irlanda. A Bélgica optou pela abstenção.
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França isolada e desgaste político
A França, principal articuladora da resistência ao acordo, acabou isolada no processo. O jornal Le Monde publicou editorial duro contra a estratégia do governo de Emmanuel Macron, avaliando que Paris apostou em um discurso excessivamente defensivo do setor agrícola e perdeu a oportunidade de influenciar o desenho final do tratado.
Segundo o jornal, a decisão da Itália de apoiar o acordo inviabilizou a formação de uma minoria de bloqueio e expôs a França a um “vexame diplomático”, já que Macron havia prometido publicamente não endossar o texto.
O editorial também alerta para o risco de a condução do tema reforçar, na opinião pública, a percepção de impotência da política francesa em um momento de fragilidade interna.
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A Irlanda se somou formalmente ao bloco opositor. O vice-primeiro-ministro Simon Harris afirmou que o país não apoia o acordo “da forma como foi apresentado”, mesmo após concessões adicionais, citando preocupações persistentes com o impacto sobre o setor agropecuário.
