UE aprova acordo histórico com o Mercosul após 26 anos de negociações

21 dos 27 países da União Europeia votaram a favor do acordo; França, Hungria, Polônia e Irlanda se posicionaram contra

Paulo Barros

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Países da União Europeia aprovaram nesta sexta-feira (9) um acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para que o bloco europeu assine, já na próxima semana, o maior tratado de livre-comércio de sua história.

O apoio foi formalizado em uma reunião de embaixadores da União Europeia em Bruxelas, e aprovado pelo Conselho Europeu. A decisão, que ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu para entrar em vigor, avançou apesar da oposição da França e de um grupo de outros países.

Ao todo, 21 dos 27 países da União Europeia votaram a favor do acordo. França, Hungria, Polônia e Irlanda se posicionaram contra, enquanto a Bélgica optou pela abstenção. Segundo o ministério das relações exteriores da Argentina, o acordo será assinado no dia 17 de janeiro, no Paraguai.

Este será o maior acordo comercial já concluído pela UE, pondo fim a 26 anos de negociações difíceis entre a Comissão Europeia e o grupo formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

O apoio veio depois que os Estados-membros adotaram uma salvaguarda que permite um monitoramento mais rigoroso do mercado da UE para proteger o mercado agrícola europeu.

As medidas preveem mecanismos automáticos de proteção caso haja um aumento significativo de importações vindas do Mercosul. A Itália encampou o pedido de redução do do percentual de importações que serve de gatilho, de 8% para 5%.

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Entenda o acordo

O acordo entre União Europeia e Mercosul prevê a criação da maior área de livre-comércio do mundo, abrangendo cerca de 700 milhões de pessoas. Para Bruxelas, o tratado é visto como um avanço geopolítico em um contexto de aumento da participação da China no comércio e na influência sobre a América Latina.

A negociação também ocorre em um momento de maior incerteza no comércio global, com os Estados Unidos ampliando o uso de tarifas. Do lado europeu, setores como o automotivo, aviação, máquinas e exportações agrícolas, incluindo vinho e queijo, estão entre os potenciais beneficiados pela redução de tarifas.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viajará ao Paraguai na próxima semana para assinar o acordo. Após a assinatura, o texto ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu. Partes do acordo que extrapolam a política comercial também terão de passar pelos parlamentos nacionais dos países da União Europeia.

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos