Pandemia

Menino Xavante, de 8 anos, é a primeira criança vacinada contra a Covid-19 no Brasil

Garoto foi vacinado no Hospital das Clínicas; primeira fase da campanha paulista planeja imunizar 850 mil crianças com comorbidades

Por  Dhiego Maia -

Um garotinho de 8 anos, da etnia Xavante, é a primeira criança vacinada contra a Covid-19 no Brasil. Davi recebeu a primeira dose da Pfizer no Hospital das Clínicas, no final da manhã desta sexta-feira (14), na capital paulista.

São Paulo iniciou a campanha de imunização para crianças de 5 a 11 anos após ter sido abastecido com 234 mil doses da Pfizer, na madrugada desta quinta (13).

A primeira fase da campanha pretende alcançar 850 mil crianças nesta faixa etária com comorbidades ou alguma deficiência, além das que são indígenas e quilombolas.

Ao todo, 4,3 milhões de crianças de 5 a 11 anos residem no estado de São Paulo. As que não têm comorbidades, segundo o calendário da secretaria de Saúde do estado, receberão a primeira dose da vacina a partir de 11 de fevereiro.

Davi tomou a primeira dose da vacina Pfizer, a única autorizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para este público, ao lado do governador João Doria (PSDB) e sua cúpula.

O menino indígena nasceu em Canarana, cidade do interior de Mato Grosso, mas vive em Piracicaba (SP), onde faz tratamento há um ano para uma doença motora rara.

O pai do garoto, o cacique Jurandir Siridwe desejou, por meio de uma transmissão ao vivo direto de Mato Grosso, que “o resto do Brasil possa fazer essa campanha para salvar a criançada do coronavírus”.

Além de Davi, outras crianças com comorbidades na faixa etária de 5 a 11 anos também receberam a primeira dose do imunizante da Pfizer na unidade hospitalar.

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Doria aproveitou a oportunidade para criticar a demora do governo Bolsonaro (PL) na inclusão dos pequenos no programa de imunização contra a Covid-19 no país. “Se tivéssemos iniciado a vacinação assim que a Anvisa autorizou [no dia 16 de dezembro], todas elas já estariam com ao menos uma dose no braço. Postergar a vacinação por motivo ideológico é desumano”, afirmou.

O governador também disse que o Instituto Butantan, órgão vinculado ao governo do estado, tem ao menos 15 milhões de doses da vacina Coronavac reservadas para o público infantil. O imunizante, produzido pelo laboratório chinês Sinovac, aguarda aval da Anvisa para ser aplicado nas crianças.

No estado de São Paulo, 2.500 crianças foram hospitalizadas por Covid-19. Destas, 83 morreram.

Polêmicas

Antes de autorizar, na semana passada, a imunização das crianças contra a Covid-19, o Ministério da Saúde chefiado por Marcelo Queiroga abriu uma consulta pública sobre a vacinação deste público  — o que é incomum, pois cabe legalmente à Anvisa atestar a segurança e a eficácia de vacinas.

A pasta também recuou da decisão de exigir prescrição médica para a vacinação dos pequenos e passou a apenas recomendar que os pais ou os responsáveis autorizem o procedimento.

O ministério estendeu o intervalo de aplicação da vacina da Pfizer para esta faixa etária, de três para oito semanas.

Segundo Rosana de Melo, secretária de enfrentamento da Covid do ministério, entre as justificativas para a ampliação do intervalo entre doses está a maior resposta imunológica. “O risco de miocardite é menor se a vacina for tomada nesse intervalo”, disse.

Esse período, de oito semanas, de acordo com o Ministério da Saúde, também foi seguido pelas autoridades de Austrália, Canadá, Espanha, Reino Unido e Portugal.

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As doses serão distribuídas de forma proporcional aos estados e ao Distrito Federal, de acordo com a população-alvo. Até o início da próxima semana, as entregas do primeiro lote de 1,2 milhão de doses devem estar concluídas.

Cada estado vai divulgar a data de início da vacinação. Cabe às secretarias estaduais de Saúde a distribuição das doses para os municípios. Como cada região tem realidade logística diferente, a definição do cronograma fica por conta dos gestores estaduais e municipais.

Recomendações

A Anvisa divulgou, no início do mês, uma série de recomendações sobre a vacinação infantil. A agência sugere que a imunização ocorra em sala separada da de adultos e que a vacina não seja administrada no mesmo período de outras do calendário. Por precaução, é recomendado intervalo de 15 dias.

A Anvisa também recomenda que seja evitada a vacinação de crianças no esquema drive-thru (dentro do carro); que elas fiquem em observação no local por 20 minutos após receber a dose; e que os profissionais de saúde informem os pais sobre possíveis efeitos adversos do imunizante, como dor, inchaço no local da aplicação e febre.

O governo brasileiro encomendou 20 milhões de doses de vacina, todas da farmacêutica Pfizer. A dose para crianças será diferente da aplicada em pessoas a partir de 12 anos. Os frascos terão cores distintas para evitar erros na aplicação. A embalagem do imunizante para crianças tem a cor laranja e para adultos, roxa.

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