Gestão da pandemia

Ministério da Saúde desiste de prescrição médica para vacinar crianças contra a Covid-19 no país

Imunização entre os pequenos terá intervalo de oito semanas e deverá começar no dia 14, ao menos em SP, com a chegada da 1ª remessa de doses da Pfizer

Por  Dhiego Maia -

O Ministério da Saúde recuou da decisão de exigir prescrição médica para a vacinação de crianças entre 5 e 11 anos contra a Covid-19 no país. A pasta, chefiada pelo ministro Marcelo Queiroga, vai apenas recomendar que pais ou os responsáveis autorizem a imunização dos pequenos.

A nova orientação em relação à proteção das crianças contra o coronavírus foi antecipada pelo jornal O Globo. O anúncio oficial ocorreu em coletiva à imprensa, após reunião da cúpula do Ministério da Saúde, no final da tarde desta quarta-feira (5).

O ministério também resolveu estender o intervalo de aplicação da vacina da Pfizer, a única aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para esta faixa etária, de três para oito semanas. O órgão negou que a medida tenha sido tomada por falta de doses.

Segundo Rosana de Melo, secretária de enfrentamento da Covid do ministério, entre as justificativas para a ampliação do intervalo entre doses está a maior resposta imunológica. “O risco de miocardite é menor se a vacina for tomada nesse intervalo”, disse.

Esse período, de oito semanas, de acordo com o Ministério da Saúde, também foi seguido pelas autoridades de Austrália, Canadá, Espanha, Reino Unido e Portugal.

O ministério calcula, a partir de dados do censo do IBGE, que serão necessárias 40 milhões de doses da Pfizer (inclui as duas doses) para imunizar esta população, uma vez que o número de brasileiros entre 5 e 11 anos gira em torno de 20 milhões.

A pasta informou aos jornalistas que 3,74 milhões de doses já serão entregues aos estados neste mês. Deverão ser inoculados, primeiro, as crianças com alguma comorbidade e deficiência permanente; além de indígenas, quilombolas e as que vivem com adultos em situação de risco para o coronavírus.

O primeiro voo, com pouco mais de 1 milhão de doses da Pfizer para imunizar esta parcela da população, está previsto para chegar ao aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), no dia 13 deste mês. São Paulo, portanto, poderá iniciar sua campanha de vacinação já no dia 14, afirmou a cúpula do Ministério da Saúde.

Mais cedo, o governador João Doria (PSDB) anunciou a campanha paulista de vacinação das crianças contra a Covid-19. A meta é vacinar ao menos 4,3 milhões de pessoas nesta faixa etária.

A aquisição das 40 milhões de doses da Pfizer, segundo o ministério, deve custar cerca de R$ 2,6 bilhões.

Polêmicas

As medidas restritivas de imunização das crianças nunca encontraram consenso entre as sociedades médicas e especialistas.

Questionado pelos jornalistas sobre a mudança de posicionamento em relação à inclusão dos pequenos na imunização contra a Covid, Queiroga disse que “não houve recuo”. “Isso faz parte do processo, porque ouvimos a sociedade e os especialistas”, afirmou.

O ministro havia dito, anteriormente, que a mortalidade entre os pequenos pelo coronavírus não justificaria uma pressa para iniciar a campanha de imunização na referida faixa etária.

Na coletiva desta quarta, Queiroga foi questionado sobre o que falaria aos pais com dúvida sobre a vacinação de seus filhos.

O ministro respondeu: “eu orientaria ao pai que procurasse um médico de sua confiança para prestar as informações”. O titular da pasta da Saúde foi novamente questionado sobre como fica a situação das famílias que não têm acesso a médicos e se a postura dele como a maior autoridade da área desestimula a vacinação.

“O Brasil tem 53 mil equipes de saúde da família. Eu diria para esse pai: não vai faltar vacina”, disse.

A pasta abriu uma consulta pública sobre a vacinação de crianças contra a Covid — o que é incomum, pois cabe legalmente à Anvisa atestar a segurança e a eficácia de vacinas.

A maioria dos participantes se mostrou contrária à obrigatoriedade da receita médica, segundo o ministério, apesar de nenhum número oficial ter sido divulgado pelo órgão.

A principal crítica, entre os respondentes, é que a medida, caso fosse colocada em prática, dificultaria os mais pobres devido à dificuldade de acesso a médicos.

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