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SÃO PAULO – A baixa renda cada vez mais vem ganhando espaço no setor imobiliário. Mesmo antes do programa habitacional do governo Minha Casa, Minha Vida, esse segmento da população já conseguia comprar a casa própria. Com o incentivo, tudo ficou ainda mais fácil.
As considerações são do publicitário e sócio-diretor da Agência Data Popular, Renato Meirelles. Para ele, o programa “é um avanço”. Apesar disso, ele atenta a certos temores, inerentes à baixa renda, que, se sanados, poderiam facilitar ainda mais o acesso à casa própria: o velho medo de ficar inadimplente.
De acordo com o especialista no mercado de baixa renda, vencer esse medo poderia estimular ainda mais o mercado imobiliário. “Não conseguir pagar o imóvel e não ter o financiamento aprovado são os principais medos da baixa renda que devem ser combatidos”, afirma Meirelles.
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Inadimplência
“A classe A duvida das construtoras, enquanto a baixa renda tem medo de que duvidem dela”, assim Meirelles define o principal entrave, além dos econômicos, para a baixa renda comprar a casa própria. Segundo ele, cerca de 65% desse segmento da população tem medo de ficar inadimplente ao adquirir imóvel, ao passo que esse percentual cai para 25% nas classes mais altas.
O publicitário analisa que, enquanto a baixa renda teme, basicamente, ficar endividada, as classes mais abonadas pensam duas vezes em comprar a casa própria, por medo de não receber o bem.
Laços afetivos também contam
Outro entrave para a compra do imóvel é mais afetivo. “Para a classe C, mudar de bairro, por exemplo, é perder uma série de laços afetivos e emocionais”. Meirelles explica que os laços afetivos referem-se ao próprio local onde a pessoa mora. “Muitos têm ligação forte com o bairro onde nasceram”.
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Já os laços emocionais são aqueles que a convivência com as pessoas em determinado local trouxe a esse consumidor específico. “Quando ele compra uma casa em outro bairro, ele perde aquela vizinha que cuidava dos filhos, a vantagem de poder pendurar a conta na mercearia do bairro”.
Segundo o publicitário, esses laços são levados em consideração pela baixa renda, quando pensa em adquirir a casa própria, e têm peso decisivo.
Mudanças com o Minha Casa
Meirelles acredita que, se antes já era possível à baixa renda comprar um imóvel, com o programa do governo, ficou mais fácil. Segundo o publicitário, parte dos consumidores que se encontra na faixa entre zero e três salários mínimos será atendida pelo programa. “Já aqueles que estão na faixa de três a dez já conseguem os financiamentos pelos meios tradicionais”, afirma.
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Para o publicitário, a principal mudança com o programa é que, agora, parte do valor do imóvel será subsidiado pelo governo. “Isso facilita a aquisição”. Além desse, Meirelles cita outros fatores que contribuem para o aumento do número de mutuários das classes C, D e E. “Nos últimos anos, houve um aumento de renda”.
Com isso, segundo dados da última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), entre 2002 e 2007, houve um aumento de cerca de 42% do volume de novas casas no país e a baixa renda poderá elevar ainda mais estes números, já que a demanda por moradias nesse segmento da população é grande. “Por ano, se formam aproximadamente 1 milhão de famílias das classes C, D e E”, afirma Meirelles.
Mercado imobiliário
Com uma grande demanda em jogo, as construtoras têm um filão a ser explorado. “Elas [as construtoras] estão fazendo um bom trabalho, mas ainda têm muitas dificuldades de comunicação com a baixa renda”. Meirelles explica que as empresas trabalham muito o slogan “Fuja do aluguel“.
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No entanto, segundo ele, apenas 16% dos brasileiros vivem nessa situação. “Quem está fugindo do aluguel é minoria”, analisa. “O maior concorrente dessas construtoras é a autoconstrução”. O publicitário explica que a baixa renda constrói no terreno do parente, faz o “puxadinho” ou mora na casa de amigos e parentes. Essa parcela é significativa e deve ser considerada pelas empresas.
Meirelles atenta ainda que não são apenas empresas de construção que devem ficar atentas à baixa renda. Além delas, outros segmentos, como o de seguros, por exemplo, podem crescer ainda mais, com a inserção dos consumidores de baixa renda em suas carteiras de clientes. “Seguros que protegem o pagamento das parcelas do financiamento do imóvel são um bom negócio e a baixa renda pagaria por eles”.
Círculo virtuoso
Embora o programa Minha Casa, Minha Vida tenha sido implantado com o intuito de sanar o déficit habitacional, Meirelles lembra que a principal contribuição do programa é a geração de empregos. “A Construção Civil é a área que mais emprega no país. Investir nela é gerar um círculo virtuoso de crescimento da economia”, explica.
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Ele analisa que, com as obras, as economias locais devem sair fortalecidas, pois o trabalhador passará a gerar renda e seu consumo ficará concentrado na região onde mora, gerando ainda mais renda a trabalhadores de outros setores, como os de comércio, que gerará mais empregos e assim sucessivamente. Este círculo movimentará mais recursos e fortalecerá ainda mais a economia local.
“Mais importante que sanar o déficit habitacional é gerar empregos para as classes C, D e E”, completa Meirelles.