Seu bolso

Do IPVA ao IPTU: brasileiros têm pilha de contas no início do ano; organize-se e veja o que é preciso pagar

InfoMoney reúne o que já se sabe sobre os maiores gastos que vão pesar sobre o orçamento das famílias em janeiro, fevereiro e março

Por  Mariana Zonta d'Ávila -

Passadas as festividades de fim de ano, o brasileiro já começa a se preocupar com os altos gastos programados para os meses de janeiro, fevereiro e março: o trimestre em que o bolso míngua.

Além de IPTU, IPVA e material escolar, os tradicionais pesos financeiros nos primeiros meses do ano, 2022 é marcado ainda pela forte inflação e conta de luz elevada.

Com isso, é importante que as famílias estejam financeiramente preparadas para arcar com esses gastos — pontuais, em alguns casos. Essas são as principais contas do início do ano:

  • IPTU;
  • IPVA;
  • Material escolar;
  • Conta de luz;
  • Tarifa de ônibus;
  • Planos de saúde.

Para ajudar a se planejar, o InfoMoney reuniu as principais informações sobre os maiores gastos que devem pesar o orçamento das famílias começo do ano. Confira:

IPTU

O Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) é de âmbito municipal. As 5.570 cidades brasileiras têm o seu IPTU, cujo valor é calculado a partir do valor venal dos imóveis.

Na cidade de São Paulo, o imposto começa a vigorar no próximo dia 1° de fevereiro. Para todos os imóveis, o vencimento da primeira parcela ou o prazo para o pagamento à vista ocorre ao longo do próximo mês.

Quem optar pelo pagamento à vista terá um desconto de 3% no tributo, mas é possível pagar também em dez parcelas. Caso o proprietário deixe de quitar alguma parcela mensal terá de arcar com juros.

Segundo edital do IPTU, todos os proprietários de imóveis localizados no município serão notificados dos lançamentos do IPTU relativos ao exercício de 2022 por meio da entrega das notificações pelos Correios.

Se o contribuinte não receber a notificação até sua data limite, seja para pagamentos à vista ou mesmo em parcelas, é preciso emitir a segunda via do boleto pela internet, disponível a partir do dia 15 de janeiro no site da prefeitura.

Carros estacionados em pátio (Reuters/Roosevelt Cassio)

IPVA

Pesadelo dos donos de automóveis, o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) está sob o guarda-chuva dos estados e é gerido pelas secretarias de Fazenda. Neste ano, o imposto deve ficar ainda mais caro.

Isso porque no último ano, a pandemia de Covid-19 afetou as linhas de montagem, levando a uma redução na capacidade de produção dada à falta de peças, sobretudo, os semicondutores. A queda do nível de produção elevou o preço dos carros novos e fez com que os usados também apresentassem forte valorização.

E, como o valor do IPVA é baseado no preço do valor venal do veículo, que subiu muito, o imposto — que incide anualmente sobre todo tipo de veículo, como carros de passeio, motos, ônibus e caminhões — deve ficar mais salgado.

O calendário de pagamento do imposto em São Paulo começou nesta segunda (10); o do Rio de Janeiro tem prazo até o dia 21 deste mês; e os pagamentos do IPVA em Minas Gerais se iniciam apenas em março.

Em São Paulo, o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) também anunciou um novo cronograma do licenciamento anual obrigatório de veículos para 2022, com início a partir de julho, até dezembro.

Segundo o Detran, a mudança acontece por conta do aumento no número de parcelas no IPVA, de 2022, que estendeu o prazo de pagamento, de três para cinco parcelas, começando em fevereiro.

Material escolar

A dor de cabeça de início de ano tende ser maior ainda para os pais, com as longas listas de material escolar para o ano letivo, com itens cujos preços vão acompanhar a inflação e a alta do dólar.

Em 2021, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 10,06% – a maior taxa acumulada no ano desde 2015. Já o dólar teve valorização de 7,26%.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE), o aumento nos preços desses itens pode chegar a 30%. A alta deve-se ao aumento dos custos de matéria-prima e pouca oferta de determinados produtos em meio à pandemia de Covid-19.

Segundo Sidnei Bergamaschi, presidente executivo da ABFIAE, nenhum produto deverá escapar da alta de preços.

“Provavelmente todas as categorias de produtos sofrerão aumentos de preços”. E mesmo os produtos nacionais não terão tanta procura, por falta de opções. “Pode ocorrer alguma migração de volume de produtos importados para nacionais, mas em pequena escala. Para a maioria dos produtos atualmente importados, as opções de fornecimento nacional são pequenas”.

Lápis de colorir integra lista de material escolar

Pesquisa do Procon-SP feita entre os dias 7 e 10 de dezembro de 2021 mostrou que os preços de material escolar, como apontador, borracha, caderno e caneta esferográfica podem variar até 381% entre lojas.

Para economizar na compra, a recomendação do Procon é que o consumidor procure reaproveitar materiais que tem em casa ou que faça uma pesquisa de preços antes da compra. Além disso, o órgão de defesa do consumidor recomenda que seja promovida uma troca de livros didáticos entre os alunos.

Segundo o Procon, o consumidor também deve estar atento: a lista de material escolar não pode incluir a compra de material de uso coletivo, como de higiene ou de limpeza, por exemplo.

Conta de luz

E se não bastasse os tradicionais gastos de janeiro, a conta de energia elétrica deverá continuar pesando sobre o orçamento dos brasileiros. Mas o socorro financeiro bilionário ao setor elétrico, estruturado pelo governo, deve evitar um “tarifaço” no ano em que o presidente Jair Bolsonaro (PL) pretende disputar a reeleição.

O reajuste médio nas tarifas, inicialmente estimado em 21%, pode cair para 9,14%, a depender do valor da operação financeira. A projeção considera um financiamento da ordem de R$ 15 bilhões, como vem sendo aventado nos últimos meses.

Apesar de evitar uma explosão nas contas de luz em 2022, a fatura chegará no futuro, já que o empréstimo será diluído nas tarifas ao longo dos próximos anos e terá incidência de juros elevados.

Desde agosto do ano passado, por conta da crise hídrica, os brasileiros já arcam com uma conta de luz mais cara. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tem adotado uma bandeira de escassez hídrica, com uma cobrança extra de R$ 14,20.

O valor é aplicado a cada 100 quilowatts-hora consumidos (kWh), e valerá, a princípio, até abril deste ano. A cobrança anterior, da bandeira vermelha patamar 2, era de R$ 9,49.

E, apesar de uma melhora dos níveis dos reservatórios, esta não deve ser perceptível aos consumidores nos próximos meses, pois não resultará em um alívio imediato nas contas de luz.

Em 2021, o país vivenciou a pior escassez dos últimos 91 anos nos reservatórios. A situação mais grave foi no subsistema das regiões Sudeste e Centro-Oeste, considerado a “caixa d’água” do setor elétrico.

Em janeiro passado, o nível dos reservatórios era de 23,36% da capacidade total, e chegou a cair para 16,75% em setembro. Agora, pelos dados mais recentes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a projeção é de que cheguem ao fim de janeiro com 40% de capacidade.

 

Ilustração

Tarifa de ônibus

E não para por aí. Se a pessoa não paga IPVA, por não ter carro, mas usa o transporte público para se locomover pela cidade, também deverá ver aumento nos gastos.

Os reajustes das passagens já foram realizados em ao menos 40 cidades, mas dezenas ainda estudam os novos valores a serem aplicados.

Em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, a tarifa do transporte coletivo subiu no dia 1º de janeiro de R$ 4,80 para R$ 5.

Em Guarulhos (SP), a tarifa de ônibus para quem paga em dinheiro passará de R$ 4,70 para R$ 5. Para quem utiliza o Bilhete Único, a passagem passará para R$ 4,90.

Na capital paulista, no entanto, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) deu entrevistas recentes informando que vai segurar o preço dos ônibus, por enquanto.

De acordo com a Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU), o aumento do preço do óleo diesel em 8%, anunciado nesta última terça-feira (11) pela Petrobras (PETR4;PETR3) e válido desde quarta (12), pode encarecer o valor médio das passagens de ônibus no país em 2,2%.

A entidade ressalta que as revisões tarifárias dos ônibus vão acontecer ainda no primeiro trimestre deste ano.

Segundo a associação, o combustível representa 26,6% do custo das empresas operadoras do transporte público, sendo o segundo item com maior peso no valor da tarifa, depois da mão de obra.

Planos de Saúde

Fiquem de olho: os planos de saúde individuais também devem sofrer reajuste em 2022. A conta só deve chegar entre maio de 2022 e abril de 2023, no aniversário da contratação de cada plano.

O BTG Pactual (BPAC11), em relatório recente, projetou uma alta de até 15% nessa modalidade. Caso a estimativa se concretize, será a maior elevação dos planos individuais.

Quem utiliza o serviço precisa ficar atento às posições que serão tomadas pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), órgão que regula o setor e cria o índice oficial que ajusta esse serviço no país.

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