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Cresce interesse do brasileiro em contratar seguros: mas o que impede a aquisição?

Vontade nem sempre se concretiza em ação: apenas 18% têm seguro de vida ante interesse de 24%, aponta pesquisa Datafolha

Jamille Niero

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Cresceu a intenção do brasileiro em contratar seguros pessoais e previdência privada no próximo ano, que subiu de 53% para 57% de 2021 para 2023, de acordo com pesquisa realizada pelo Datafolha, a pedido da FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida). Foram entrevistados, ao todo, 2 mil pessoas em julho deste ano.

O maior interesse é o de contratar plano ou seguro de saúde. Em comparação com o estudo anterior, de 2021, seguro por invalidez e seguro prestamista apresentam aumento mais significativo na intenção de contratação, subindo de 26% para 33% e de 17% para 26%, respectivamente.

Já o índice de quem tem algum seguro ou plano de previdência é de 46%, sendo que os planos ou seguro de saúde e seguro funeral são os produtos com maior penetração (26% cada), seguido pelo seguro de vida (18%).

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A vontade de adquirir algum seguro nem sempre se concretiza em ação. No seguro de vida, por exemplo, em 2021, na primeira edição da pesquisa, 24% afirmaram pensar em comprar no ano seguinte – índice menor de quem realmente possui o seguro atualmente.

Considerando a previdência privada, somente 9% têm algum plano, enquanto 25% disseram ter a intenção de comprar há dois anos. Similar ao seguro prestamista, que está presente na vida de 7% dos consumidores enquanto, há dois anos, a intenção de compra era de 17%.

Como transformar a intenção em compra?

Um dos questionamentos nesse sentido foi se o entrevistado possuía seguro para veículo, com resposta positiva de 12%. A pergunta feita na sequência para esses foi se eles tinham também “algum tipo de proteção, igual você tem para seu veículo, por exemplo, Seguro de Vida, Seguro de incapacidade temporária ou outro?” e para 54% a resposta foi não. Após questionados se o “carro vale mais do que sua vida e sua integridade”, 71% admitiram que deveriam repensar a proteção da vida para si mesmos e a família.

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A pesquisa questionou ainda aos entrevistados, que revelaram possuir algum desses seguros, o que motivou a contratação dos produtos. No caso do seguro funeral, o que mais influenciou na decisão de compra foi já ter passado pelo falecimento de alguém próximo (34%), além da experiência com a Covid-19 (19%). A maioria (81%) tem seguro funeral familiar.

Já as principais motivações para ter contratado seguro de vida são o fato de a empresa em que trabalha oferecer (21%), ter passado por mudança na estrutura familiar (19%) e também a experiência com a pandemia (19%). Metade das contratações são de seguro de vida vitalício.

Planejamento financeiro

Para Carlos Gondim, diretor executivo de Vida e Previdência da Porto, o mercado tem que demonstrar ao consumidor que o seguro de vida, por exemplo, é uma das ferramentas que podem ser utilizadas para executar um planejamento financeiro de forma acessível. “Se eu preciso juntar dinheiro para ter recursos caso algo aconteça com minha família, vou dizer que é muito e levará tempo. Mas se fizer seguro de vida agora, pagarei menos e terei proteção desde já”, exemplifica o executivo.

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Ele avalia que de fato o brasileiro tem problemas para fazer o dinheiro sobrar no fim do mês, mas, em sua opinião, o setor tem trazido soluções com preço mais acessível e mais flexível, que não obriga o segurado “a carregar um caminhão de cobertura”.

Por exemplo: se é um indivíduo solteiro, não há a necessidade de adquirir uma cobertura de morte uma vez que não tem dependentes que precisem do dinheiro para se reestruturar na sua falta. Nesse caso, é mais vantajoso contratar uma cobertura de invalidez e doenças graves que gere uma indenização para que o próprio individuo possa recompor sua vida financeira ao passar por situações do tipo. “Posso contratar pedaços do que é mais importante para mim”, acrescenta.

De acordo com Claudio Sanches, diretor presidente do Itaú Vida e Previdência, é preciso que o setor trabalhe a educação financeira da população para conseguir ampliar a proporção de brasileiros que saiam apenas da intenção de compra e consigam adquirir o seguro. Mas não dá pra apostar somente nisso.

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“Primeiro porque acho que as pessoas não querem se educar. Quando fazemos pesquisa com clientes para entender [porque não comprar], não acham que o problema é porque o mercado fala de maneira muito complexa. Simplesmente não querem saber e parar para entender o que é previdência e risco. Segundo porque estamos falando de uma mudança muito dura”, sinaliza.

Como exemplo, ele relembra da mudança que houve em relação ao cinto de segurança, que as pessoas não passaram a usar mais apenas porque estavam preocupadas com a segurança, mas sim porque as multas eram muito altas para quem não utilizava. Ou seja, ele acredita que é preciso focar em criar gatilhos que façam ofertas melhores para as pessoas contratarem os produtos – até utilizando a Inteligência Artificial, que está “finalmente decolando”.

Jamille Niero

Jornalista especializada no mercado de seguros, previdência complementar, capitalização e saúde suplementar, com passagem por mídia segmentada e comunicação corporativa.