Pressão por reajuste

Campos Neto não se reúne com servidores do BC, que decidem continuar em greve

Paralisação por reajuste salarial já afeta diversas atividades do Banco Central, causando ‘apagão de dados’ em momento crucial para a política monetária

Por  Equipe InfoMoney -

Servidores do Banco Central, que estão em greve desde o dia 1º, decidiram em assembleia nesta terça-feira (12) manter a paralisação por tempo indeterminado. A continuidade foi aprovada por 80% dos votos, segundo o presidente do Sindicato Nacional de Funcionários do Banco Central (Sinal), Fábio Faiad.

A decisão foi tomada após a reunião com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, que estava prevista para ocorrer na segunda-feira (11) e chegou a ser cogitada na manhã de hoje, não acontecer.

De última hora, o BC passou a prever na agenda da diretora de Administração, Carolina de Assis Barros, uma reunião das 11h às 12h desta terça com os sindicatos que representam os servidores do órgão, mas Faiad disse que a reunião não avançou em nada e serviu apenas para a diretora informar que não haveria mais a conversa com Campos Neto até que tivesse uma sinalização mais concreta de proposta para as demandas da categoria.

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Os servidores do BC pedem reajuste salarial de 26,3% (referentes à inflação de 2019 a 2022) e reestruturação de carreira, como a mudança do nome do cargo de analista e a exigência de ensino superior para a carreira de técnico (medidas que, segundo o sindicato, não têm impacto orçamentário).

“Não haverá reunião com o presidente Roberto. Ele só vai se reunir com a gente quando tiver notícias da proposta”, disse o presidente do Sinal ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Questionado se houve indicação de que Campos Neto continua buscando uma proposta de reajuste para os servidores e se o assunto poderia fazer parte da pauta do almoço que o presidente do BC teve com o ministro da Economia, Paulo Guedes, Faiad disse apenas que não houve indicação e que não sabia se o tema seria abordado.

Apagão de dados

A greve dos servidores do BC já atrasa a divulgação de diversos indicadores e relatórios da autarquia, como o Relatório Focus, que é uma importante bússola do mercado sobre os rumos da economia brasileira.

O “apagão de dados” ocorre também em um momento crucial para a política monetária. Nesta segunda, Campos Neto indicou que o BC vai analisar se houve mudanças na tendência após a surpresa com o IPCA de março, que subiu 1,62%.

O movimento deve ainda afetar a publicação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de fevereiro, cuja divulgação estava marcada para esta quinta-feira (14), véspera da Sexta-Feira Santa.

Além do Relatório Focus, os dados do fluxo cambial não têm atualização há duas semanas, e o BC também não divulgou as notas de setor externo, crédito e fiscal de fevereiro e o Relatório da Poupança de março.

(Com informações da Agência Estado)

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