Destaques do mês

Ação da Via Varejo dispara 74% e Embraer cai 9%: as maiores altas e as maiores quedas do Ibovespa em abril

Varejistas foram o destaque do mês em um período de alta da bolsa, enquanto a fabricante de aviões teve queda após acordo rompido com a Boeing

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou o mês de abril com ganhos de 10,26%, com os investidores repercutindo positivamente as expectativas de reabertura de grandes economias após duras medidas de isolamento social por conta da pandemia de coronavírus e com esperanças de avanço no tratamento da Covid-19. Porém, o índice ainda está longe de reverter as perdas registradas durante o ano, especialmente em março, no auge da aversão ao risco por conta da doença.

Não por acaso, algumas das maiores altas de abril foram justamente de ações que sofreram em março, caso da Via Varejo (VVAR3, R$ 9,18, +73,86%), que saltou mais de 70% no mês, mas ainda registra queda de 17,82% no ano.
A empresa, que passa por um processo de turnaround, acabou sofrendo mais do que seus pares em meio ao cenário de incerteza com a pandemia do coronavírus. Porém, em meio às declarações de que a companhia está conseguindo passar pela turbulência de forma relativamente positiva fez com que os investidores voltassem a olhar para os papéis.

A dona das Casas Bahia e Ponto Frio informou na última segunda-feira (27) que as vendas das 200 lojas abertas após o início da flexibilização do isolamento social se aproximaram do mesmo patamar registrado antes do fechamento dos pontos. Vale ressaltar que, no começo da quarentena, o grupo perdeu 70% das vendas após interromper a operação das lojas, passando a operar apenas no varejo eletrônico pelo site e aplicativos.

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Porém, conforme destacou Roberto Fulcherberguer, CEO da companhia, no acumulado das últimas seis semanas a perda diminuiu para 48%. Assim, a companhia tem conseguido vender cerca de metade de sua venda anterior – e mantendo margens, sem ofertas tão agressivas em preços.

A varejista ainda adquiriu a empresa de logística ASAPLog, que conecta lojas e entregadores. De acordo com Fulcherberguer, a aquisição da Asap Log reduziu em 15 meses o plano de desenvolvimento do braço digital.

Conforme destacou o Bradesco BBI em relatório recente, o cenário da pandemia com o novo coronavírus tem reforçado as perspectivas de crescimento a longo prazo do comércio eletrônico. Desta forma, em segundo lugar entre as maiores altas do índice no mês, estiveram os papéis da B2W (BTOW3, R$ 73,25, +52,60%). Lojas Americanas (LAME4, R$ 24,88, +38,22%), controladoraa da B2W, também teve um forte desempenho no mês.

“Tendo sofrido inicialmente como o mercado precificou riscos e preocupações mais altos em relação a um enfraquecimento geral da demanda – online e offline – nas últimas semanas, o canal de comércio eletrônico mostrou-se resiliente à maioria das empresas que pensamos ser mais fortes”, destacaram os analistas do banco que, inclusive, elevaram a recomendação para as ações da Via Varejo para compra.

Na sequência, estiveram em alta os papéis da Marfrig (MRFG3, R$ 12,84, +45,08%), em um mês que foi em geral de alta para as ações do setor de proteínas. Durante live promovida pelo InfoMoney em meados de abril, Miguel Gularte, CEO da companhia, destacou ainda que a receita não havia sido impactada pelo coronavírus, uma vez que houve repactuação de carregamentos da China e elevação de exportação para outros países.

De acordo com o CEO, os carregamentos de janeiro e fevereiro para a China não foram cancelados devido ao coronavírus, mas repactuados para março e abril, com pequena variação no valor.

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Em novas declarações, Gularte ainda apontou que a China deve ser o principal destino das exportações no próximo trimestre. O executivo também apontou esperar mudanças nos hábitos de consumo brasileiros após a pandemia. Cortes de carne para cozinhar em casa devem ser priorizados, enquanto cortes, usados para churrasco, devem cair, e que a Marfrig está diversificando sua oferta para atender à nova demanda.

Complementando as maiores altas, estão as ações de empresas do setor de educação, Yduqs (YDUQ3, R$ 30,35, +42,10%) e Cogna (COGN3, R$ 5,54,+38,50%), que registram forte baixa no acumulado do ano, acentuada em meio ao cenário de incertezas por conta da pandemia. Em relatório do início de abril, o Morgan Stanley colocou a Cogna como a top pick do setor, seguida por Yduqs e Afya (listada no exterior) entre os papéis do setor de educação da América Latina.

Os analistas do banco destacaram que, embora a Cogna tenha o ‘momentum’ de lucro mais fraco, também foi a ação que mais sofreu antes e depois do início do Covid-19. Eles apontaram que a indústria entrou em “águas desconhecidas”, uma vez que o surto de coronavírus afetou o volume de captação e os preços no setor. Ainda assim, avaliaram, algumas empresas devem apresentar performance acima da média e ter acesso a oportunidades atraentes de fusões e aquisições.

Uma outra companhia do setor de consumo que registrou forte alta no mês foi a Natura (NTCO3, R$ 35,52, +38%), quase a ponto de apagar as perdas registradas no ano. A companhia divulgará seus resultados referentes ao primeiro trimestre de 2020 na próxima semana, mais precisamente no dia 7 de maio.

“Os resultados da empresa provavelmente serão mistos. Do lado positivo, esperamos que a Aesop continue apresentando um sólido crescimento de receita líquida e margem Ebitda estável, mesmo considerando o impacto significativo do coronavírus na Ásia e na Europa. Além disso, esperamos que a Natura & Co ofereça um crescimento da receita, dada a concentração dos impactos do coronavírus no final do trimestre. Por outro lado, Avon internacional e The Body Shop devem registrar um declínio nas receitas (parcialmente mitigado pela depreciação do real), o que deve levar à deterioração da rentabilidade de ambos os negócios”, aponta análise do Itaú BBA.

Confira as maiores altas do Ibovespa no mês de abril:

Empresa Ticker Cotação Variação no mês
Via VarejoVVAR3R$ 9,18+73,86%
B2WBTOW3R$ 73,25+52,60%
Marfrig[ativo=MRFG33]R$ 12,84+45,08%
YduqsYDUQ3R$ 30,35+42,10%
CognaCOGN3R$ 5,54+38,50%

 

Maiores baixas

No mês positivo para o Ibovespa, houve poucas quedas realmente expressivas, com destaque para a Embraer (EMBR3, R$ 8,65, -9,33%), que sofreu diversas revisões de recomendação e corte de ratings após a Boeing desistir da joint venture com a brasileira. Em meio à pandemia de coronavírus e aos problemas já enfrentados pela americana com o 737 Max, já havia expectativa de que o fim da parceria acontecesse, mas a confirmação só veio no dia 25 de abril.

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“Sem essa transação de fusão e aquisição de US$ 4,2 bilhões que estava preparando o terreno para o ERJ, a Embraer agora tem um cenário desafiador com o COVID-19 e a concorrência da Airbus”, destacou o Bradesco BBI, que cortou a recomendação para as ações para venda. Um caminho apontado para a companhia seria a empresa chinesa Comac. Porém, sem uma oferta no radar, a expectativa dos analistas é de que as ações tenham um desempenho inferior ao Ibovespa. Veja mais clicando aqui. 

Na sequência, estão os papéis da Cielo (CIEL3, R$ 4,06, -8,56%), que mostraram o impacto da pandemia do coronavírus já no primeiro trimestre de 2020, com os números apresentados no dia 28. Nos primeiros três meses do ano, a empresa teve um lucro líquido de R$ 166,8 milhões no primeiro trimestre de 2020, queda de 69,4% na comparação com igual período do ano anterior, quando lucrou R$ 544,77 milhões.

“A queda reflete tanto o aumento na competição, quanto os efeitos já esperados de queda dos volumes neste primeiro trimestre devido à pandemia do coronavírus”, destaca Marcel Campos, analista da XP Investimentos. O Itaú BBA também aponta, por consequência, a performance ruim na antecipação de recebíveis. Contudo, o Credit Suisse, de olho nas fortes quedas dos papéis, elevou a recomendação dos papéis para neutra.

Também entre as maiores quedas constam papéis de empresas que tiveram uma certa resiliência em março, quando o cenário foi de forte queda para grande parte das ações do Ibovespa. Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 45,65, -7,53%) registrou queda, ainda que não tão expressiva, assim como o Carrefour Brasil (CRFB3, R$ 20,00, -3,05%). No caso da rede varejista, que teve um desempenho relativo positivo em março uma vez que suas lojas estiveram abertas e por se tratar de consumo essencial, foram apresentadas as prévias operacionais no final do mês. Como esperado, o efeito coronavírus levou a um desempenho sólido de vendas. Contudo, o ritmo de crescimento ex-Covid (ou seja, anterior a 14 de março) mostrou uma desaceleração em relação à tendência observada no quarto trimestre de 2019.

“Além disso, destacamos que a desaceleração foi ainda mais significativa na operação de varejo da companhia – o contrário da aceleração de crescimento que observamos na operação de varejo do Pão de Açúcar no trimestre”, apontou Pedro Fagundes, analista da XP Investimentos.

Completando as maiores baixas do índice, ainda estão os papéis da Ambev (ABEV3, R$ 11,34, -4,87%), que também revelará seus números em 7 de maio, com expectativa de que a companhia já sinta o efeito do coronavírus – ainda de que forma preliminar – no resultado do primeiro trimestre.

O Credit Suisse espera queda de volume consolidado de 6,2% na base anual, baixa na receita de 4,8% e um Ebitda 18,2% menor, além de lucro por ação 22,3% abaixo. Para a XP Investimentos, a queda esperada no Ebitda é similar: 22% na comparação anual (leia o relatório completo aqui). Tudo isso é apenas um ensaio do que está por vir neste ano, já que a Covid-19 só começou a impactar a empresa na última quinzena do trimestre em questão.

Para a analista Betina Roxo, da XP, a expectativa é de resultados fracos não apenas devido aos impactos da pandemia, mas também “à pressão de custos, já antecipada pela empresa no final de 2019 e ao ambiente de competição acirrada, principalmente por parte da Heineken.” Segundo ela, o Brasil tem o pior cenário, e mercados como Canadá, Argentina e Paraguai podem trazer certo alívio. Confira mais clicando aqui.

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Além das ações dessas empresas, outras poucas tiveram queda no mês, caso de Usiminas (USIM5, R$ 4,80, -1,60%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 22,77, -1,34%), Azul (AZUL4, R$ 17,40, -0,85%) e Pão de Açúcar (PCAR3, R$ 66,22, -0,18%).

Confira as maiores quedas do Ibovespa no mês de abril:

EmpresaTickerCotaçãoVariação no mês
EmbraerEMBR3R$ 8,65-9,33%
CieloCIEL3R$ 4,06-8,56%
Telefônica BrasilVIVT4R$ 45,65 -7,53%
AmbevABEV3R$ 11,34-4,87%
Carrefour BrasilCRFB3R$ 20,00-3,05%

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