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A Vale (VALE3) continua a procurar parceiros estratégicos em sua área de metais básicos, algo que já vem sendo anunciado há algum tempo. Agora, porém, a mineradora afirma estar otimista, com planos de anunciar um novo parceiro ainda no primeiro semestre de 2022, apesar de manifestar insatisfações de como o mercado precifica o negócio.
As falas foram feitas durante a teleconferência entre executivos e analistas, após a publicação dos resultados do quarto trimestre de 2022.
No mês passado, a companhia revelou que recebeu ofertas por uma participação minoritária no negócio. O CEO mencionou que o negócio tem uma necessidade de caixa de, ao menos, US$ 20 bilhões.
“Toda a indústria está subavaliada. Nós não podemos estar no cerne da revolução energética e estarmos com essa avaliação de valor. Esperamos que as pessoas entendam a criticidade da mudança que está por vir”, comentou Eduardo Bartolomeo, diretor executivo (CEO) da companhia, na teleconferência após os resultados do quarto trimestre. “Não temos dúvidas que seremos reclassificados e toda a indústria será. Somos críticos dos preços atuais”.
A Vale trouxe, recentemente, Jerome Guillen, executivo da Tesla, para ajudar a companhia na aproximação com os negócios de carros elétricos.
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“Temos ativos singulares e oportunidades inigualáveis no que tende a renovação de matriz energética. Contratamos agora um executivo que ficou na Tesla por dez anos, mas que não está mais, e que vai nos ajudar muito a destravar valor”, diz o executivo.
De forma geral, a empresa está mais otimista para a produção nesta frente em 2023 – uma vez que algumas manutenções em minas de cobre foram encerradas e com a companhia esperando que algumas plantas acelerem suas operações.
Para o braço de minério de ferro, a mineradora também sinaliza algumas mudanças de olho na transição energética, de olho na demanda por um minério de mais qualidade e mais limpo.
A Vale afirma estar formando parcerias com siderúrgicas para encontrar novas soluções para descarbonizar a indústria. E mesmo que isso traga alguns custos, o esperado é que os prêmios maiores mais do que compensarão os gastos.
“É importante dizer que fomos a referência no ano passado em termos de custos totais por causa de nossos minérios de alto teor. Os prêmios estão desempenhando um papel importante. Essa é estratégia de médio a longo prazo que vemos”, defende Marcello Spinelli, diretor do braço de minério e ferrosos.
No final de dezembro do ano de 2022, houve uma mudança na diretoria, com Carlos Medeiros passando a dividir a diretoria do braço de minério e ferrosos junto com Spinelli.
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“Redesenhamos a nossa organização, levando o Spinelli a focar no marketing e na estratégia, de olho no desafio mais imediato, de um mundo que está em mudança”, explicou Bartolomeo.
A Vale declara que a demanda por ferros mais limpos e de qualidade vem crescendo, mesmo com adversidades, como o problema energético na Europa, importante consumidor deste tipo de produto. Já na demanda geral, os executivos também falam que 2023 começou com o “pé direito”, principalmente com melhoras na China.
A companhia defende que continua avançando no desenvolvimento de segurança em suas barragens, tentando implementar isso na “cultura da empresa”. Nas negociações com o governo quanto às indenizações de Mariana, a Vale espera fechar o assunto ainda neste ano.
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A mineradora, por fim, diz que seguirá com sua política de dividendos e que os planos de recompra de ações não mudam, mesmo com a recente valorização das ações.