Destaques da Bolsa

Usiminas e CSN disparam 8% com reajuste de preços; Multiplus e Smiles afundam 5% e Petrobras PN cai

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quarta-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa encerrou no zero a zero nesta quarta-feira (23), depois de ter caído 1,16% na mínima do dia, a queda dos bancos contrabalanceando o rali das ações da Vale e siderúrgicas.

Vale destaque dentro do setor siderúrgico para a movimentação de Metalúrgica Gerdau e Gerdau: enquanto a primeira disparou 8%, a segunda subiu 2%. A explicação para isso estava em um relatório do BTG Pactual, que ressaltou nesta manhã desconto excessivo na ação da holding, apontando para oportunidade de compra no papel. 

Além delas, chamou atenção também as ações da Multiplus e Smiles, que derreteram na Bolsa, após um relatório do UBS retomar preocupação sobre uma questão que estava esquecida pelos investidores: o acirramento da concorrência, com a entrada da Livelo no setor de programas de fidelidade, em junho deste ano. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 17,63, -0,34%; PETR4, R$ 15,77, -1,00%)
As ações da Petrobras fecharam entre perdas e ganhos, acompanhando o dia instável dos preços do petróleo no mercado internacional. O contrato futuro Brent recuava 0,24%, a US$ 49,00 o barril, enquanto o WTI caía 0,06%, a US$ 48,00 o barril. 

No radar, a Petrobras informou nesta terça-feira (22) que a negociação da primeira grande área do pré-sal incluída no plano de desinvestimentos da estatal. A estatal finalizou a operação de venda de sua participação de 66% no bloco exploratório BM-S-8 para a Statoil Brasil Óleo e Gás, unidade da companhia norueguesa Statoil com o pagamento, de 1,25 bilhão de dólares, correspondente a 50 por cento do valor total da transação. 

No BM-S-8, na Bacia de Santos, está a promissora reserva de Carcará. Conforme informado anteriormente, o restante do valor será pago por meio de parcelas contingentes relacionadas a eventos subsequentes, como, por exemplo, a celebração de um Acordo de Individualização da Produção (unitização).

Vale (VALE3, R$ 28,17, +1,44%; VALE5, R$ 25,19, +1,29%)
Em dia de forte volatilidade, as ações da Vale voltaram a ganhar força nesta tarde, seguindo o rali do minério de ferro. Na máxima do dia, os papéis preferenciais da mineradora subiram 1,93%, a R$ 25,35. A commodity cotada no porto de Qingdao, na China, subiu 1,30% nesta sessão, a US$ 75,87 a tonelada.   

Já as ações das siderúrgicas subiram forte, com Gerdau (GGBR4, R$ 14,37, +1,99%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,82, +7,98%), Usiminas (USIM5, R$ 4,53, +7,60%) e CSN (CSNA3, R$ 12,79, +6,67%). 

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No radar, a Usiminas e a CSN anunciaram aumentos nos preços de aço para dezembro de 9% e 12%. Esses aumentos são inicialmente direcionados ao canal de distribuição (1/3 das vendas totais). Segundo a Citi Corretora, essas elevações de preços irão adiante dado que o atual preço no mercado doméstico está com desconto de 3% a 9% para os importados versus os prêmios históricos de +5% e +10%.

Durante evento com analistas e investidores hoje, o diretor comercial da Usiminas, Sergio Leito, confirmou os aumentos de preços de aço a partir do início de dezembroEle também afirmou que a companhia está negociando com montadoras de veículos elevação de 25% nos preços do aço, mas que ainda não concluiu nenhum acordo. Leite ainda disse que a Usiminas espera aumento de 5% no mercado brasileiro de aços planos em 2017.

Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,82, +7,98%) x Gerdau (GGBR4, R$ 14,37, +1,99%)
Sobre o movimento das ações da Gerdau e da sua holding Metalúrgica Gerdau, vale uma explicação separada. Para quem pensa em uma holding como o “espelho” de sua controlada pode ter se assustado com o movimento de hoje, mas um relatório do BTG Pactual desta manhã traz uma análise do que pode ter ocorrido. 

Segundo os analistas Leonardo Correa e Caio Ribeiro, do BTG Pactual, os papéis da Metalúrgica Gerdau estavam sendo negociados com um desconto excessivo em relação às ações da Gerdau, o que gerou uma oportunidade de entrada. 

Normalmente, uma holding é negociada com um desconto em relação à sua controlada, mas ele segue uma média histórica. Em alguns momentos, contudo, essa relação pode sofrer distorção e são nessas horas que alguns players aproveitam para entrar na ação, como foi o caso do BTG, que apontou uma oportunidade de compra no papel da siderúrgica. 

“Entendemos que o valor normalizado do desconto de GOUA4 x GGBR4 deveria ser entre 15% e 20%, no entanto, eles são negociados com um desconto de 34% a 35%, considerando a conversão das debêntures. Portanto, vemos um significativo potencial de valorização de GOAU4”, comentaram. 

Multiplus e Smiles
As ações da Multiplus (MPLU3, R$ 34,27, -4,99%) e Smiles (SMLE3, R$ 46,05, -4,42%) caíram forte após corte de preço-alvo das ações pelo UBS, em meio às expectativas de uma concorrência mais acirrada após o nascimento da Livelo, joint venture entre Bradesco e Banco do Brasil. O target das ações da Multiplus foi cortado de R$ 39,50 para R$ 38,20, enquanto o da Smiles passou de R$ 51,60 para R$ 50,40. 

Segundo os analistas do banco suíço, se continuar oferecendo preços competitivos, a Livelo pode atingir 16% do market share da indústria de cartões, o que poderia afetar o preço justo das ações da Smiles em R$ 7,60 e da Multiplus em R$ 8,60. Para o cálculo dos novos preços-alvos, eles incluíram 50% de possibilidade desse efeito. Ou seja, no pior cenário, o preço justo das ações da Multiplus passaria a ser de R$ 34,00 e da Smiles de R$ 46,60. 

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Exportadoras 
As ações das exportadoras subiram forte nesta sessão, puxadas pela alta do dólar frente ao real. O dólar comercial fechou em alta de 1,10%, a R$ 3,3929 na venda, no maior patamar desde 17 de novembro. 

Na ponta positiva, destaque para as ações do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 30,30, +2,71%), Suzano (SUZB5, R$ 12,65, +1,28%) e Klabin (KLBN11, R$ 16,70, +3,15%), que deram sequência aos fortes ganhos de ontem entre dólar e reajuste dos preços da celulose. A Fibria e Suzano anunciaram ontem reajustes de US$ 20 nos preços da commodity para a Ásia, ambos passando o valor de US$ 530 para US$ 550. O preço é válido a partir de 1º de dezembro. Nos últimos dois dias, as ações da Fibria acumulam ganhos de 10%, enquanto os papéis da Suzano sobem 9,5%. 

Segundo o BTG, no caso da Suzano, o objetivo é aproveitar “uma curta janela de oportunidade” devido ao atraso no início das operações na planta de Oki em meio à forte demanda em outubro e novembro. Ainda de acordo com o BTG, o momento é favorável para a celulose, apesar de parecer um movimento de curto prazo.

Também beneficiadas pelo câmbio, a fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 16,79, +2,69%) e os frigoríficos JBS (JBSS3, R$ 9,82, +0,72%) e Marfrig (MRFG3, R$ 6,12, +0,49%) subiram nesta quarta.

Triunfo (TPIS3, R$ 3,85, +10,95%)
As ações da Triunfo deram sequência à disparada dos últimos dias, acumulando ganhos de 42% na semana. A companhia revelou nesta tarde que concluiu uma captação de R$ 647,3 milhões, por meio de uma emissão de debêntures. Segundo a empresa, os recursos obtidos serão utilizados para amortizar o seu endividamento, “alongando prazos e vencimentos” das obrigações financeiras.  

Nesta terça-feira (22), durante o programa Comprar ou Vender, da InfoMoneyTV, o head de mercados de capitais da Eleven Financial, Adeodato Volpi Netto, comentou que a operação estava perto de ser concluída e que os papés da companhia eram uma boa opção de investimento. (a análise completa pode ser vista aqui).

Nesta manhã, a concessionária de infraestrutura convocou seus acionistas para uma Assembleia Geral Extraordinária no dia 8 de dezembro, para decidir sobre a suspensão da distribuição de dividendos no valor de R$ 40 milhões, informação que também impulsionou os papéis nesta manhã.

Bancos
As ações do Bradesco (BBDC4, R$ 29,78, +0,44%) se descolaram do setor e tiveram leve alta, após elevação de recomendação pelo BTG para compra, assim como o preço-alvo dos papéis, que passou de R$ 29,00 para R$ 35,00. Os analistas do BTG reiteraram também o Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 35,47, -0,92%) como seu top pick do setor, apesar do valuation, com recomendação de compra. O target de ITUB4  foi elevado de R$ 39,00 para R$ 42,00. 

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Em relatório, os analistas Eduardo Rosman e Thiago Kapulskis, do BTG, ressaltaram que, após cerca de quatro anos com uma visão bem negativa para os bancos, decidiram mudar a mão em junho. De lá para cá, os bancos subiram aproximadamente 60%, enquanto o Ibovespa acumulou alta de 30%, mas eles ainda acreditam que essas ações têm espaço para avançar mais. “Achamos que os bancos, principalmente Itaú e Bradesco, voltaram a ser ‘buy and holds’ interessantes, dado que vemos um cenário bem positivo para o crescimento de lucro nos próximos anos”, comentaram. 

O BTG manteve o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 28,45, -0,145) em neutro, apesar do viés bem mais positivo, acreditando que o papel ainda pode seguir performando bem. Eles decidiram, por sua vez, elevar o preço-alvo de R$ 19,00 para R$ 32,00. Já o Santander (SANB11, R$ 28,39, -1,80%) segue como venda, com o valuation ainda bem esticado, apesar da melhora dos resultados. Seguindo os analistas, as units SANB11 seguem com prêmio grande para Itaú e Bradesco, mesmo com projeções mais agressivas para o Santander. Ainda assim, eles elevaram o preço-alvo das units de R$ 13,00 para R$ 20,50. Por fim, o Banrisul (BRSR6, R$ 12,01, +2,21%) continuou com neutro, após recente corte na recomendação após o resultado do 3° trimestre. O novo target da ação é de R$ 13,00, frente os R$ 12,00 anteriormente.