Dados decepcionantes

Ipiranga se mostra mais uma vez ponto fraco da Ultrapar (UGPA3) e ações caem 8% após balanço

“As perspectivas para as margens sustentáveis para a rede de postos permanecem bastante nebulosas nesta fase”, avalia o BBI 

Por  Lara Rizério -

SÃO PAULO – A rede de postos Ipiranga segue pressionando os resultados da Ultrapar (UGPA3), que vê suas ações em forte queda após o resultado e também com a revisão de estimativas para o ano de 2021. No fechamento, a baixa foi de 8,09%, a R$ 12,38.

A companhia teve um lucro líquido de R$ 374,3 milhões no balanço do 3º trimestre, um desempenho 35% superior em relação ao mesmo período do ano passado, quando somou R$ 277,3 milhões.

Já o lucro líquido recorrente – que não inclui os efeitos do impairment da Extrafarma de R$ 395 milhões no segundo trimestre e da reversão de IR sobre a correção SELIC de créditos tributários de R$ 196 milhões no terceiro trimestre – somou R$ 178 milhões, neste critério uma retração de 36% em um ano.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado e recorrente somou R$ 1,017 bilhão, queda de 2% frente aos R$ 1,038 bilhão de um ano antes. O Bradesco BBI destaca que o número ficou em linha com a sua estimativa e com o consenso, notando desempenho mais forte do que o esperado da Ultragaz e da Oxiteno, parcialmente compensado pelo resultado da Ipiranga um pouco mais fraco e maiores despesas de holding. No segundo trimestre, os números da companhia já tinham sido afetados pela Ipiranga. 

Mas aponta que, apesar da melhora trimestral na margem Ebitda (Ebitda/receita líquida) por metro cúbico da Ipiranga para R$ 68 (R$ 64 excluindo resultados não operacionais, versus R$ 53 no segundo trimestre), o número ainda está altamente pressionado quando comparado aos níveis de Vibra (VBBR3) e Raízen (RAIZ4).

“As perspectivas para as margens sustentáveis da Ipiranga permanecem bastante nebulosas nesta fase”, avalia o BBI.

A administração da companhia ainda reduziu sua projeção de Ebitda consolidado para um intervalo de R$ 3,75 bilhões –
R$ 4,13 bilhões, de R$ 3,8 bilhões – R$ 4,65 bilhões anteriormente, representando uma queda de cerca de 7% em relação ao ponto médio. O principal motivador foi justamente a Ipiranga, com uma queda de aproximadamente 17% em relação ao seu nível médio.

Para o BBI, a perspectiva para o que deve ser uma margem Ebitda recorrente na Ipiranga permanece incerta. Os analistas do banco permanecem com recomendação neutra, enquanto o preço-alvo foi reduzido de R$ 21 para para R$ 18 por ação.

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Após o balanço, o Credit Suisse reiterou recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 16, apontando os números como bastante decepcionantes.

Os analistas do banco apontaram que o Ebitda foi em linha mas, após ajuste para itens especiais, haveria uma queda para R$ 940 milhões, 2% abaixo do esperado por eles. Para eles, os números em si não foram tão ruins, mas a qualidade dos resultados foi o ponto negativo, também destacando os números da Ipiranga 17% abaixo das estimativas da instituição.

Em contraponto, mesmo destacando o resultado sendo pressionado pela Ipiranga, o Bank of America manteve recomendação de compra para os ativos, com preço-alvo de R$ 23,15.

“Apesar do fraco desempenho da Ipiranga, mantemos nossa recomendação dada a visão de que as margens devem se beneficiar nos próximos trimestres com melhores preços. Dito isso, esperamos que o mercado precise de sinais claros de que as tendências estão melhorando antes que a ação se recupere”, aponta o banco americano.

Para os analistas da casa, a abertura geral da economia no Brasil pode apoiar uma melhora gradual nas tendências gerais dos negócios nos próximos trimestres, contribuindo para um desempenho sólido dos lucros nos próximos trimestres.

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