Publicidade
BRUXELAS – Os negociadores da União Europeia estão perto de garantir o apoio britânico e alemão para um acordo sobre o orçamento de quase 1 trilhão de euros para os próximos sete anos, mas podem ser necessárias concessões de última hora para assegurar o apoio da França, Polônia e outros estados do Sul da Europa.
O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, que está presidindo a reunião de cúpula de líderes da UE, tem que ganhar o apoio de Londres e dos paises do norte europeu, furiosos com o aumento proposto nos gastos do bloco continental para o período 2014-20, e fazer cortes profundos no plano.
Mas ao fazê-lo corre o risco alienar países como a França, interessada em proteger os subsídios agrícolas que recebe do orçamento, e aqueles na Europa do Leste, que recebem fundos orçamentários para ajudar a impulsionar suas economias. Espanha e Itália podem também se alinhar à França nas negociações.
“É evidente que, em um momento em que tomamos decisões difíceis sobre gastos públicos domésticos, seria muito errado, é muito errado, haver propostas de gasto adicional na UE”, disse o primeiro-ministro britânico, David Cameron.
As negociações, que podem durar dois ou três dias, prometem ser muito disputadas e até amargas, especialmente se o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o presidente francês, François Hollande, reacenderem a velha animosidade franco-britânica sobre gastos.
Um fracasso em chegar a um acordo agravaria a impressão de que os líderes da UE são incapazes de tomar medidas decisivas quando necessário, após intermináveis rodadas de discussões para resolver a crise da dívida da zona do euro.
Continua depois da publicidade
O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, afirmou que os países do leste europeu se uniram à França e a outros contribuintes orçamentários para proteger os fundos agrícolas, incluindo Itália e Espanha, a fim de forçar Van Rompuy a deixar de lado alguns de seus cortes propostos.
“O apoio de países contribuintes líquidos é fundamental. A posição da Polônia é difícil porque nós somos tomadores de recursos, não contribuintes, e os argumentos daqueles que dão dinheiro são habitualmente mais fortes”, afirmou a jornalistas na cúpula.
Mas a Grã-Bretanha e a Alemanha, junto com Suécia e a Holanda, insistem em cortes orçamentários mais profundas. Fontes afirmaram que a chanceler alemã, Angela Merkel, pressiona por reduções adicionais de cerca de 30 bilhões de euros.
Continua depois da publicidade
A necessidade de uma unanimidade significa que todo país da UE possui chance de veto, e Grã-Bretanha, França e Dinamarca estão entre aqueles que consideraram publicamente usá-la.
O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, afirmou querer um acordo melhor para o país em agricultura, ajuda regional e divisão de responsabilidades, e também que não permitiria “soluções inaceitáveis”.
O premiê holandês, Mark Rutte, quando questionado se estava preparado para vetar as negociações, afirmou a jornalistas antes da reunião: “Eu sempre tenho uma arma carregada no bolso durante negociações; somente pelo lado figurativo, claro”.
Continua depois da publicidade
A chanceler Angela Merkel, cujo país é o maior contribuinte líquido da UE, já afirmou que pode não ser possível se chegar a um acordo nesta semana e que outra rodada de negociações pode ser necessária no começo de 2013.