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Entre maior lucro trimestral da história e mudança de CEO em cenário desafiador, o que esperar para o Santander Brasil?

Anúncios importantes foram dados pelo banco, com destaque para a saída de Rial da presidência no fim do ano; analistas, contudo, esperam “transição suave”

Por  Lara Rizério -

SÃO PAULO – O Santander Brasil (SANB11) inaugurou a temporada de balanços do segundo trimestre para os grandes bancos, com números que, a princípio, animaram os investidores e os analistas de mercado. Contudo, algumas linhas do balanço seguem gerando dúvidas sobre a sustentabilidade dos números da instituição financeira, enquanto a notícia de mudança de gestão também está sendo repercutida no mercado.

O Santander Brasil apresentou lucro líquido gerencial, que não considera ágio de aquisições, de R$ 4,171 bilhões, no segundo trimestre deste ano, o maior nível da história da instituição, e com alta de 5,4% na variação trimestral e de 98,4% na comparação anual, ficando 5,7% acima do esperado pelo consenso Bloomberg.

Já o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês), ficou em 21,6%, acima dos 20,6% registrados no primeiro trimestre deste ano, e muito próximo à rentabilidade de 21,7% obtida um ano antes, quando excluídos os efeitos das provisões extraordinárias realizadas naquele período.

Os resultados melhores do que o esperado, aponta o Bradesco BBI, foram explicados principalmente por despesas controladas e provisões abaixo do esperado, parcialmente compensados por resultados de tesouraria mais fracos, impactando a receita líquida.

Enquanto isso, o crescimento recorrente do lucro líquido foi impulsionado principalmente por uma forte redução em outras despesas, com queda de 14,6% na variação trimestral e de 16% na variação anual, juntamente com o crescimento das receitas de comissões (alta de 7,6% na variação trimestral e 26,8% na variação anual).

Já a receita de juros líquida ficou relativamente estável na variação trimestral (queda de 1,5% na variação anual), com ganhos comerciais mais fracos. A instituição também apontou que as despesas líquidas com provisões para devedores duvidosos ficaram em R$ 3,325 bilhões, alta de 5,2% ante os primeiros três meses do ano e com baixa de 0,3% em relação ao segundo trimestre de 2020.

“O Santander Brasil apresentou um bom conjunto de resultados no segundo trimestre, mostrando tendências positivas no crescimento do crédito, com melhor mix e evolução positiva da receita líquida de juros com clientes, e nas receitas de tarifas, refletindo a melhor atividade econômica”, apontaram os analistas do Bradesco BBI.

Entretanto, os analistas do banco destacaram que as provisões aumentaram no trimestre, enquanto o índice de cobertura – relação entre empréstimos inadimplentes e provisões – diminuiu para 263%, embora a taxa de inadimplência se mantenha relativamente sob controle.

A equipe de análise da XP aponta também que, do lado negativo, o resultado foi impulsionado principalmente pelo consumo de cobertura, embora o custo do crédito tenha ficado 9% acima das estimativas dos analistas da casa. Nos últimos balanços, os analistas já haviam destacado que os resultados poderiam ser pressionados mais à frente, uma vez que a instituição possui um menor índice de cobertura em relação aos seus pares no setor. Nos últimos trimestres, o banco decidiu não fazer tantas provisões quanto seus pares privados.

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“No geral, mantemos nossa visão de que o consumo do balanço abaixo do provisionado do Santander não será capaz de sustentar seus ganhos”, avalia a XP, que mantém a recomendação recém-revisada para o ativo SANB11 de venda, com preço-alvo de R$ 36.

O Itaú BBA avaliou que os resultados foram positivos, mas ponderou que a margem financeira com clientes, que reflete operações do banco que rendem juros, alcançou R$ 11,473 bilhões no segundo trimestre, uma alta modesta de 1,6% ante o primeiro trimestre na sequência de menores spreads (ou a diferença entre a taxa de juros cobrada aos tomadores de crédito e a taxa de juros paga aos depositantes pelos bancos).

Assim, essa linha do resultado, em conjunto com outro anúncio bastante importante feito pela companhia, poderia moderar a reação do mercado, na visão dos analistas. Cabe ressaltar que a sessão é de forte volatilidade para os papéis SANB11, que abriram com ganhos, que chegaram a ser de 1,97% (R$ 42,01), viraram para queda, de até 2,31% (a R$ 40,25), sendo que, por volta da 13h30 (horário de Brasília), os ativos subiam 0,66%, a R$ 41,47.

O outro anúncio que impactou o mercado foi o da saída de Sérgio Rial da presidência do banco no fim deste ano. Ele passará a assumir as funções de Presidente do Conselho de Administração em 1º de janeiro de 2022.

Mario Opice Leão, que ingressou na diretoria do banco em 2015, foi nomeado o novo CEO, e também será nomeado para um cargo no Conselho de Administração. O processo ainda está pendente das aprovações regulatórias relevantes.

O Morgan Stanley também avaliou que saída do atual CEO poderia reduzir o entusiasmo com os papéis, levando em conta os resultados do Santander como fortes e que refletem uma boa execução da gestão.

O que esperar do novo CEO?

Para a XP, o movimento de saída de Rial do cargo é negativo para o banco, uma vez que ele foi o líder da transformação que moveu o Santander de um banco com ROE de cerca de 12% para um banco com ROE de 22%.

Já para o BBI, a notícia era de alguma forma esperada pelo mercado, embora o timing possa ser uma surpresa. “Ressaltamos que Sérgio Rial liderou um importante processo de turnaround no banco, e sua presença no Conselho de Administração pode ser um sinal de que a estratégia deve continuar”, apontam os analistas.

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Em teleconferência com o mercado, Rial destacou que haverá um elevado grau de continuidade na estratégia do banco, apesar da mudança de gestão. Ele também apontou que vem preparando sua sucessão há dois anos e que continuará ajudando na gestão do banco.

O executivo pretende se despedir do cargo entregando fortes números do banco. “O Santander apresentará seus resultados mais fortes da história este ano”, disse Rial a analistas e repórteres na teleconferência.

Também apontando a importância do atual CEO para conduzir uma mudança significativa na cultura do banco nos
últimos seis anos e alavancar a franquia do banco no país – tornando-se a subsidiária mais relevante do Grupo Santander -, os analistas do BBI ressaltam que Leão terá um certo desafio pela frente.

“Ele precisará manter não apenas o alto nível atual de ROE, mas também a cultura desenvolvida durante os últimos seis anos. Além disso, Leão terá a tarefa de liderar a transformação digital do banco, adaptando-se à nova realidade imposta pelo open banking, além de precisar competir com os bancos digitais e fintechs”, avalia o BBI, que possui recomendação neutra para as units do banco, com preço-alvo de R$ 47.

“Esperamos uma transição suave, considerando o tempo antes da mudança e o fato de Rial ocupar o cargo de presidente do Conselho do Santander Brasil”, escreveram analistas do Credit Suisse em nota a clientes.

Desde que assumiu a direção do Santander Brasil, há quase seis anos, Rial vem assumindo posições mais globais no Banco Santander da Espanha. Em 2019, tornou-se presidente do banco na América do Sul e no ano passado passou a fazer parte do conselho do grupo como diretor.

Ele disse que não há discussão sobre um novo papel global, mas acrescentou que estará mais envolvido na estratégia de pagamentos do banco. No ano passado, o Santander agrupou seus negócios de pagamentos ao consumidor e ao comércio no “PagoNxt” para construir uma marca de tecnologia financeira distinta de seu núcleo bancário.

Para os analistas da Levante, os principais catalisadores para as ações do Santander são a retomada acelerada da economia brasileira com a vacinação e também novos desenvolvimentos quanto ao IPO da companhia de adquirência Getnet, que deve dar aos acionistas do banco ações da nova empresa.

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Enquanto isso, a maior parte dos analistas segue cautelosa com os papéis do banco. De acordo com compilação da Refinitiv, de 15 casas que cobrem o ativo, quatro possuem recomendação de compra, dez de manutenção e uma de venda. O preço-alvo médio é de R$ 45,01, ou um potencial de alta de 9,22% em relação ao fechamento da véspera.

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