RD (RADL3): Empresa apresenta mais uma vez resultado positivo, mas ação está cara, apontam analistas

Casas de análise destacam receitas fortes e veem expansão saudável da companhia, mas veem valuation "esticado"

Mitchel Diniz

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Os números do terceiro trimestre de 2022 da RD (RADL3), varejista de farmácias dona da Raia e Drogasil, foram, de maneira geral, bem vistos pelos analistas que acompanham a empresa, assim como no segundo trimestre de 2022. Contudo, as ações tinham um desempenho tímido, em alta de 0,72%, a R$ 26,50, no início da tarde desta terça-feira (1).

A empresa lucrou 225,3 milhões no período, alta de 30,4% na base anual. O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) totalizou R$ 546,8 milhões, um crescimento de 22,6%.

A receita bruta de R$ 7,985 bilhões da RD no trimestre, com crescimento de 22,3%, foi um dos destaques nas análises sobre o resultado trimestral. Assim como a projeção de abertura de lojas para os exercícios de 2023, 2024 e 2025, que passou de 240 aberturas brutas por ano para 260.

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“A empresa continua apresentando uma capacidade de expansão muito qualificada. Nos últimos 20 anos vimos diversas empresas tentando replicar esse modelo em outros estados e fracassando. A RD surpreende e ainda revisa seu guidance“, diz Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos. “É uma empresa que consegue crescer mantendo a rentabilidade das novas lojas”.

Como o mercado já enxerga isso, segundo Cruz, o upside para a ação RADL3 acaba sendo menor. “Essa é uma das principais razões pela qual não vemos o papel nas carteiras recomendadas”.

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Na avaliação do Itaú BBA, o resultado trimestral de RD foi neutro do ponto de vista operacional. Contudo, na avaliação da equipe de análise da casa, a empresa “registrou conquistas notáveis”. As revisões para cima no plano de expansão em um momento de volatilidade macroeconômica são resultado de uma “execução impecável”, por parte da companhia.

Para os analistas Thiago Macruz, Maria Clara Infantozzi e Gabriela Moraes, a companhia manteve receitas fortes por mais um trimestre. A equipe destaca o indicador same store sales em lojas maduras (que cresceram 14,6%), turbinadas pelo desempenho digital da empresa, aprimorando o ecossistema omnichannel da RD.

“As margens vieram estáveis na comparação anual e mostraram uma esperada pressão sequencial”, escreveram os analistas. A margem Ebitda da empresa, que alcançou 6,8%, veio 20 pontos abaixo das estimativas do BBA.

Ainda que a RD tenha elevado sua estimativa de abertura de lojas para 260 unidades brutas entre 2023 e 2025, ante 240, o novo guidance está em linha com o esperado pelo BBA.

Mesmo elogiando o desempenho trimestral de RD, os analistas da casa avaliam que o valuation da empresa continua salgado e preferem esperar um “ponto de entrada melhor”. Por esse motivo, o BBA mantém avaliação market perform para RADL3 e preço-alvo de R$ 24,60.

O Bradesco BBI também avaliou os resultados trimestrais de RD como neutro – os números vieram, em sua maioria, em linha com as projeções da casa. Assim como o BBA, o BBI também destacou as receitas fortes da companhia, a estabilidade das margens e novo guidance.

A casa avalia que o número de fechamento de lojas no terceiro trimestre continuou alo, com o encerramento de 19 operações. A penetração digital e de marketplace da companhia continua ganhando tração.

O lucro de RD no terceiro trimestre veio 5% abaixo do previsto pelo BBI, ainda que o Ebitda tenha sido ligeiramente mais alto do que a casa previa. A casa mantém avaliação neutra sobre RADL3 e preço-alvo de R$ 25.

Relatório da XP assinado por Danniela Eiger, Gustavo Senday e Thiago Suedt destaca o crescimento das vendas mesmas lojas, mas os fechamentos, acima do esperado, levaram um crescimento de receita apenas em linha com o estimado pela equipe de análise.

“Rentabilidade também foi robusta, com a alavancagem operacional compensando os investimentos da companhia em sua transformação”, escreveram os analistas. O lucro de RD no terceiro trimestre ficou 8% abaixo do estimado pela XP, impactado por maiores despesas financeiras.

Os analistas também grifam que a empresa ganhou participação de mercado em todas as regiões do país, com destaque para o norte e, no sudeste, no estado de São Paulo. A XP mantém a recomendação neutra para RADL3, por avaliar que o atual valuation da empresa é justo. O preço-alvo é de R$ 21.

O Credit Suisse diz que, depois de um segundo trimestre forte, de ajuste de preços, a rentabilidade de RD recuou para seus níveis históricos no terceiro trimestre. A casa avalia que os números trouxeram um conjunto de sinais saudáveis.

“Na nossa visão, a companhia tem mostrado indicadores saudáveis de longo prazo”, escreveram os analistas. Eles destacam o ganho de market share de RD, consistente com o crescimento do mercado farmacêutico. A importância das vendas digitais continua a crescer, evidenciando preparo da companhia em atuar nesse tipo de canal.

“RD não só é um executor superior (como reforça a revisão para cima de seu guidance), como também tem escala suficiente para se beneficiar de maior produtividade e investir nas próximas etapas de crescimento (como o marketplace)”, diz o relatório do Credit.

“Além disse, a empresa está bem posicionada em um momento de crescimento consistente do mercado em que atua, o varejo farmacêutico. Acreditamos que a combinação de aumento das receitas e a resultados regulares colocam RD como uma tese defensiva no Brasil”.

Mitchel Diniz

Repórter de Mercados