Mantendo neutro

RD (RADL3) tem resultados “impressionantes” e ação fecha em alta de quase 4%, mas analistas veem papéis como caros

Companhia registrou forte lucratividade, mas analistas seguem com recomendação neutra por verem preços já refletindo bons números

Por  Lara Rizério, Augusto Diniz -

A RD (RADL3), varejista de farmácias dona de marcas como Raia e Drogasil, foi a primeira rede do segmento a reportar resultados do segundo trimestre de 2022 (2T22) e, apesar dos analistas de mercado já esperarem resultados fortes por conta da sazonalidade do segmento, tiveram uma surpresa positiva com os números apresentados, inclusive elevando as suas projeções para a companhia.

Com os resultados, as ações RADL3 fecharam com fortes ganhos, de 3,91%, a R$ 21,80, ainda que longe das máximas do dia. Analistas, porém, questionam se vale a pena entrar na ação, uma vez que o seu valor está bastante deslocado (para cima) em relação a seus pares do setor.

Os analistas da XP destacam o sólido crescimento de receita, com alta de 22% na comparação anual, diante da maior demanda por medicamentos por conta do surto de doenças respiratórias, combinado com rentabilidade em níveis recordes por conta de ganhos de estoque frente ao reajuste regulatório de preços.

A rentabilidade foi o destaque do resultado, avaliam os analistas, com margem bruta e margem Ebitda (Ebitda, ou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) no maior nível desde o segundo trimestre de 2016, em 30,3% e 9,5% (ambos com alta de 1,5 ponto percentual na base anual), respectivamente, puxado por ganhos de estoque decorrente do reajuste regulatório de preços. Como resultado, o lucro líquido totalizou R$ 344 milhões, alta de 48% na base anual e 30% acima do esperado.

Além disso, a XP destaca ser interessante notar que a companhia continua a expandir seu canal digital, alcançando uma penetração recorde de 10,5% das vendas, além de ter mantido ganhos de participação de mercado em todas as regiões, principalmente no Norte (+1,1 ponto percentual [p.p.]) e Centro-Oeste (+ 0,9p.p.).

“Por fim, o ecossistema de saúde de RD também continua avançando, com serviços já sendo oferecidos em aproximadamente 60% das lojas e 146 mil SKUs (produtos únicos) já ofertados em seu marketplace”, avaliam os analistas.

O Credit Suisse também destacou que a RD apresentou resultados muito bons para o 2T22, acima das expectativas dos seus analistas e consenso. Houve crescimento da receita, mas a lucratividade voltou a ser o principal destaque, superando as expectativas do consenso em lucro, Ebitda ajustado e margem Ebitda.

“Ademais, vários fatores subjacentes relevantes chamaram a atenção do nosso time: crescimento de participação em todas as regiões; performance do digital ainda destacada; guidance ousado de abertura de lojas em andamento e reforçado e continuidade de execução de alto nível”, avalia. Para o analistas do banco, o setor de varejo farmacêutico está melhor posicionado para navegar no restante do ano dada a dinâmica mais favorável de crescimento e defensividade.

Em teleconferência de resultados, Eugênio de Zagottis, VP de planejamento Corporativo e RI da RD, disse que, depois de “seguidos aumentos de custo com a mesma receita, o que a gente vê é fim da defasagem (de preços de produtos)”.

Segundo executivo, na medida em que o aumento de preços foi autorizado, a RD e o mercado repassaram a inflação aos preços. Zagottis informou também que houve venda maior, que ajuda a neutralizar a pressão inflacionária.

O executivo disse ainda que a RD tem aproveitado bem a sazonalidade de inverno. “Quando a gente faz aumento de preço e há estoque anterior em casa, temos ganho inflacionário e ele paga algumas perdas que tivemos. Com isso, a gente vê margem buta grande”, avaliou.

De acordo também com o executivo, a companhia soube aproveitar a sazonalidade de inverno. “Ano passado, não teve porque muita gente estava de máscara, que circulava menos covid e menos gripe normal também”, disse. “Todo esse conjunto fez um trimestre sensacional”, complementou.

Dados impressionantes, mas…

Para o Bradesco BBI, os resultados foram inegavelmente impressionantes. “Contudo, notamos que: (i) uma parte relevante é
sazonal, relacionada a ganhos comerciais de aumento de preço e (ii) uma parte pode ter sido pontual, relacionada à falta de estoques no setor, testes de Covid-19 e sazonalidade de inverno, o que impulsionou as vendas da RD (e a margem EBITDA)”, avalia o banco.

Portanto, o BBI segue com recomendação neutra, com o valuation negociando em 36 vezes o múltiplo P/L (preço sobre o lucro) estimado para 2023, considerado esticado pelos analistas da casa. O preço-alvo é de R$ 23, ou um potencial de alta de 11% em relação ao fechamento da sexta-feira.

Durante a tele, Zagottis destacou o efeito sazonal. “É claro que o número para frente não é 22% (crescimento da receita bruta do 2T22). É um número muito bom, mas tem o fator sazonal forte”, apontou. O executivo disse ainda que a margem da segunda metade do ano depende da inflação e estabilização de vendas, mas garantiu que a receita vai se manter em um “patamar saudável”.

Na mesma linha do BBI, outras casas também possuem recomendação neutra ou equivalente, também destacando o preço alto a ser pago pela ação da RD. “Apesar do forte resultado, mantemos nossa recomendação neutra e preço-alvo de R$ 21 [ou um upside de apenas 0,10%] por ação por enxergarmos a ação bem precificada”, aponta a XP.

O Credit também aponta que o ponto de entrada para o papel parece incerto dada a discrepância em relação ao resto dos nomes de sua cobertura, que negociam a um múltiplo de P/L de 17 vezes.

Após o resultado, os analistas do Itaú BBA reajustaram as suas estimativas para o lucro por ação esperado para 2023, que subiu 6% para 2023 em relação a suas estimativas anteriores), com revisão do preço-alvo para o próximo ano de R$ 23,40 para R$ 24,60 (upside de 17,30%). “Ainda assim mantivemos a recomendação marketperform (desempenho em linha com a média do mercado, ou equivalente à neutra) dado nossa visão de valuation exigida hoje pelo mercado”, apontam.

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