Queda de commodities chama Ibovespa à realização, mas NY positiva é limitador

O ritmo de alta lá fora é discreto, em semana de agenda forte no exterior, e após a eleição na França no fim de semana

Estadão Conteúdo

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Após valorização de 1,91% na semana passada, o Ibovespa cede na manhã desta segunda-feira, 8, refletindo o sinal negativo das commodities. O petróleo cai em torno de 0,80% no exterior, enquanto o minério de ferro fechou em baixa de 3,34%, em Dalian, na China.

A queda do principal indicador da B3, contudo, é amenizada na elevação dos índices acionários internacionais, mas o ritmo de alta lá fora é discreto, em semana de agenda forte no exterior, e após a eleição na França no fim de semana.

De acordo com Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, a desvalorização do Índice Bovespa é natural, após cinco pregões de fechamento em alta. Segundo ele, será importante acompanhar o noticiário político, para ver se o governo detalhará o corte anunciado na semana passada com o objetivo de reduzir as despesas e se a pauta econômica avançará, sobretudo em relação à regulamentação da reforma tributária.

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O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), convocou sessão no plenário da Câmara nesta segunda. Espera-se que ocorram discussões finais da regulamentação da reforma tributária. A expectativa é que a votação do primeiro projeto e talvez do segundo ocorra na semana que vem.

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Na sexta-feira, 5, o Ibovespa subiu 0,08%, aos 126.267,05 pontos. A semana foi marcada pela mudança de discurso de Lula em relação à política fiscal e ainda ao aval do chefe do Executivo ao corte de R$ 25,9 bilhões em despesas obrigatórias em 2025 e ao cumprimento do arcabouço fiscal. Além disso, Lula suspendeu as críticas ao presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto.

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“Vamos ver se apresentará detalhes do projeto de corte de gastos que animaram os mercados na semana passada e se manterá um discurso pacífico em relação ao BC”, diz Spiess.

Nos próximos dias no exterior, destaque à divulgação do índice de preços ao consumidor americano, o CPI, além de um pronunciamento do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central), Jerome Powell.

“Será uma semana importante, será fundamental acompanhar os dados, o CPI para ver se o cenário otimista que vinha se construindo em relação à economia, de normalização ante o início de queda dos juros será mantido”, avalia o analista da Empiricus, completando ainda que será inicia a temporada de balanços de empresas americanas. Na sexta, os bancos americanos Wells Fargo, JPMorgan e Citigroup publicam resultados corporativos. “Será importante ainda acompanhar os dados de inflação do Brasil”, completa Spiess.

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Na quarta-feira serão informados o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), ambos de junho, após uma nova rodada para cima nas projeções desses indicadores no boletim Focus.

A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2024 avançou de 4% para 4,02%, mais de 1 ponto porcentual acima do centro da meta, de 3%. Um mês atrás, era de 3,90%. A mediana para 2025, horizonte relevante da política monetária, subiu de 3,87% para 3,88%, contra 3,78% um mês antes.

Apesar da indicação do Índice Bovespa com viés de baixa, Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil, diz que há uma lacuna para que o indicador recupere a marca dos 127 mil pontos, vista em meados da segunda quinzena de maio. Segundo ele ainda, há espaço para que estenda ao nível dos 129.500 pontos.

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Em meio a incertezas fiscais, a Monte Bravo reduziu sua projeção para o Ibovespa do final de 2024, de 150 mil pontos para 145 mil pontos. “A elevação da percepção de risco piora a relação de risco retorno do ativos brasileiros”, afirma o relatório assinado pelo estrategista-chefe e head de research da Monte Bravo Corretora, Alexandre Mathias.

Na visão de Mathias, a acomodação da atividade e a desaceleração da inflação dos Estados Unidos sancionam a expectativa de cortes de juros pelo Fed a partir de setembro, o que seria positivo aos ativos brasileiros. Porém, incertezas internas podem atrapalhar essa expectativa.

No campo corporativo, destaque ao Itaú Unibanco (ITUB4). O banco comunicou que o diretor de Finanças Alexsandro Broedel deixará a organização para assumir desafios fora do País. Será substituído por Gabriel Amado de Moura, atual gerente geral (CEO) do Banco Itaú Chile. A Eletrobras (ELET3;ELET6), por sua vez, disse que fará um novo programa de recompra de ações.

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Às 11h09 desta segunda, as ações da Vale (VALE3) cediam 0,86%. Além do recuo do minério, o investidor ainda avalia do dissenso da reunião entre a mineradora, a BHP e a Samarco com o poder público para encerrar as discussões judiciais sobre Mariana (MG).

Os papéis da Petrobras (PETR3;PETR4) cediam entre 0,24% (PN) e -0,01% (ON). Itaú Unibanco PN caia 0,46%. Já Eletrobras subia entre 0,64% (PNB) e 1,56% (ON).

No horário citado acima, o Ibovespa caía 0,09%, aos 126.157,98 pontos, ante mínima aos 125.613,54 pontos (-0,52%) e máxima aos 126.395,18 pontos, em alta de 0,10%, depois de abrir aos 126.280,29 pontos (elevação de 0,01%).