Análise

Petrobras, Vale, Ambev, Usiminas, GPA: quais os resultados do 3º tri que mais surpreenderam o mercado?

Analistas destacaram resultado excelente da Petrobras, que viu suas ações reagirem na reta final do pregão; confira mais análises

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SÃO PAULO – A sessão desta quinta-feira (29) foi emblemática para diversas grandes empresas da B3, em meio à repercussão dos números do terceiro trimestre (o que acabou gerando também forte volatilidade para as ações na B3).

Os principais resultados reportados foram de Petrobras, Vale, Ambev, Usiminas, Bradesco e Pão de Açúcar. Apesar de ter seu resultado bastante elogiado e com números bem acima do esperado em meio ao cenário desafiador – sendo praticamente unanimidade em relação à boa visão sobre o balanço – , no início da sessão os papéis da Petrobras chegaram a cair quase 5% acompanhando o petróleo em meio aos temores sobre a segunda onda do coronavírus. O papel passou a reverter perdas e depois a subir mais forte apenas durante a tarde, também acompanhando a melhora dos mercados internacionais.

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Usiminas, com números bastante positivos, teve alta durante boa parte da sessão, ajudada também pelo dia mais positivo para o minério de ferro, assim como a Vale, que também divulgou bons números, mas sem surpreender tanto a expectativa dos analistas. Enquanto isso, a visão sobre o Bradesco diverge mais, assim como os analistas seguem com o debate sobre a sustentabilidade dos fortes números da Ambev. Veja abaixo as análises sobre os principais resultados e o que esperar para as companhias:

Petrobras (PETR3;PETR4)

Impressionantes – e superando as estimativas já de recuperação que os analistas de mercado tinham em meio à recuperação parcial dos preços do petróleo durante o terceiro trimestre.

Foi assim que os analistas receberam o resultado entre julho e setembro da Petrobras, com destaque para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), de R$ 33,4 bilhões em termos ajustados, entre outros pontos, e que fizeram os analistas relevarem o prejuízo líquido de R$ 1,546 bilhão. O prejuízo é o terceiro seguido em termos trimestrais para a companhia, que acumula dado negativo de R$ 52,7 bilhões nos primeiros nove meses do ano.

A forte geração de caixa operacional, com R$ 46 bilhões no trimestre, crescimento de 40% na comparação anual e a margem Ebitda [Ebitda/receita líquida] de 47,2% foram destacadas pelo Bradesco BBI.

Os analistas Vicente Falanga e Gustavo Sadka ressaltam, em relatório entitulado “O que você [no caso, a Petrobras] vai fazer com todo esse caixa?” que o fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE, em inglês) foi de 12% no terceiro trimestre, mostrando assim ser compreensível que a Petrobras tenha flexibilizado sua política de pagamento de dividendos. Na véspera, a companhia instituiu uma nova política de dividendos que permite o pagamento de proventos mesmo sem a empresa ter registrado lucro (veja mais clicando aqui).

O Credit Suisse também apontou que os resultados foram surpreendentemente bons, também dando destaque para a geração de caixa, convertendo US$ 5,5 bilhões de dívida líquida em patrimônio líquido. “Este foi um feito particularmente impressionante, dado o profundo impacto que a covid-19 teve no setor do petróleo”, apontam os analistas.

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Também entre os pontos destacados como positivos, estiveram mais uma queda no custo de extração de petróleo do pré-sal, chegando a US$ 2,27 dólares, sem os custos de frete e participação governamental.

Houve uma forte redução do endividamento, com a amortização de quase R$ 80 bilhões em dívidas, reduzindo a alavancagem financeira (relação entre dívida líquida e o Ebitda) de 2,40 vezes para 2,33 vezes na comparação anual, já batendo a meta de dívida bruta para este ano, caindo de US$ 91 bilhões  para US$ 79,6 bilhões.

Também houve grande redução das despesas operacionais no segmento de refino, com a taxa de utilização superando os 80% no trimestre, ressalta a Levante Ideias de Investimentos. Isso permitiu diluir alguns custos fixos, além da volta de volume no refino nos segmentos automotivos.

Classificando o resultado como excelentes, os analistas Gabriel Francisco e Maira Maldonado, da XP, ressaltaram que, em um trimestre em que preços de petróleo Brent foram em média de US$ 43 o barril, a companhia conseguiu registrar uma geração de caixa em patamares considerados extraordinários, demonstrando a maior resiliência da companhia a menores preços de petróleo. Eles reiteraram a recomendação de compra das ações, com preços-alvo de R$ 30 por ação PETR4 e R$ 29 por ação PETR3.

Os analistas também destacaram que existem outros fatores positivos da tese de investimentos da Petrobras para se manter no radar no curto e médio prazo, com destaque para a execução do plano de venda de ativos da companhia. Ao todo, estimaram que tal plano possa gerar recursos entre R$ 89 e R$ 115 bilhões, com destaque para ativos de refino e gás natural.

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Os analistas destacam o ambiente de forte volatilidade no mercado de petróleo, com o brent voltando a operar abaixo dos US$ 40 em meio aos temores de novos bloqueios devido a uma segunda onda, especialmente na Europa, o que inclusive impactou os papéis a despeito dos resultados positivos.

Porém, em meio aos sinais positivos da companhia no sentido de desalavancar, reduzir custos de extração, tornar-se mais enxuta e pagar mais dividendos, a maior parte dos analistas segue otimista com o papel, ainda que avaliem o cenário de curto prazo como desafiador.

Conforme compilação da Refinitiv, de 7 casas de análise que cobrem o papel PETR3, 6 recomendam compra e só 1 manutenção, possuindo preço-alvo médio de R$ 32 para o ativo, o que corresponde a um potencial de valorização de 61% em relação ao fechamento de terça-feira. Para os ativos preferenciais, 7 recomendam compra e 1 manutenção, enquanto possuem preço-alvo médio de R$ 33,88 ou potencial de alta de 70%.

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Atenção ainda para os próximos planos da companhia: em teleconferência, o presidente da estatal brasileira, Roberto Castello Branco, afirmou que a Petrobras e parceiros (que incluem a anglo-holandesa Shell) poderão fazer uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de uma empresa criada para operar infraestruturas de escoamento e processamento de gás. A companhia anunciou no final de setembro a assinatura de contratos para compartilhamento de ativos de escoamento de gás do pré-sal junto à Shell Brasil, Petrogal Brasil e Repsol Sinopec Brasil.

Bradesco (BBDC3; BBDC4

Pela terceira sessão seguida, as ações de bancos voltaram a cair forte no início da sessão após o rali de outubro, registrando recuperação ao longo da sessão. A baixa, que começou no mesmo dia em que o Santander Brasil (SANB11) divulgou seus resultados, prosseguiu durante boa parte do dia na sessão pós-resultado do Bradesco, prosseguindo para as ações do banco.

Na avaliação geral dos analistas de mercado, o Bradesco, que teve lucro líquido recorrente de R$ 5,031 bilhões no terceiro trimestre, reportou números fortes. O lucro da instituição financeira representou alta de 29,9% na comparação com o segundo trimestre – quando teve resultado positivo de R$ 3,873 bilhões -, mas ainda com queda de 23,1% na comparação anual.

Conforme destaca o analista Marcel Campos, da XP Investimentos, os destaques do resultado foram: i) menor custo de crédito, uma vez que as recuperações vieram acima das expectativas e houve redução de provisões; ii) maiores receitas de serviços, dado que o banco se beneficiou de um maior nível de atividade econômica no trimestre; e iii) custos surpreendentemente controlados, uma vez que o banco manteve seus custos estáveis ​​no trimestre, embora o segundo trimestre tenha sido um período de menor atividade.

Por outro lado, : i) a margem financeira do banco surpreendeu negativamente caindo 8% na base trimestral, embora os ativos rentáveis tenham crescido 7% no mesmo período, devido a uma queda de 72 pontos-base na margem financeira sobre os ativos rentáveis (NIM); e ii) um número mais normalizado de sinistros e resultados financeiros deterioraram a operação de seguros que, apesar disso, acreditamos que a seguradora ainda se beneficia da baixa utilização pelos clientes.

“No geral, temos uma visão positiva e de alta qualidade para os resultados, pois não acreditamos que a margem financeira com o mercado e a sinistralidade de seguros do segundo trimestre sejam sustentáveis. No entanto, o sinal do banco sobre possíveis menores provisões pode tornar as estimativas de mercado conservadoras, implicando em uma relação de preço sobre o lucro esperado para 2021 atraente”, aponta o analista, que reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 27 para o ativo.

Os analistas do JPMorgan também apontaram os resultados como “bons”, em linha com as previsões, tendo como principal destaque positivo a impressionante queda dos custos de 8% no trimestre contra um ano antes em meio à baixa de 13% das despesas com pessoal e de 8% nas despesas administrativas.

Segundo eles, ainda que não esteja muito os índices de inadimplência, em função das renegociações  por causa da pandemia, é positivo que apenas 1,9% desses créditos prorrogados estejam com atraso.

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Para analistas do Credit Suisse, contudo, o resultado foi neutro. O lucro pré-provisão decepcionou, assim como o resultado da seguradora, sendo compensados na parte de despesas com provisões, melhores do que esperado.

Com o aumento das renegociações dos empréstimos causando um pouco de preocupação à primeira vista, os analistas destacaram que a queda do índice de inadimplência (NPL) incluindo renegociações e uma performance positiva dos ativos saudáveis dos portfolios renegociados continuam a apoiar a redução no custo de risco. “O Bradesco também demonstrou bastante disciplina na performance de gastos, algo que devemos continuar vendo, já que o banco deve continuar a reduzir e otimizar sua rede de distribuição”, avaliam.

Em teleconferência, Octavio de Lazari, presidente do Bradesco, destacou otimismo, apontando que o banco deve ver seu lucro voltando para patamares de antes da pandemia no ano que vem, caso a pandemia de coronavírus não piore.

A taxa de inadimplência do banco deve atingir um pico no primeiro semestre de 2021, disse ele, mas o Bradesco vê suas provisões extraordinárias em níveis adequados para enfrentá-la.

Contudo, apesar de manter algum otimismo para 2021, o banco divulgou nesta quinta-feira uma previsão mais cautelosa para seus resultados de 2020. O Bradesco vê a margem financeira crescendo menos que sua carteira de crédito. O banco anteriormente previa aumento em linha com os de empréstimos. O Bradesco disse ainda que os resultados da unidade de seguros e as receitas de tarifas devem estar sob pressão.

Vale destacar que alguns pontos estão no radar dos investidores, não só para o Bradesco, mas para o setor em geral. O Citi, por exemplo, que avaliou o resultado como “moderadamente” positivo, apontam que há riscos em meio ao impacto da pandemia do coronavírus na economia mundial, aumentando a aversão ao risco da atividade voltar a ser impactada negativamente também aqui. Com isso, haverá aumento na inadimplência, o que afeta negativamente as provisões.

Ambev (ABEV3)

O debate que dominou o noticiário sobre as ações da Ambev prossegue após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre: afinal, até quando a empresa de bebidas líder no país vai continuar mostrando forte recuperação dos seus números?

A companhia, vale destacar, teve lucro líquido atribuído a controladores de R$ 2,274 bilhões no terceiro trimestre de 2020, queda de 8,9% em relação ao mesmo intervalo de 2019. Já o lucro líquido reportado no período teve alta de 2,2%, para R$ 2,495 bilhões, na mesma base de comparação.

Contudo, o Ebitda ajustado somou R$ 5,073 bilhões no terceiro trimestre, aumento de 15% sobre igual intervalo de 2019. Já a receita líquida do terceiro trimestre somou R$ 15,604 bilhões, aumento de 30,5% sobre igual intervalo de 2019. Com isso, a margem Ebitda (Ebitda/receita líquida) ajustada atingiu 32,5%, queda de 4,4 pontos porcentuais sobre o indicador do ano passado.

Mas o grande destaque do resultado ficou para um número bastante esperado – e que veio acima das expectativas: o crescimento do volume de vendas de cerveja no Brasil, com alta de 25% na base de comparação anual, enquanto a expectativa dos analistas era entre 15% e 20% de alta.

“O impacto total da pandemia da covid-19 em nossos resultados futuros permanece incerto, mas nossas ações serão orientadas no sentido de manter o momentum da nossa recuperação em formato de “V” dos volumes e da receita”, disse a administração da cervejaria, nos comentários de desempenho. De acordo com a Ambev, o cenário permanece desafiador, mas a empresa se diz confiante da sua “posição forte” no mercado e de estar tomando “as decisões corretas”.

O Credit Suisse apontou que os resultados foram notáveis, com a margem Ebitda ficando um pouco abaixo do esperado em função do uso das latas de alumínio tomarem uma proporção maior do que o normal em detrimento dos retornáveis (maior margem). Vale destacar que, em meio à pandemia, a compra de cerveja em latas de alumínio aumentou dadas as restrições de mobilidade e, com os custos mais altos na comparação com as garrafas, as margens também são pressionadas.

Por outro lado, o banco suíço reforça que a pandemia trouxe uma melhora de posicionamento para a Ambev, sendo que a empresa já está com uma base de consumidores no nível pré-pandemia. Assim, eles mantém recomendação de compra para a ação ABEV3, destacando que ela está negociada com um desconto de 10% em relação ao histórico, o que eles veem como exagerado em função de uma boa execução dentro do difícil cenário da pandemia e também por conta do ganho de participação de mercado.

Também destacando os bons números da companhia, a XP ressalta que, entre os principais impactos no volume, América Central e no Caribe registrou queda (-10%), América Latina Sul veio em linha (0%) e Canadá novamente com bom resultado (+10%). “Tais dados confirmam como abordagens diferentes no controle da pandemia do covid-19 afetaram de maneira heterogênea a economia local e, portanto, o consumo em cada país. Conforme reportado pela empresa, o 3º trimestre foi marcado pela melhora nas vendas conforme as restrições devido à pandemia foram gradualmente removidas”, apontam os analistas, que possuem recomendação de compra para os ativos, com preço-alvo de R$ 17,15.

Por outro lado, reforçando cautela com a ação, o Bradesco BBI ressaltou que, uma vez que os mercados que registraram melhor desempenho foram justamente aqueles com maiores programas governamentais, a expectativa é de que haja queda no desempenho conforme os programas também diminuam a partir do ano que vem.

“Com o fim esperado do auxílio emergencial no Brasil, projetamos que os volumes de cerveja da Ambev no Brasil cairão 2% em 2021”, afirmam, mantendo recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 15,50. Além disso, eles também ressaltam que pode haver uma pressão de custos e uma competição mais forte.

Já a XP destaca otimismo apesar dos desafios de curto prazo. “Os riscos de uma segunda onda de Covid-19 e da desvalorização do real frente ao dólar [sobre os custos] preocupam, mas as iniciativas de inovação da AmBev, além da liderança no mercado e o contínuo foco na excelência operacional tem trazido bons resultados”, avaliam os analistas.

Usiminas (USIM5)

O resultado da Usiminas animou o mercado: a siderúrgica informou que teve lucro líquido de R$ 198 milhões no terceiro trimestre, revertendo prejuízo de R$ 139 milhões.

O volume de vendas de aço teve queda 10% ano a ano e o de minério caiu 7% na mesma base de comparação, mas a receita cresceu 14%, conforme o setor siderúrgico tem conseguido implementar aumentos de preços de aço. Em relação ao segundo trimestre, porém, os volumes de vendas de aço e minério subiram 54% e 21%, com a receita avançando 81%. O Ebitda ajustado subiu 87%, para R$ 826 milhões, com a margem aumentando para 19%, de 11% um ano antes.

Com isso, a empresa divulgou seu segundo melhor Ebitda trimestral dos últimos 10 anos e o melhor caixa dos últimos sete anos, de R$ 3,7 bilhões.

Na avaliação de Yuri Pereira, analista da XP, os resultados foram sólidos, com melhor demanda por aço no mercado doméstico e preços de minério de ferro mais altos. A alavancagem mais baixa, medida pela razão entre dívida Líquida e EBITDA, de 1,2 vez (ante 2,2 vezes no segundo trimestre) foi consequência do resultado operacional mais forte, aponta o analista que, contudo, mantém recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 12.

No mercado doméstico, o principal negócio da Usiminas, as vendas dos distribuidores estão mais altas. O câmbio mais alto e os preços internacionais decentes afetam negativamente a paridade de importação (abaixo de -10%, na nossa visão) e abre espaço para aumentos de preços. “Olhando para frente, devemos ver números fortes no quarto trimestre com a recuperação econômica”, avalia.

Durante teleconferência, Alberto Ono, vice-presidente financeiro da Usiminas, destacou que a tendência é continuar buscando mais desalavancagem. No terceiro trimestre, a relação dívida líquida/Ebitda caiu a 1,2 vez, a menor entre as empresas listadas do setor no país.

“Entendemos que, no geral, uma empresa como a nossa tem que trabalhar mais conservadora nesse sentido”, disse o executivo. “Embora estejamos com bom nível de caixa, nos próximos dois anos vamos precisar de parte disso para o plano de investimento”, complementou, referindo-se ao projeto bilionário de reforma do alto-forno 3 de Ipatinga, que demandará recursos em 2021 e 2022.

Avaliando os resultados também como positivos, o Credit Suisse, contudo, manteve a recomendação neutra para os papéis, principalmente devido ao valuation da companhia. “Reconhecemos, contudo, que o ímpeto continua forte com aumentos sequenciais nos embarques de aço após a recuperação da economia, um ambiente saudável para a implantação de aumentos nos preços do aço no mercado doméstico e altos preços do minério de ferro”, apontam os analistas.

Vale (VALE3)

O destaque do resultado da Vale também ficou para o Ebitda, de US$ 6,1 bilhões, alta de 78% no trimestre, enquanto o fluxo de caixa livre das operações foi de US$ 3,8 bilhões, como resultado do forte Ebitda e da normalização do capital de giro, impulsionado pelo forte resultado operacional.

A geração de caixa representa um free cash flow yield (geração de caixa em relação ao valor da empresa) de 26,8% em base anual, um valor fortíssimo, destaca a Levante Ideias de Investimentos. “Cabe notar que, com essa geração de caixa, a Vale conseguiu pagar para seus acionistas US$ 3,33 bilhões em proventos, repagar sua linha de crédito rotativo no valor de US$ 5 bilhões e ainda manteve uma posição de caixa saudável de US$ 9 bilhões”, aponta a equipe de análise.

A mineradora registrou lucro de US$ 2,908 bilhões no terceiro trimestre de 2020, uma alta de 192% ante o lucro de US$ 995 milhões do segundo trimestre e de 76% sobre os US$ 1,654 bilhão do mesmo período do ano passado.

Segundo a mineradora, o melhor resultado se deu principalmente ao maior Ebitda no trimestre e à melhora no resultado de participações, já que no segundo trimestre foi fortemente impactado pelas provisões de despesas futuras com Samarco e Fundação Renova. “Os efeitos positivos foram parcialmente compensados por maiores despesas financeiras, principalmente devido a maior marcação a mercado das debêntures participativas e a reavaliação do valor justo das garantias financeiras emitidas pela Vale”, explicou a empresa.

A empresa apresentou um desempenho sólido em sua divisão de ferrosos, devido aos preços de minério de ferro que se mantiveram elevados, embora os seus embarques ainda tenham sido abaixo do potencial no período, ressalta a Levante.

O preço realizado de finos de minério de ferro totalizou US$ 112,10 a tonelada., ante US$ 89,20 no mesmo período de 2019.

“No geral, os números melhoraram bastante sequencialmente, principalmente devido a entregas mais fortes e preços realizados tanto de minério, quanto de níquel e cobre, também maiores”, apontaram os analistas do Credit que, contudo, viram os números em linha com o esperado. Eles mantém recomendação equivalente à compra para os papéis, esperando mais um ano de preços fortes do minério em 2021 (media de US$ 105 a tonelada).

Em teleconferência, a Vale também se mostrou positiva sobre atingir a meta de produção até o fim do ano, ainda que com uma certa cautela. A companhia destacou esperar manter taxas robustas de produção de minério de ferro no quarto trimestre, mas apontou haver riscos ligados a atrasos no licenciamento e impactos com início da estação chuvosa.

O diretor-executivo de Ferrosos da Vale, Marcello Spinelli, disse em teleconferência que a companhia está produzindo “na casa de 1 milhão de toneladas ao dia” de minério de ferro, o que seria suficiente para atingir o nível mais baixo da meta para o ano, de entre 310 milhões e 330 milhões de toneladas, conforme divulgado anteriormente.

A Vale destacou o recorde de produção no terceiro trimestre no Sistema Norte, que inclui o S11D, e uma “sólida produção nos sistemas Sul e Sudeste”. Mas citou riscos de atrasos na Serra Leste, no Sistema Norte, por exemplo.

Mais resultados 

Pão de Açúcar (PCAR3)

O GPA registrou lucro líquido consolidado de R$ 386 milhões aos acionistas controladores no terceiro trimestre de 2020, o resultado é de alta de 151,3% ante o mesmo período de 2019. O Ebitda ajustado do grupo, por sua vez, ficou em R$ 1,663 bilhão, um crescimento de 74,5%.

A receita bruta consolidada do grupo foi de R$ 23,5 bilhões, alta de 11,2% sobre o mesmo período de 2019. O destaque, mais uma vez, foi o braço de atacarejo Assai. O faturamento do atacarejo foi de R$ 10,1 bilhões, incremento de R$ 2,5 bilhões ante o ano anterior. No conceito mesmas lojas o crescimento foi de 18,1%.

No multivarejo o faturamento ficou em R$ 7,4 bilhões, crescimento de 10,4% em mesmas lojas, excluindo postos e drogarias. O Grupo Éxito faturou R$ 6 bilhões, avanço de 23,7% nas vendas totais e de 2,3% no critério mesmas lojas, excluindo postos e em moeda constante.

A companhia tem em caixa R$ 7,3 bilhões, o que corresponde a 124% da dívida de curto prazo (12 meses).

Conforme destaca a XP, o GPA reportou resultados sólidos, em linha com as estimativas. No Brasil, o faturamento bruto foi de R$ 17,5 bilhões, acima da estimativa da equipe de análise, com o principal destaque sendo a operação de atacado (Assaí) com crescimento de vendas mesmas lojas em 18,1% na comparação anual.

O Credit ressaltou que os bons resultados foram impulsionados principalmente pela demanda ainda forte diante do contexto do Covid-19. Na avaliação dos analistas, a empresa entregou um crescimento decente de receita e margens ajustadas saudáveis. Contudo, apesar dos bons resultados, a companhia teve uma performance pior do que a do Carrefour.

“Olhando pra frente, continuamos construtivos com PCAR3, dado o perfil defensivo do varejo alimentar (especialmente importante em meio às crescentes incertezas de uma potencial segunda onda de Covid-19), com forte momentum e valuation descontado. Além disso, existem catalisadores de curto prazo, como a listagem de seu segmento de atacarejo [Assaí], que por si só poderia valer mais do que o valor de mercado atual do Pão de Açúcar, reforçando nossa visão positiva sobre o case”, avaliam os analistas.

Sobre isso, em teleconferência, os executivos da companhia avaliaram que o Assaí pode ser uma empresa listada no Brasil e nos Estados Unidos já no começo de 2021.

Já com relação ao auxílio emergencial, o Assaí não percebeu desaceleração das vendas do varejo alimentar como consequência do menor valor do programa. Contudo, no multivarejo, o GPA destaca que, recentemente, percebe os consumidores procurando produtos de marcas mais populares.

Multiplan (MULT3)

A administradora de shopping centers Multiplan teve forte alta do lucro no terceiro trimestre, sob a influência pontual da venda de um ativo, mas as receitas seguiram sob pressão, diante dos efeitos econômicos da Covid-19.

A companhia teve lucro líquido de R$ 568,7 milhões de julho a setembro, um salto de 368% ante mesma etapa do ano passado. O Ebitda atingiu R$ 703,85 milhões, o triplo do apurado um ano antes. A pesquisa Refinitiv com analistas apontava Ebitda de R$ 121,2 milhões.

Em julho, a Multiplan vendeu o edifício Diamond Tower por R$ 810 milhões, operação que contribuiu R$ 547,1 milhões para o Ebitda e R$ 519,8 milhões paro o lucro líquido. O edifício foi desenvolvido por R$ 266,8 milhões.

Considerando indicadores operacionais, porém, a receita de locação no trimestre foi de R$ 150,2 milhões, queda de 43,7% sobre mesma etapa de 2019, com a Multiplan citando condições facilitadas de aluguel oferecidas a lojistas após a suspensão temporária das operações de varejo e restrições operacionais ainda em vigor, ligadas ainda à pandemia.

“A companhia tem sido seletiva na assinatura de novos contratos com lojistas, a fim de priorizar a receita de locação e a qualidade de seu mix”, afirmou a Multiplan no balanço.

Além disso, a receita de estacionamentos caiu 59,3% no comparativo ano a ano, para R$ 22,3 milhões. A empresa ainda reportou inadimplência líquida de 7,2%, bem menor do que os 16,3% do trimestre anterior, porém mais de 10 vezes os 0,6% de um ano antes.

Porém, a companhia citou dados que mostram evolução gradual dos negócios, conforme medidas de quarentena são retiradas pelo país. As vendas dos lojistas dos shoppings da Multiplan em setembro foram 74,6% do vendido um ano antes, enquanto as do terceiro trimestre como um todo foram 58,4% do apurado de julho a setembro de 2019.

“O quarto trimestre começou seguindo a tendência observada no terceiro trimestre. Em outubro, as vendas dos lojistas já registravam a maior marca desde março, alcançando 80,8% dos níveis do ano passado”, afirmou a empresa. O grupo ainda comentou que mais da metade dos shoppings atingiram 80% dos níveis do ano passado, sendo que 5 ultrapassaram a marca de 90%.

Para o Credit Suisse, os resultados corroboram a visão do banco suíço de que a volta do setor está mais acelerada do que o esperado e que a estratégia adotada apoiando os inquilinos durante o pico da pandemia valeu a pena.

A maioria dos números operacionais apontam para uma recuperação (vendas, aluguel, inadimplência) enquanto que vacância expandiu levemente. “Olhando para frente, esperamos que os resultados melhorem ainda mais com a normalização do horário de abertura e área de lazer”, avaliam os analistas.

Eles ressaltam que os investidores têm sido cautelosos, com medo de uma deterioração no curto prazo ou mudanças estruturais de longo prazo. Contudo, o balanço demonstra que ambas as preocupações foram exageradas. O banco suíço reitera recomendação outperform e top pick para o papel.

“Os números apresentados pela Multiplan foram positivamente afetados pela venda do edifício comercial Diamond Tower, mas as vendas dos lojistas apresentaram trajetória de recuperação mostrando que o pior ficou para trás no setor de shopping centers, com redução do nível de inadimplência”, avalia a Levante.

Odontoprev (ODPV3)

A Odontoprev teve lucro atribuído aos acionistas de R$ 85,8 milhões no terceiro trimestre, uma alta de 60% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A receita de vendas e serviços da companhia caiu 4,92%, para R$ 430,35 milhões.

As despesas operacionais foram de R$ 134,14 milhões, queda de 14,26% frente o mesmo período de 2019.

O Credit Suisse destacou que a empresa adicionou 121 mil beneficiários em comparação com o segundo trimestre, uma alta de 1,7%. Mesmo assim, ainda ficou com 153 mil beneficiários a menos do que no primeiro trimestre.

O banco ressaltou que as adições são principalmente em planos individuais. Para o banco, o movimento mostra o poder de fogo da Odontoprev no segmento de massa, o que “compensa a estagnação nos planos corporativos”. Mas avalia que a empresa ainda precisa crescer a partir de uma base de beneficiários reduzida, em um cenário macroeconômico difícil. O banco manteve a avaliação como neutra, com preço alvo de R$ 15.

O Morgan Stanley destacou que a receita da Odontoprev caiu 5% frente o terceiro trimestre de 2019, com ambiente corporativo desafiador. O banco avaliou que a empresa é uma das melhores de seu setor, mas deve sofrer pressão sobre suas margens em 2021. Mesmo assim, classificou os resultados como bons, e destacou que elevou a avaliação das ações recentemente para equal weight. O preço-alvo é de R$ 13,50.

Cesp (CESP6)

A Cesp (Companhia Energética de São Paulo) reportou prejuízo líquido de R$ 58,52 milhões no terceiro trimestre de 2020. No mesmo período de 2019, o prejuízo fora de R$ 7,85 bilhões. Quando se considera os nove primeiros meses de 2020, a Cesp registrou lucro de R$ 133,08 milhões, frente prejuízo de R$ 170,1 bilhões no mesmo período de 2019.

O lucro Ebitda foi de R$ 228,8 milhões no período, aumento de 2% frente o ano anterior. A margem Ebitda ajustada no trimestre foi de 50% da receita bruta total, 6 pontos percentuais a menos do que o mesmo período do ano anterior.

O endividamento bruto em 30 de setembro de 2020 era de R$ 1,77 milhões, frente R$ 1,791 milhões no final de 2019.

O Itaú BBA afirmou que os resultados da Cesp estão em linha com o esperado, e avaliou suas ações como outperform, e preço alvo de R$ 38.

Tupy (TUPY3)

A fabricante de blocos e cabeçotes de motores Tupy reportou lucro líquido de R$ 128,02 milhões no terceiro trimestre de 2020, um avanço de 92,6% no mesmo período de 2019. Foi o maior resultado líquido da história da companhia.

Mesmo assim, quando se considera os nove primeiros meses de 2020, a empresa registra prejuízo de R$ 162,3 milhões, frente lucro de R$ 206,37 milhões um ano antes.

O Ebitda foi de R$ 257,47 milhões, frente R$ 206,59 milhões no terceiro trimestre. Nos nove primeiros meses de 2020, o Ebitda foi de R$ 419,73 milhões.

A receita da companhia para o terceiro trimestre de 2020 foi de R$ 1,25 bilhão, queda de 6,6% frente o mesmo período do ano anterior. A receita acumulada nos nove primeiros meses do ano foi de R$ 2,987 bilhões, queda de 25,8% frente o mesmo período de 2019.

O BBI avaliou positivamente os resultados, destacando a margem Ebitda recorde de 21% (alta de 5,2 pontos percentuais na base anual) em meio ao maior controle de custos, recuperação de volumes e real mais fraco. Os analistas mantiveram a recomendação outperform e elevaram o preço-alvo em 3%, para R$ 35.

EDP Brasil (ENBR3)

A EDP Energias do Brasil, do setor de geração, distribuição e comercialização de energia, divulgou na quarta-feira (28) resultado do terceiro trimestre de 2020. A empresa teve lucro líquido de R$ 299,772 milhões, queda de 15,3% frente o mesmo período do ano anterior.

O lucro Ebitda foi de R$ 699,408 milhoes, queda de 10,2% frente o trimestre anterior. A margem Ebitda foi de R$ 590,144 milhões, alta de 19,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. E a receita líquida foi de R$ 3,006 bilhões, frente R$ 3,435 bilhões no mesmo período do ano anterior.

A dívida líquida ficou em R$ 5,801 bilhões, alta de 4,4% frnete o terceiro trimestre de 2019.

O Itaú BBA classificou os resultados como “neutros”, dentro de suas expectativas. O banco ressaltou que a EDP pretende implementar um programa de recompra de até 24,8 milhões de ações nos próximos 18 meses. A empresa recomprou 3 milhões no terceiro trimestre. O Itaú BBA avalia as ações como outperform, e preço alvo de R$ 19, frente os R$ 17,5 atuais.

O Credit Suisse avaliou que os resultados da EDP são bons e dentro das expectativas, mas indicam que os impactos da Covid ainda estão sendo sentidos, com a dívida líquida aumentando em parte para fazer caixa durante a pandemia. O banco classificou as ações como outperform, com preço-alvo de R$ 24,60.

(Com Reuters e Agência Estado)

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