Reajustes

Petrobras (PETR4 PETR3) reajusta preços dos combustíveis; aumento vale a partir de sábado

A partir de amanhã, o preço médio da gasolina às distribuidoras passará de R$ 3,86 para R$ 4,06 por litro, e do diesel de R$ 4,91 para R$ 5,61

Por  Equipe InfoMoney -

A Petrobras (PETR3;PETR4) anunciou nesta sexta-feira (17) que aplicará reajustes nos seus preços de venda dos combustíveis para as distribuidoras, após quase cem dias de congelamento dos valores da gasolina nas refinarias e de quase 40 dias do diesel. Os aumentos valem a partir deste sábado (18).

No caso da gasolina, o reajuste foi de 5,18%, enquanto para o diesel atingiu 14,26%. A estatal manteve os preços do GLP (gás de cozinha). Em nota, a Petrobras reiterou seu compromisso com a prática de preços competitivos e em equilíbrio com o mercado.

Também destacou que tem evitado o repasse imediato para os preços internos da volatilidade das cotações internacionais do petróleo e da taxa de câmbio.

No fechamento, as ações da petroleira desabaram: os papéis ONs recuaram 7,25%, cotados a R$ 29,93; e os PNs caíam 6,09%, a R$ 27,31.

Mesmo com o reajuste, as ações da companhia sofrem uma tempestade perfeita, acompanhando as perdas do Ibovespa, de menos 2,91%, que se ajustou à desvalorização das ADRs da véspera, quando a B3 esteve fechada, em meio ao cenário de alta dos juros.

Além disso, analistas apontam que o reajuste de hoje não compensa totalmente a defasagem entre os preços praticados no exterior e no território nacional, e pode desencadear ameaças de intervenção na empresa e a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Conselho de Administração da estatal petrolífera.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), elevou ainda mais o tom das críticas à empresa, ameaçando elevar a taxação sobre o lucro da empresa.

No mais, as cotações do petróleo no mercado internacional recuaram, com o barril do tipo Brent, referência para a Petrobras, caindo 5,28%, para US$ 113,48.

A autorização para o reajuste foi referendada ontem pelo Conselho de Administração da petroleira.

Petrobras reajusta diesel e gasolina

Com os reajustes anunciados hoje, após 99 dias, o preço médio de venda de gasolina da Petrobras para as distribuidoras passará de R$ 3,86 para R$ 4,06 por litro. O último ajuste ocorreu em 11 de março.

“Considerando a mistura obrigatória de 73% de gasolina A e 27% de etanol anidro para a composição da gasolina comercializada nos postos, a parcela da Petrobras no preço ao consumidor passará de R$ 2,81, em média, para R$ 2,96 a cada litro vendido na bomba. Uma variação de R$ 0,15 por litro”, afirmou a petroleira, em comunicado.

Para o diesel, após 39 dias, o preço médio de venda da Petrobras para as distribuidoras passará de R$ 4,91 para R$ 5,61 por litro. O último ajuste ocorreu em 10/05.

O impacto do reajuste no preço do diesel é mais relevante. A parcela da Petrobras no preço ao consumidor passará de R$ 4,42, em média, para R$ 5,05 a cada litro vendido na bomba, resultando em uma variação de R$ 0,63 por litro.

Dados da Associação Brasileira dos Importadores e Combustíveis (Abicom) mostravam que há defasagem média de -21% no óleo diesel e de -13% para a gasolina, no relatório desta sexta-feira, que não contemplava o anúncio de hoje da Petrobras.

Preço final

Ainda no comunicado, a Petrobras reforça que os preços de venda da estatal para as distribuidoras, tendo como referência os preços de mercado, são apenas uma parcela dos preços que chegam ao consumidor final.

“Para formação do preço na bomba ainda são adicionadas parcelas da mistura obrigatória de etanol anidro e biodiesel à gasolina A e ao diesel A produzidos nas refinarias, custos e margens de distribuição e revenda, e tributos federais e estaduais. No caso do diesel, atualmente, a tributação limita-se ao ICMS, imposto estadual, uma vez que os tributos federais PIS/Pasep e Cofins tiveram suas alíquotas zeradas a partir de 11/03 até 31/12/2022”, afirmou a petroleira.

Reações

Na iminência do aumento do preço dos combustíveis, o presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, nas redes sociais, hoje mais cedo, que a medida poderia “mergulhar o Brasil num caos“. O Presidente relembrou ainda o impacto da greve dos caminhoneiros em 2018 e as consequências para a economia e a população dos reajuste.

Após a confirmação do reajuste, Bolsonaro classificou, em entrevista ao Meio Dia RN, o novo reajuste como uma “traição”, acrescentando que discute com Lira a criação de uma CPI.

“Conversei agora há pouco com o Arthur Lira, a ideia nossa é propor uma CPI para investigar presidente da Petrobras, seus diretores e conselho”, disse. “Queremos saber se há algo errado nessa conduta deles”, completou.

Também após o anúncio, o presidente da Câmara reagiu pelo Twitter, afirmando que o presidente da Petrobras tem que renunciar “imediatamente”.

“Não por vontade pessoal minha, mas porque não representa o acionista majoritário da empresa – o Brasil – e, pior, trabalha sistematicamente contra o povo brasileiro na pior crise do país.”

Já em entrevista à GloboNews, Lira afirmou que reunirá o colégio de líderes para discutir a política de preços da Petrobras e tentar reverter o lucro da estatal para a população.

Segundo ele, há “toda possibilidade” de uma eventual taxação de lucros da Petrobras, ressaltando que medida similar está para ser implementada nos EUA.

Lira acrescentou que a nova alta é uma retaliação do presidente da Petrobras, Mauro Coelho, pela sua demissão. Coelho foi demitido no mês passado e será substituído por Caio Mario Paes de Andrade, indicado para o posto.

“Ele (Coelho) já poderia ter entregue seu cargo. Está postergando sua saída como forma de talvez massacrar, pela sua demissão”, disse Lira.

O presidente da Câmara afirmou ainda que reunirá o colégio de líderes para discutir a política de preços da Petrobras e tentar reverter o lucro da estatal para a população.

Mercado

Em análise, o Credit Suisse afirmou que o anúncio é positivo para a empresa, mas ressalvou que “pode aumentar a pressão política”. “A alta reduz o desconto da paridade importação, que agora é de -10% para o diesel (R$ 0,60/litro) e de -14% para a gasolina (-R$ 0,60/litro).

O Morgan Stanley avalia que, após os aumentos, a gasolina ainda terá um “desconto significativo” de 18% em relação à paridade internacional (versus 23% atualmente), enquanto poderá fechar “principalmente a lacuna atual para o diesel”, de aproximadamente 17% para 5% desconto.

“Do ponto de vista dos fundamentos, a alta de hoje (dos preços) foi um movimento positivo, pois a empresa continua investindo em esforços para acompanhar benchmarks internacionais. No entanto, a magnitude do reajuste do preço da gasolina poderia ter sido muito maior, a nosso ver”, acrescentou.

Os analistas destacaram que o reajuste pode aumentar o nível de ruído em torno do debate sobre combustíveis no Brasil, que tem sido central na campanha pré-eleitoral de todos os candidatos.

“Nossa preocupação é que o governo possa intensificar suas tentativas de intervir na política da empresa para mostrar à população o compromisso de combater a inflação antes das eleições”, escreveu.

Falta de sensibilidade

O consultor Adriano Pires, que chegou a ser indicado neste ano para o posto de CEO da petroleira, disse que a Petrobras fez a coisa certa do ponto de vista técnico, “mas está faltando sensibilidade à empresa do ponto de vista político e social por conta do momento que o mundo está passando”.

“Qualquer empresa privada e de economia mista sabe que não tem que levar a gestão a ferro e fogo. Tem que ter sensibilidade política, por que não aumentar depois ou aumenta menos? Falta à Petrobras essa sensibilidade…”, disse Pires, citando o “mega esforço” e a “briga” com governadores para reduzir o ICMS.

“Aí vem a Petrobras numa canetada e estraga a festa!?”, afirmou ele, acrescentando que o governo também deveria ter tomado ações prévias para evitar impactos para os consumidores.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

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