Mercados

Índice de ADRs brasileiros segue mercados globais e cai 4,48% no feriado de Corpus Christi

Bolsas devolvem ganhos da véspera diante de novos anúncios de elevações de juros ao redor do mundo e temores de recessão

Por  Equipe InfoMoney -

Com a B3 fechada nesta quinta-feira (16), devido ao feriado de Corpus Christi, o termômetro do mercado para os investidores migrou para os ADRs (American depositary receipts), recibos de ações de empresas brasileiras negociados nas bolsas dos Estados Unidos.

E o dia foi especialmente ruim para os papéis, que acompanharam a queda generalizada dos mercados americanos. O índice Dow Jones Brazil Titans 20 ADR, que reúne as principais empresas brasileiras listadas na B3 com recibos de ações negociados nos EUA, fechou com queda de 4,48%, cotado aos 16.663 pontos.

O recuo superou a queda dos três principais índices de ações americanos, que devolveram todo o ganho obtidos na véspera. Dentre eles, o Nasdaq – que carrega o peso das empresas de tecnologia – teve o pior desempenho. Fechou com baixa de 4,08%, aos 10.646 pontos.

O S&P 500, por sua vez, terminou o dia com uma queda 3,25%, aos 3.666 pontos, enquanto o Dow Jones recuou 2,42%, aos 29.927 pontos.

Dentre os principais ADRs brasileiros, nenhum subiu.

Os mercados reverteram o movimento de quarta-feira (14) – dia em que o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) anunciou uma elevação de 0,75 ponto percentual nos juros do país, a maior desde 1994, e o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central alçou a Selic ao patamar de 13,25% ao ano, após promover uma alta de 0,50 ponto percentual na taxa.

A interpretação geral do mercado foi a de que o Fed acertou em sua deliberação, e as bolsas subiram na véspera. Jerome Powell, presidente do Fed, admitiu em entrevista que a elevação de 0,75 ponto foi um ponto fora da curva, mas antecipou que uma nova alta – de 0,50 ou 0,75 ponto – é o movimento mais provável na próxima reunião da autoridade monetária, em julho.

Nesta quinta, no entanto, o sentimento do mercado voltou a azedar. “Ontem, o Fed cumpriu o que as pessoas esperavam. Ele estava combatendo o índice de preços ao consumidor, que estava muito acima do esperado e demonstrou preocupações sobre a inflação ser tão agressiva. Os investidores agora estão lembrando que o contrário disso é uma desaceleração da economia”, disse Susan Schmidt, da Aviva Investors, à CNBC.

Essa visão refletiu sobre alguns ADRs brasileiros em especial. Os que mais recuaram foram os das companhias aéreas Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4). Na visão de Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch, as empresas provavelmente sofreram mais por terem endividamento em dólares (que tende a valorizar com a elevação dos juros nos EUA) e pelos reflexos da redução da atividade econômica sobre seus resultados.

Confira como fecharam os principais ADRs de empresas brasileiras nesta quinta-feira (16), dia de Bolsa fechada no Brasil:

EmpresaADRPreço (em US$)Variação (%)
AzulAZUL7,47-11,07
GolGOL3,60-10,00
EmbraerERJ8,45-7,85
BRFBRFS2,38-7,03
PetrobrasPBR12,08-5,33
PetrobrasPBR.A10,90-5,22
GerdauGGB4,75-5,19
CSNSID3,38-5,06
Itaú UnibancoITUB4,43-4,63
ValeVALE15,52-4,55
Grupo UltraUGP2,39-4,40
GPACBD3,43-4,19
Telefônica BrasilVIV8,93-3,98
TIMTIMB11,90-3,95
SantanderBSBR5,78-3,83
BradescoBBD3,53-3,55
AmbevABEV2,45-3,54
SabespSBS8,10-3,28
CemigCIG2,15-2,71
EletrobrasEBR.B8,01-1,60

Política monetária apertada ao redor do mundo

As notícias de política monetária vindas da Europa também tiveram um peso grande sobre os mercados ao redor do mundo.

O Banco da Inglaterra (BoE) decidiu elevar sua taxa básica de juros pela quinta vez consecutiva, em 25 pontos-base , para 1,25% ao ano, em meio à persistência da inflação alta no Reino Unido

Segundo comunicado do BoE, seis de seus nove dirigentes de política monetária votaram pelo aumento do juro básico para 1,25% nesta quinta-feira. Os três dissidentes defenderam um aumento mais agressivo da taxa, para 1,50% ao ano.

Já o Banco Central da Suíça (SNB) anunciou um inesperado aumento de juros de 50 pontos-base, o primeiro desde setembro de 2007. A taxa básica do país alcançou a faixa de -0,75% a -0,25% ao ano, numa tentativa de conter a inflação doméstica – que acelerou para um índice anual 2,9% em maio, maior nível em mais de uma década.

Como consequência, as ações europeias caíram para os níveis mais baixos em 16 meses nesta quinta-feira (16). Já sob pressão na abertura após o grande aumento da taxa de juros feito pelo Fed nos EUA, o benchmark STOXX 600 caiu ainda mais após o SNB anunciar sua elevação. O índice caiu 2,5%, chegando ao menor patamar desde fevereiro de 2021.

“Já é hora de sairmos desse mundo artificial de injeções de liquidez maciças previsíveis, em que todos se acostumam com taxas de juros zero, onde fazemos coisas bobas, seja investindo em partes do mercado em que não deveríamos investir ou investindo na economia de maneira que não faz sentido”, disse Mohamed El-Erian, consultor-chefe de investimentos da Allianz em entrevista à CNBC.

Essa transição, no entanto, não deve acontecer sem percalços. “Vemos como cada vez mais provável que uma recessão e desemprego mais alto sejam necessários para domar a inflação, com uma imagem macro tão sombria pairando sobre os mercados”, disse à Reuters Geir Lode, chefe de ações globais da Federated Hermes Limited.

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