Petrobras e PRIO caem forte na semana após acordo EUA-Irã: é oportunidade de compra?

Setor acompanha queda da commodity, mas geração de caixa ainda sustenta teses positivas, apontam analistas

Lara Rizério

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As ações das petroleiras brasileiras registram baixa na semana, seguindo a queda do petróleo de cerca de 8% após Israel e o Hezbollah concordarem com um cessar-fogo no Líbano no último fim de semana, enquanto o Irã estabelecia condições para a utilização do estratégico Estreito de Ormuz.

Os papéis da Brava (BRAV3) caíam, até o início da tarde desta sexta-feira (19), cerca de 9% na semana, também por conta de impasse para o fechamento de capital da companhia, que tem guiado o desempenho das ações.

Já as ações de PetroRecôncavo (RECV3), Petrobras (PETR3;PETR4) e PRIO (PRIO3) encerram o período com baixa entre 5% e 7%.

Os papéis acabam por serem guiados fortemente pelo desempenho do petróleo, o que também gera questões sobre se vale a pena ter ativos do setor, de olho também nos próximos passos da commodity. O Goldman Sachs, por exemplo, reduziu sua previsão para o preço do Brent no quarto trimestre de US$ 90 para US$ 80 por barril e cortou sua estimativa média para 2027 de US$ 80 para US$ 75, afirmando que agora assume que as exportações do Golfo retornarão aos níveis pré-guerra até o final de julho, em vez do final de agosto.

Contudo, analistas seguem positivos com o setor, ainda que vendo diferenças importantes entre as petroleiras. Em relatório logo após o acordo, a XP afirmou que Petrobras e PRIO continuam sendo as principais recomendações no setor, devido ao balanço entre risco e retorno.

As duas companhias são também as mais sensíveis às variações do preço do petróleo. A cada queda de US$ 10 no barril, o rendimento de fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE) diminui cerca de 3,6 pontos percentuais para PRIO, 2,8 pontos percentuais para Petrobras, 2,4 pontos para PetroReconcavo e 1,8 ponto para Brava Energia.

Ainda assim, a casa avalia que os níveis atuais do petróleo seguem elevados o suficiente para sustentar uma geração de caixa robusta.

A XP tem recomendação de compra para Petrobras, PRIO e Brava, com preços-alvo respectivos de R$ 63, R$ 78 e R$ 25 e neutra para RECV3, com preço-alvo de R$ 13.

De acordo com relatório da XP, a avaliação das petroleiras brasileiras continua atrativa. Mesmo com a recente acomodação do petróleo, a casa destaca que, se o Brent alcançar média de US$ 90 por barril entre o segundo e o quarto trimestre de 2026, os rendimentos de FCFE (Fluxo de Caixa Livre para o Acionista) permanecem elevados — cerca de 24% para PRIO e 15% para Petrobras, suas principais escolhas no setor.

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Mesmo em um cenário mais conservador, com o Brent a US$ 70 por barril em 2027, os retornos seguiriam robustos: aproximadamente 23% para PRIO, 11% para Petrobras e 8% para PetroReconcavo, enquanto a Brava poderia alcançar quase 30%, beneficiada por menor necessidade de investimentos (capex).

Na leitura da XP, Petrobras e PRIO seguem oferecendo o melhor equilíbrio entre risco e retorno no curto e médio prazo, enquanto a Brava pode ganhar atratividade caso o petróleo sustente níveis acima de US$ 70 por barril.

Corroborando a visão positiva, os analistas do JPMorgan reiteraram visão positiva para as ações da Petrobras, mesmo com a queda recente dos ativos. Para o banco, a petroleira estatal desponta como uma das histórias mais robustas entre as grandes globais do setor, combinando crescimento consistente, forte geração de caixa e elevada distribuição de dividendos.

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“Reiteramos nossa recomendação de compra e vemos a recente fraqueza do preço das ações como uma oportunidade para aumentar a exposição a uma rara combinação de crescimento e rendimento”, apontam os analistas.

Apesar do cenário geral mais positivo, o curto prazo tende a ser mais desafiador. Para Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, o impacto imediato da queda do petróleo é “direto e majoritariamente negativo”.

Segundo ele, a Petrobras sofre com compressão de margens operacionais, enquanto empresas independentes, como PRIO, perdem parte da atratividade à medida que o Brent se afasta dos níveis que justificam investimentos mais agressivos em exploração.

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.