Acordo EUA-Irã derruba petróleo: ainda há espaço para queda?

Goldman Sachs reduziu sua previsão para o preço do Brent no quarto trimestre de US$ 90 para US$ 80 por barril e cortou sua estimativa média para 2027 de US$ 80 para US$ 75

Lara Rizério

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Bomba de petróleo e torre de perfuração ao sul de Midland, Texas, EUA - 
11/06/2025
(Foto: REUTERS/Eli Hartman)
Bomba de petróleo e torre de perfuração ao sul de Midland, Texas, EUA - 11/06/2025 (Foto: REUTERS/Eli Hartman)

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A expectativa por um acordo de paz final entre EUA e Irã segue impactando as projeções do mercado, incluindo para o petróleo, com o contrato brent indo para a casa dos US$ 80 o barril.

Com isso, diversas casas passaram a revisar seus números para a commodity.

O Goldman Sachs reduziu sua previsão para o preço do Brent no quarto trimestre de US$ 90 para US$ 80 por barril e cortou sua estimativa média para 2027 de US$ 80 para US$ 75, afirmando que agora assume que as exportações do Golfo retornarão aos níveis pré-guerra até o final de julho, em vez do final de agosto.

André Matos, CEO da MA7 Negócios, destaca que o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, com assinatura prevista para 19 de junho na Suíça, e a sinalização de Trump para a reabertura do Estreito de Ormuz sem pedágio mudaram completamente o vetor de preço para o petróleo.

Daqui para frente, avalia, a tendência é de acomodação em torno do intervalo de US$ 80 a US$ 86, com viés ainda altista caso a transição de fluxo demore a se normalizar ou caso haja qualquer ruído na assinatura do acordo.

Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, acredita que o preço do brent deva se estabilizar em uma faixa entre US$ 75 e US$ 85, dependendo da velocidade da normalização das exportações iranianas e da resposta da OPEP+ em manter disciplina.

” Não vejo espaço para uma recuperação imediata e vigorosa sem novos choques de oferta, pois a demanda global segue moderada e os estoques tendem a se recompor”, aponta.

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, projeta que, após a forte valorização recente, o Brent deve buscar uma acomodação na faixa entre US$ 80 e US$ 85 por barril, desde que o acordo se efetive e sem novos conflitos.

Para as petroleiras da B3, avalia Lima, isso significa perda de um importante vetor de curto prazo, especialmente para Petrobras (PETR4), enquanto empresas como PRIO (PRIO3) e Brava (BRAV3) continuam sustentadas principalmente pela evolução operacional, embora preços mais baixos do petróleo reduzam o potencial de geração de caixa futura.

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Contudo, para Tamas Varga, analista da PVM Oil Associates, “levará tempo para que o petróleo se aproxime do nível pré-crise de 20 milhões de barris por dia navegando por esse ponto de estrangulamento. As estimativas para a retomada total do tráfego variam de semanas a meses”.

“Os investidores financeiros estão, portanto, apenas antecipando o fornecimento físico futuro, daí a atual queda nos preços do petróleo. A retomada lenta possivelmente resultará em um déficit de oferta ao longo de 2026.”

(com Reuters)

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.