Foco no pré-sal

Petrobras: dados de produção trazem prenúncio de resultados fortes do 3º trimestre, apontam analistas

Petroleira tem avançado na produção nas suas áreas mais prolíficas, com o pré-sal puxando o volume para cima.

A produção de petróleo e LGN da Petrobras (PETR3;PETR4) somou 2,269 milhões de barris por dia (bpd) entre julho e setembro, queda de 4% na comparação com o mesmo período de 2020 e avanço de 1,9% ante o trimestre anterior, informou a companhia nesta quarta-feira, em seu relatório de produção.

Ao mesmo tempo que realiza um amplo processo de desinvestimento de campos de menor produção e enfrenta declínio natural em ativos maduros em terra e no pós-sal, a petroleira também tem avançando na produção nas suas áreas mais prolíficas, com o pré-sal puxando o volume para cima.

O aumento da produção na comparação mensal, segundo a Petrobras, foi devido principalmente à entrada em operação em agosto do FPSO Carioca, no campo de Sépia, e à maior média de produção no trimestre do FPSO P-70, no campo de Atapu, que atingiu a capacidade máxima no início de julho.

“Tanto Sépia como Atapu estão localizados no pré-sal da Bacia de Santos, que vem se consolidando como uma área excepcional com grandes reservas, baixo risco e custos competitivos”, disse a petroleira, em nota à imprensa.

No pré-sal, a produção de petróleo da companhia somou 1,673 milhão de bpd, alta de 1,3% versus o mesmo período do ano passado e avanço de 3,3% ante o segundo trimestre.

A produção total de petróleo e gás natural, por sua vez, somou 2,83 milhões de barris de óleo equivalente ao dia (boe/d) entre julho e setembro, queda de 4,1% ante um ano antes.

Do total, a produção da Petrobras no pré-sal totalizou 2,01 milhões de boe/d no terceiro trimestre, representando 71% da produção total da companhia.

As vendas de derivados alcançaram volumes de 1,9 milhão de bpd no trimestre, alta de 10,7% na comparação com o mesmo trimestre de 2020 e avanço de 10,6 na comparação com o trimestre anterior, com aumento na comercialização de todos os produtos, destacando-se o crescimento da gasolina, do diesel e do QAV.

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“A produção de derivados nas refinarias também subiu 11% no mesmo período devido à maior demanda do mercado interno e maior disponibilidade das unidades de refino com a conclusão de paradas programadas de manutenção concentradas no trimestre anterior”, disse a Petrobras.

“Na comparação do segundo e do terceiro trimestre, o fator de utilização das refinarias aumentou de 75% para 85%.”

As vendas de diesel – combustível mais comercializado do país – entre julho e setembro somaram 867 mil bpd, alta de 15,8% na comparação com o mesmo período do ano passado e avanço de 6,4% ante o segundo trimestre.

Já as exportações de petróleo somaram 604 mil bpd no terceiro trimestre, queda de mais de 18% tanto na comparação anual quanto na mensal, diante de uma maior carga nas refinarias, à retomada da capacidade de refino após as paradas programadas e ao crescimento do mercado no trimestre.

Análises do mercado

O Credit Suisse apontou que os números de vendas continuaram em um patamar bastante elevado com um avanço de 2% na base anual e estável na comparação trimestral, enquanto que a produção cresceu cerca de 2% na comparação trimestral (já havia sido divulgada pela ANP).

Os analistas da casa apontam que o principal destaque foi a redução dos estoques, o que deve impulsionar os resultados do terceiro trimestre. Outro destaque foi a queda nas exportações líquidas, principalmente devido aos volumes de exportação sequencialmente menores, mas também devido a maiores importações. Parte da queda das exportações líquidas pode ser explicada pela maior taxa de utilização das refinarias em cerca de 84%, ante 74% no segundo trimestre.

O Credit projeta lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) em US$ 11,5 bilhões, ligeiramente maior em comparação com os fortes resultados do segundo trimestre devido aos preços mais elevados do petróleo.

O banco mantém avaliação outperform (desempenho acima da média do mercado) e preço-alvo de US$ 14,00 para o ADR PBR (equivalente ao PETR3), frente à cotação de quarta (20) de US$ 10,68, ou uma alta de 31%.

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Já a Levante Ideias de Investimentos apontou que, apesar da queda na produção na comparação trimestral, vê como positiva a estratégia da companhia de desinvestir em ativos não estratégicos (campos em terra, águas rasas e pós sal) e investir na exploração e produção em campos no pré-sal, que possui um petróleo de maior qualidade e melhores retornos para a companhia.

Outro ponto positivo, avalia, é o aumento da participação do petróleo do pré-sal utilizado nas refinarias da companhia, atingindo 65% em setembro. “As refinarias brasileiras vêm passando por adequações para aumentar sua flexibilidade e viabilizar o refino do petróleo brasileiro. Inicialmente, elas foram construídas para refinar petróleo leve importado. Também houve uma boa melhora nas vendas, à medida que o consumo se recupera com o arrefecimento da pandemia”, apontam.

Os analistas ressaltam que a Petrobras atravessa um momento muito favorável ao setor, com o petróleo acima dos US$ 80 por barril.

“Seu resultado será divulgado em breve (próximo dia 28) e deve apresentar ótimos números com recordes em algumas linhas”, apontam.

Porém,  apontam os analistas da casa, grandes lucros da estatal podem aumentar a pressão sobre a empresa, principalmente por conta da alta dos preços da gasolina, que acompanham o mercado internacional. Ainda mais após um aumento no risco fiscal brasileiro. Cabe ressaltar que as ações registram perdas de cerca de 2% nesta quinta-feira (21), em meio à ameaça ao teto de gastos para o Auxílio Brasil (saiba mais sobre o tema assistindo ao vídeo abaixo).

O Bradesco BBI, que possui recomendação outperform para os papéis PETR4, com preço-alvo de R$ 42, ou alta de 58% frente o fechamento da véspera, destacou que o relatório aponta para uma melhora marginal na produção no trimestre, conforme esperado devido ao início de produção da plataforma Carioca.

Já o volume de vendas de produtos de combustível surpreendeu positivamente, mas este provável ganho de participação de mercado versus importação privada provavelmente vem em detrimento das margens de refino e das importações com perdas potenciais.

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No entanto, os analistas da casa ainda esperam um forte conjunto de resultados com o mercado provavelmente se concentrando no Fluxo de Caixa Livre para o Patrimônio Líquido (FCFE) e mais dividendos a serem potencialmente antecipados. A expectativa, contudo, é de que o FCFE caia sequencialmente devido à redução dos impostos diferidos.

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