Para Anamaco, alta no preço do cimento não deve impactar valor de imóvel

Aumento de preços para o consumidor deve vir do varejo, por causa do alto consumo e da escassez de cimento no mercado

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SÃO PAULO – Os preços do cimento tiveram, nos últimos 12 meses, uma variação positiva de 28,70%. Nos oito primeiros meses de 2008, essa variação acumulou 8,75% e, no mês de agosto, a variação registrada chegou a 1,06%. Entretanto, para o presidente da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), Cláudio Conz, a elevação dos preços não deve prejudicar quem pretende comprar imóvel nos próximos meses.

O aumento de preços corresponde à maior procura pelo material, motivada pelo aquecimento que o mercado imobiliário tem experimentado neste ano. Segundo Conz, houve, nos últimos 12 meses, um aumento de 12% no volume físico de cimento consumido.

Mas o presidente da Anamaco afirma que o impacto no bolso de mutuários à procura da casa própria será mínimo, porque “a maioria das empresas já efetuou contratos de fornecimento de cimento para o ano inteiro”. Ele explica que esses contratos prevêem e minimizam possíveis reajustes de preços ao longo do período de fornecimento.

Aumento no varejo

O real problema para o consumidor, de acordo com Conz, está no varejo. “O ritmo de consumo muito forte não tem permitido às indústrias uma parada estratégica, até mesmo para reparos pelos desgastes que a produção acelerada causa. Isto acaba gerando períodos pontuais de desabastecimento”.

A estimativa da Anamaco é que o consumidor ainda deva conviver com a situação de baixa oferta e preços altos para o cimento por mais seis meses. “Já existem alguns investimentos programados como, por exemplo, a construção de novas indústrias”, informa Conz, afirmando que esta perspectiva deve normalizar a situação.

“Há ainda um fato novo. A crise americana assustou os consumidores de um modo geral. Isso pode causar um arrefecimento no consumo, e uma possível desaceleração no aumento dos preços”, conclui.