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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta segunda-feira

Bolsas mundiais têm queda generalizada em dia de forte baixa de commodities e temores com crise da Evergrande na China, em semana marcada por Fed e Copom

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(Getty Images)

SÃO PAULO – A sessão desta segunda-feira (20) é de forte aversão ao risco para os principais mercados mundiais, em uma semana que será marcada pelas decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil (veja mais clicando aqui).

Nesta sessão, as commodities guiam o dia bastante negativo no mercado. Os principais motivos para a elevação dos temores do mercado são o medo do contágio da crise de crédito da gigante do setor imobiliário chinês Evergrande, a perspectiva de menores estímulos pelos bancos centrais,  a queda no preço das commodities e a necessidade de aumentar o teto da dívida nos EUA.

Em dia de feriado na China, o minério de ferro cai mais de 8% e é negociado em US$ 92,80 em Singapura, acumulando uma baixa de 55% em apenas dois meses, resultado da política de diminuir a produção de aço na China, visando metas ambientais, e também com a desaceleração do setor de construção. Os ADRs da Vale, que caíram na última sexta-feira apesar do dividendo de R$ 8,10 da companhia, registram baixa de mais de 5% no pré-market da Bolsa de Nova York.

A sessão também é de baixa para os principais contratos futuros de petróleo, de cerca de 2%, afetando também os ADRs da Petrobras, que caem cerca de 1,6%. Com isso, o EWZ, principal ETF brasileiro negociado no mercado americano, que replica o índice MSCI Brazil, registrava queda de 2,79% às 7h36 (horário de Brasília), no pré-market de NY. Confira mais destaques:

1. Bolsas mundiais

Ásia

A bolsa de Hong Kong fechou a sessão desta segunda-feira (20) com forte saldo de vendas, em dia sem operação em vários países da Ásia. O índice Hang Seng recuou 3,3%, em meio a temores renovados por parte da incorporadora China Evergrande Group, cujos papéis recuaram 10,24%, impactando ações de outras companhias do setor imobiliário negociadas na região.

A crise da dívida da gigante do setor vem gerando aversão ao risco no mercado nas últimas semanas. Enquanto um dos maiores da Evergrande fez provisões para o calote de uma parte dos empréstimos que concedeu, outros projetam dar mais prazo para que a companhia pague suas dívidas. Saiba mais clicando aqui. 

A maior parte das outras bolsas asiáticas mais importantes permaneceu fechada por conta de feriados.

EUA

Os índices futuros americanos também recuam nesta segunda, também influenciada pela crise na Evergrande. Na semana passada, o índice Dow Jones registrou o seu terceiro saldo semanal consecutivo, algo que não ocorria desde setembro de 2020.

Setembro é, historicamente, um mês fraco para as bolsas, e a última sexta-feira foi marcada pelo “quadruple witching”, um mesmo dia em que coincidem os vencimentos de opções de ações, de índices futuros de ações, de ações e de single-stock futures.

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Nesta semana ocorrerá a reunião de setembro do Federal Reserve. O presidente do Fed, Jerome Powell, deve realizar uma coletiva de imprensa na quarta após a conclusão. Investidores aguardam por sinais do banco central americano sobre a perspectiva de redução de sua política monetária expansionista.

Powell já afirmou que o ritmo de compra de títulos, atualmente em US$ 120 bilhões por mês, pode ser reduzido já neste ano.

Além disso, nesta semana empresas como Adobe, Nike e FedEx devem informar seus resultados trimestrais.

Europa

Na Europa, o índice Stoxx 600, que reúne as ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, perde 1,7%, com destaque negativo dos setores de recursos básicos e bancos.

Veja os principais indicadores às 7h30 (horário de Brasília):

Estados Unidos

*Dow Jones Futuro (EUA), -1,5%
*S&P 500 Futuro (EUA), -1,27%
*Nasdaq Futuro (EUA), -1%

Europa

*FTSE 100 (Reino Unido), -1,59%
*Dax (Alemanha), -2,19%
*CAC 40 (França), -2,24%
*FTSE MIB (Itália), -2,29%

Ásia

*Nikkei (Japão), +0,58% (não abriu)
*Shanghai SE (China), +0,19% (não abriu)
*Hang Seng Index (Hong Kong), -3,3% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), +0,33% (não abriu)

Commodities e Bitcoin

*Petróleo WTI, -1,93%, a US$ 70,58 o barril
*Petróleo Brent, -1,61%, a US$ 74,13 o barril
*Bitcoin, -7,06% a US$ 44.608,41
*Sobre o minério: **A bolsa de Dalian permaneceu fechada por conta de feriado.
USD/CNY = 6,45

2. Agenda

Brasil

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8h: Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, participa de reunião virtual promovida pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), fechado à imprensa
8h25: Banco Central divulga o boletim Focus, com a expectativa de analistas sobre indicadores importantes, como inflação e juros
15h: Balança comercial semanal

Europa

8h35: Isabel Schnabel, do Banco Central Europeu, realiza um pronunciamento

3. Covid no Brasil

No domingo (19), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 558, patamar 8% abaixo daquele de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 239 mortes.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em 7 dias foi de 34.282, queda de 64% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 9.172 novos casos.

A forte alta se deve em parte à inclusão, nos três últimos dias da semana, de mais de 150 mil registros de casos por parte de Rio de Janeiro e São Paulo, após um ajuste no sistema de contabilização de casos.

Chegou a 141.623.847 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a66,39% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 80.285.227 pessoas, ou 37,64% da população.

A dose de reforço foi aplicada em 300.628 pessoas.

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4. Auxílio Brasil, Datafolha e orçamento secreto

O secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, disse na sexta-feira que o programa Auxílio Brasil, que substituirá o Bolsa Família, pagará um valor médio de R$ 300 aos beneficiários. A fala ocorreu em seminário promovido pela escola de negócios Fucape e pela XP.

Segundo Funchal, por restrições eleitorais, o novo programa social não poderia ser implantado no ano que vem, o que explica a decisão do governo de viabilizar sua execução ainda em 2021 com o aumento temporário da alíquota do imposto sobre operações financeiras (IOF) que incide sobre operações de crédito.

Para as empresas, a alíquota aumentou de 1,50% ao ano para 2,04% e, para as pessoas físicas, de 3,0% para 4,08% ao ano.
Funchal observou que, para 2022, a ideia é que a fonte de financiamento do Auxílio Brasil seja a tributação sobre dividendos e fundos prevista na reforma do Imposto de Renda em tramitação no Congresso.

Além disso, reportagem de capa da Folha de S. Paulo desta segunda indica que o ex-governador Geraldo Alckmin está com a saída anunciada do PSDB e deve se filiar ao PSD.

Pesquisa Datafolha indica que ele lidera as intenções de voto para as eleições de governador de 2022, com 26%, à frente do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), com 17%; o ex-governador Márcio França (PSB) tem 15% das intenções; e Guilherme Boulos (PSOL), 11%. A pesquisa foi feita com maiores de 16 anos entre 13 e 15 de setembro, e a margem de erro é de dois pontos percentuais.

Em um segundo cenário analisado pela pesquisa, sem Geraldo Alckmin, Haddad fica em primeiro lugar (23%); França em segundo (19%); e Boulos em terceiro (13%); e o atual vice-governador, apoiado por João Doria (PSDB), fica em quinto, com 5%.

Além disso, levantamento do Datafolha indica que 76% dos brasileiros são a favor de que Bolsonaro sofra um processo de impeachment caso não cumpra decisões da Justiça, enquanto 21% dizem que isso não deveria ocorrer. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.

Em um dos atos do 7 de Setembro, falando a milhares de manifestantes na Avenida Paulista, em São Paulo, Bolsonaro disse que não acataria mais decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Moraes conduz no STF investigações sensíveis contra Bolsonaro e aliados dele, como o inquérito das fake news e dos atos antidemocráticos.

Dois dias depois, no entanto, Bolsonaro mudou o tom ao divulgar uma Declaração à Nação, na qual afirmou que existem “naturais divergências” em algumas decisões de Moraes, mas que essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas.

Além disso, reportagem de capa do jornal O Estado de S. Paulo afirma que o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, direcionou R$ 1,4 milhão do chamado “orçamento secreto” para a obra de um mirante turístico vizinho a um terreno onde pretende construir um condomínio privado com 100 casas em Monte das Gameleiras, no Rio Grande do Norte.

De acordo com o jornal, o investimento bancado com verbas públicas tende a valorizar o novo negócio particular de Marinho, em uma área de seis hectares. O empreendimento é uma sociedade com o assessor de Marinho no ministério, Francisco Soares de Lima Júnior.

O empreendimento foi batizado de Condomínio Clube do Vinho. Ainda de acordo com o jornal, em audiência na Comissão de Trabalho, Administração e Serviços Públicos da Câmara, em 8 de junho, Marinho negou a autoria dos pedidos. Mas, por meio de Lei de Acesso à Informação, o jornal obteve planilhas do Ministério do Turismo que confirmam a autoria do pedido.

5. Radar corporativo

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras declarou a Excelerate Energy vencedora no processo de arrendamento do Terminal de Regaseificação de GNL da Bahia (TR-BA), e disse que avançará agora para fase de recursos no processo, segundo circular publicada no site da estatal.

Rumo (RAIL3)

A Rumo informou que está prevista para esta segunda-feira a assinatura do contrato de adesão, perante o Estado do Mato Grosso, para construção, operação, exploração e conservação da ferrovia que conecta de modo independente o terminal rodoferroviário de Rondonópolis a Cuiabá (MT) e a Lucas do Rio Verde (MT).

Cia. Hering e Soma (SOMA3)

As ações da Cia. Hering deixam de ser negociadas na B3 a partir desta segunda, com seus antigos acionistas passando a ser acionistas da Soma.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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