O que explica brilho de Eletrobras, Sabesp e Eneva no 2T – e Copasa perdendo espaço

Análise do BofA mostra disparidades entre empresas de energia e contraste com resultados fracos de companhias argentinas; Goldman também revisa recomendação e preço-alvo

Murilo Melo

Ativos mencionados na matéria

Linha de Transmissão de Energia (Divulgação/Aneel)
Linha de Transmissão de Energia (Divulgação/Aneel)

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O segundo trimestre deste ano (2T25) trouxe resultados variados para as companhias de energia listadas na América Latina, com alguns nomes surpreendendo positivamente e outros ficando aquém das expectativas. Segundo análise do Bank of America (BofA), os principais destaques ficaram com Eletrobras (ELET3; ELET6), Sabesp (SBSP3) e Eneva (ENEV3), enquanto a Copasa (CSMG3) foi avaliada como ponto negativo no período.

A Eletrobras encerrou uma sequência de quatro trimestres de resultados abaixo do consenso, entregando um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) 11% acima do projetado pelo mercado. Embora em linha com as estimativas do banco, a empresa superou o consenso devido ao bom desempenho em comercialização de energia e ao dividend yield (dividendo em relação ao preço da ação) de 4,5%, o que, segundo os analistas, pode alterar a percepção sobre a captura de preços mais altos de energia em seus números.

A Sabesp, que passou por privatização recente, apresentou um Ebitda 10% acima das estimativas do consenso, sustentado por uma recuperação operacional mais rápida do que o esperado, tanto no controle de custos quanto no crescimento da receita. Para o BofA, esse processo de transformação é o principal argumento para a visão positiva sobre a companhia.

Viva do lucro de grandes empresas

Outro destaque foi a Eneva, com Ebitda 8% acima das estimativas da Bloomberg, alavancado por maior monetização de gás alternativo do que o previsto. De acordo com os analistas, esse movimento pode resultar em criação de valor presente líquido, ampliando o potencial de geração de caixa da empresa.

Na outra ponta, a Copasa registrou desempenho abaixo do esperado, com Ebitda 19% inferior às projeções do BofA e 10% abaixo do consenso Bloomberg. A combinação de volumes mais fracos, piora no mix e custos mais elevados prejudicou o trimestre da companhia.

Distribuição e geração de energia

No segmento de distribuição de energia, o BofA aponta que as empresas conseguiram controlar despesas administráveis e avançaram em alguns parâmetros de qualidade, como interrupções no fornecimento. O aumento médio dessas despesas foi de apenas 1% em relação ao ano anterior, bem abaixo da inflação acumulada em 12 meses no Brasil de 5,5%.

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Apesar disso, os volumes regulados continuaram em queda, repetindo a tendência do início do ano, com retração média de 8% devido às temperaturas mais amenas. Dentro do grupo, a Equatorial Energia (EQTL3) foi a companhia que apresentou maior evolução na redução de perdas de energia, inadimplência e frequência de apagões.

Entre as geradoras de energia, os resultados foram distintos. Empresas com maior participação em fontes renováveis, como Engie Brasil e Auren, apresentaram Ebitda cerca de 10% abaixo das projeções de mercado, enquanto companhias expostas a fontes hídricas e térmicas, como Eletrobras e Eneva, superaram as estimativas em magnitude semelhante. O relatório do BofA lembra que as restrições no despacho de renováveis continuam sendo um problema, com a CPFL Energia reportando 24% da geração total limitada. Para os analistas, Auren e Engie seguem sendo as mais vulneráveis a esse movimento.

Revisão

Com o olhar voltado também para o setor elétrico, o Goldman Sachs revisou os preços-alvo das companhias após resultados positivos recentes e pela atualização de três meses nas projeções, com ajustes de cerca de 7% para Equatorial e Cemig, 5% para Energisa e 2% para CPFL Energia. A Equatorial segue como uma das principais recomendações, ao lado de Eletrobras, Sabesp e Copel, sendo considerada eficiente na alocação de capital e negociando a um valuation atrativo, com Taxa Interna de Retorno (TIR) real de 11,9%.

A Energisa também mantém recomendação de compra, com TIR real de 13%, custos controlados e desempenho acima das metas regulatórias, enquanto a CPFL Energia é avaliada de forma neutra, vista como defensiva e de alta qualidade, com TIR real de 9,6%.

Já a Cemig permanece com recomendação de venda, pois, apesar de iniciativas de eficiência e alienação de ativos, sua gestão estatal limita avanços, resultando em TIR real de 8,8%. Entre as companhias analisadas, os preços-alvo variam de R$ 9,50 da Cemig a R$ 142 da Sabesp, com retornos totais projetados entre -11,8% e 32%.

O levantamento mostra ainda média setorial com TIR real de 10,9%, preço sobre lucro (P/E) de 11,9 vezes, valor da firma sobre Ebitda (EV/Ebitda) de 6,8 vezes e dívida líquida sobre Ebitda de 2,9 vezes, reforçando que, mesmo com diferenças individuais, o setor mantém valuation considerado atrativo frente às perspectivas de crescimento regulatório e operacional.

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Argentina

Na Argentina, o BofA observa que as companhias listadas tiveram desempenho abaixo das projeções. O setor como um todo apresentou Ebitda ajustado aproximadamente 20% inferior ao esperado. A Edenor (EDN) registrou perda de 30 milhões de dólares devido a uma margem bruta mais fraca, possivelmente associada ao mix de clientes.

A Central Puerto (CEPU) também apresentou queda de 30 milhões de dólares, pressionada por custos mais altos. Já a Pampa (PAM) ficou próxima das estimativas, mas seu EBITDA ajustado caiu 16% em relação ao ano anterior em razão da menor demanda durante um inverno menos rigoroso.

Apesar dos números aquém do esperado no país vizinho, o BofA mantém visão positiva para as companhias argentinas, sustentada principalmente pela exposição ao desenvolvimento da formação de gás e petróleo de Vaca Muerta e pelas oportunidades relacionadas à liberalização do setor elétrico.