Opinião do CoinDesk

O Chief Metaverse Officer (CMVO) já existe e é um contador com escritório na Decentraland

Confira a rotina de um “chefe do metaverso” em uma empresa de contabilidade e consultoria e suas principais atribuições no universo digital

Por  CoinDesk -

* Jerry Eitel

Falar sobre o metaverso com a maioria das pessoas da minha idade provoca muitas vezes uma expressão confusa e a afirmação de que elas não têm ideia do que é isso. Ainda mais ao dizer que eu deva ser agora, possivelmente, o primeiro profissional do mundo com a posição de “Chief Metaverse Officer” (CMVO), ou “chefe de metaverso”, em uma empresa.

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A Prager Metis, empresa na qual trabalho, sempre teve uma clientela de entretenimento significativa e uma área de gestão de negócios relacionada a isso. Durante o recente boom dos tokens não fungíveis (NFT), muitos clientes estavam querendo entrar nesse espaço, enquanto outros já estavam cunhando NFTs.

Aos discutirmos sobre suas oportunidades, vimos essa demanda como forma de expandir nossos negócios e nossa marca para a fronteira digital. Embora alguém possa ter considerado isso “uma modinha” ou apenas uma maneira de chamar a atenção, foi uma extensão natural para nós abrirmos o primeiro escritório de contabilidade no metaverso.

Mesmo antes de comprarmos um terreno virtual na Decentraland (MANA) e contratarmos um designer para construir nosso escritório, havia muitos novos empreendimentos entrando no metaverso.

Alguns foram extremamente bem sucedidos, outros bem financiados, mas muitos eram incipientes. Principalmente, vimos que muitos novos papéis estavam sendo criados, como Discord e gerentes de comunidade. Meu cargo é apenas mais um nesse novo universo.

Ser ligado à tecnologia pode ser uma vantagem competitiva. Ao entrar no metaverso, pudemos conversar com startups e investidores de NFT. Isso porque entendemos a complexidade da blockchain quando se trata de contabilidade e impostos, tanto nacional quanto internacionalmente.

Um dia na minha vida

Em um dia normal, eu faço a contabilidade para uma startup, a Banquet Labs, na qual muitos de nossos parceiros estão investidos. Existem várias carteiras, diversas criptomoedas e NFTs envolvidos.

Eu tento manter meu foco no metaverso. Percorro frequentemente diversas comunidades do Discord (uma plataforma de bate-papo focada em jogadores que eu não sabia que existia até cerca de um ano atrás). Também pesquiso na internet nos vários mundos virtuais ou entro em suas plataformas para ver se há alguma novidade.

Reuniões com potenciais clientes e com pessoas que foram indicadas para nós são comuns. Alguém pode ver meu nome em algum lugar e me enviar um e-mail e aí marcamos uma reunião do Teams ou Zoom e vemos se faz sentido fazer negócio.

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Além disso, muitos de nossos parceiros nos indicam para conhecidos. Estou sempre nessas reuniões iniciais e atuo como um armador, passando oportunidades para nossos parceiros fiscais e de auditoria. O que funciona muito bem para nós é quando eu conto o que já fizemos, como estamos vivendo neste espaço e, também, quando os especialistas em impostos e auditoria contam sua experiência no metaverso.

Nas reuniões com potenciais clientes sobre o tema, ajuda mostrarmos como estamos totalmente investidos no mundo digital e entender as complexidades da contabilidade, auditoria e impostos nacionais e internacionais no espaço digital. Falamos sobre terras virtuais, carteiras MetaMask e pagamentos em criptomoedas.

Processo de aprendizado

Tendo estado nesse cargo há vários meses, a coisa mais importante que aprendi é que, embora essa função possa parecer altamente técnica, sou mais impactante em minha posição quando estou construindo conexões.

Além de ser o ponto de referência para aqueles que já estão no espaço, vejo meu papel como o de fornecer clareza para aqueles que desejam entrar nesse cenário virtual. Minha função é ajudá-los a conhecer as maneiras pelas quais eles podem aproveitar a realidade virtual para alcançar um público mais amplo e quebrar barreiras de acessibilidade.

Já me encontrei com pessoas físicas e empresas em muitos setores, incluindo ativos digitais, esportes, arte, entretenimento, música, moda, hospitalidade, imóveis e seguros, brincando com a ideia ou buscando realmente entrar no metaverso.

O objetivo é ajudar as empresas a se expandirem, trabalhando com elas para entender e diminuir a lacuna entre o metaverso e nosso mundo real. Podemos fazer isso porque já temos uma prática digital significativa e uma equipe muito forte e experiente trabalhando com clientes que vão desde pequenas startups de NFT até uma das maiores exchanges de criptomoedas.

Apesar de a maior parte do meu dia ser gasto em reuniões com possíveis e existentes clientes, uma parte da minha responsabilidade também é focada em trabalhar na nossa grande inauguração na Decentraland. À medida que a nossa lista de clientes do metaverso se expande, nós também crescemos.

Mas, além de reter novos talentos, acreditamos que é fundamental investir primeiro na qualificação dos que já temos em casa. Isso inclui treinar funcionários em operações do metaverso relacionadas à sua função de trabalho e fornecer educação sobre a Web 3.0 e os recursos que estão em evolução nos mercados.

A parte desafiadora de liderar o setor metaverso de uma organização é o surgimento relativamente novo da plataforma. Não há diretrizes definidas sobre como ter sucesso, mas nos esforçaremos para garantir que nossa empresa e equipe estejam totalmente imersos e a par do tema, porque, como em qualquer setor, a experiência prática com o metaverso é inestimável.

Potencial criativo

A parte mais interessante do meu trabalho é a variedade de pessoas com quem encontro no dia a dia. Trabalhei em contabilidade e imóveis nos últimos 35 anos com clientes de todo o mundo, mas, na maioria das vezes, eles operavam em indústrias similares focadas em negócios. O incrível do metaverso são as oportunidades criativas que ele oferece e, portanto, as pessoas criativas que são atraídas a essa novidade.

Nos últimos seis meses, conversei com muitos empresários e entusiastas e também com as suas equipes. O metaverso é flexível por natureza, e também é meu trabalho mostrar às indústrias tradicionais e às empresas tradicionalmente “não tecnológicas” como elas também podem florescer e se beneficiar disso.

O meu papel como CMVO também proporcionou à nossa empresa a oportunidade de trabalhar com clientes que atuam em causas sociais mundiais, desde o meio ambiente até o empoderamento de comunidades carentes.

A Banquet Labs, por exemplo, trabalhou com o “The Female Quotient”, um grupo de igualdade no local de trabalho para mulheres que entrou no metaverso para garantir que as mulheres tenham os recursos necessários para alavancar o poder da Web 3.0 nos negócios e além. Eles oferecem espaços para mulheres e grupos minoritários se conectarem, dando acesso a oportunidades de networking e experiências educacionais.

Acredito que, embora os mercados de criptomoedas e NFT estejam em baixa agora, essa é uma classe de ativos que acabará se provando socialmente responsável e financeiramente recompensadora.

Construir essas pontes entre o mundo real e o universo virtual tem sido uma experiência incrível e reveladora na forma como o metaverso está permitindo que as pessoas acessem oportunidades, informações e recursos que antes estavam indisponíveis devido às barreiras do mundo real.

*Jerry Eitel é diretor de metaverso da Prager Metis, empresa de contabilidade e consultoria pública

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