Nubank: Limite em tarifa do cartão pré-pago vai ter impacto negativo sobre receitas

Resolução do Banco Central limita tarifa de intercâmbio; medida teria impacto de 2,9% nas receitas do Nubank no último ano

Mitchel Diniz

Dentro do Nubank, a principal pergunta feita é: isso vai ser bom para o cliente?

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A contragosto das instituições financeiras digitais, o Banco Central publicou resolução para limitar a Tarifa de Intercâmbio (TIC) nos cartões emitidos por fintechs. Essa tarifa corresponde a um percentual da compra que é repassado pela bandeira do cartão ao banco. E agora, de acordo com a regra do BC, estará limitada a 0,7%. Os efeitos dessa  resolução entrarão em vigor a partir de 1º de abril de 2023.

Em comunicado ao mercado, o Nubank (NUBR33) explicou que a TIC respondeu a 7% das receitas do banco no período de 12 meses, entre julho de 2021 e junho de 2022.

“Se as mudanças anunciadas pela resolução BCB 246 estivessem em vigor desde 1º de julho de 2021, a receita da companhia teria sido afetada negativamente em 2,9%”, calcula o Nubank.

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Os cartões emitidos pelas fintechs são considerados pré-pagos.  Por isso têm uma regulação diferente da dos cartões de débito, emitidos pelas grandes bancos, e cuja TIC é limitada a 0,5%. No caso das instituições financeiras digitais, que costumam não cobrar pelo serviço do cartão, a tarifa de intercâmbio é uma importante fonte de receita e não havia um limite antes da resolução.

“Continuaremos a monitorar as novas regras a serem promulgadas pelo Banco Central do Brasil, bem como quaisquer outros ajustes propostos eventualmente pela instituidora do arranjo de pagamento dos nossos cartões pré-pagos, a Mastercard, sobre este assunto, e manteremos o mercado informado sobre quaisquer novos desenvolvimentos”, continuou o Nubank, no comunicado.

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O Bradesco BBI calculava que a medida teria impacto negativo de 5% sobre as receitas do banco, em vez dos 2,9% projetado pelo Nubank. Mas ainda que a resolução do BC não produza estragos tão grandes quanto o esperado, a equipe de análise do BBI acredita que o banco terá outros desafios.

“A monetização de clientes será desafiadora e, como consequência, vai ser mais difícil alcançar alta lucratividade”, diz o relatório do BBI. Para os analistas, pequenos impactos combinados devem refletir na lucratividade no médio e longo prazo, prevendo juros mais altos para empréstimos pessoais e custos de financiamento mais baixos.

O BBI mantém a avaliação underperform para as ações do Nubank listadas na Nasdaq, com preço-alvo de US$ 3,30.

Às 12h40 (horário de Brasília), as ações negociadas sob o ticker NU, na Bolsa americana, eram negociadas a US$ 4,62, em queda de mais de 2%.

Já os BDRs da companhia negociados na B3 ainda sob o ticker NUBR33, subiam 0,74% a R$ 4,11. Em breve, os BDRs vão ser migrados do nível para 3 para o nível 1, com o fechamento de capital da Nu Holdings no Brasil.

Mitchel Diniz

Repórter de Mercados