Em mercados

Por que as propostas da reforma da Previdência de Bolsonaro animaram tanto o mercado?

Ainda que faltem muitos detalhes, proposta foi vista como uma vitória da equipe econômica ao apontar economia mais próxima de R$ 1 trilhão em uma década

Paulo Guedes e Jair Bolsonaro
(Alan Santos/PR)

SÃO PAULO - Na reta final do pregão da última quinta-feira (14), uma notícia vinda do secretário especial da Previdência, Rogério Marinho, impulsionou fortemente os mercados.

Ele destacou alguns pontos da proposta da reforma da previdência do governo de Jair Bolsonaro, apontando que ela fixará uma idade mínima de 65 anos para aposentadoria de homens e 62 anos para mulheres, com um período de transição de 12 anos e será encaminhada ao Congresso na próxima quarta-feira (20).

Apesar de ainda não haver muitos detalhes sobre a proposta e ainda estar sujeita a mudanças, a sinalização de Bolsonaro foi vista como bastante positiva, uma vez que ele endossou uma proposta que pode levar a uma economia próxima a R$ 1 trilhão em uma década, mais perto do "teto" das expectativas dos economistas. 

"De fato, é uma vitória para a equipe econômica em comparação com a proposta anterior de idade mínima de 57 anos para mulheres e 62 anos para homens destacada por Bolsonaro no início de janeiro", avalia a equipe econômica do Bradesco BBI. 

Assim, afirmam os economistas do banco, embora isso não altere a baixa visibilidade política do projeto dada a necessidade de uma nova PEC (Projeto de Emenda Constitucional) a ser enviada ao Congresso, a sinalização acaba reduzindo significativamente a incerteza em relação à profundidade do projeto de reforma, o que tem sido uma preocupação recente.

Os analistas da Rico Investimentos, Thiago Salomão e Matheus Soares, também apontam que o texto foi bem mais positivo do que as notícias não-oficiais indicavam sobre qual era a reforma que Bolsonaro pretendia passar.

Contudo, entre o texto inicial sair da sala de Bolsonaro e ser aprovado pela Câmara e depois pelo Senado, haverá um longo e tortuoso tempo de negociação.

"Não esperamos linearidade nesse processo: ruídos virão e incertezas agitarão os preços. Mas a sinalização dada ontem pelo governo mostra um empenho claro em aprovar uma reforma que 'faça diferença' para o futuro do Brasil", avaliam os analistas da Rico. 

Assim, apontam, o mercado passará por muitos sustos até que a reforma se concretize, uma vez que o prazo ainda é incerto e as negociações sequer começaram. Contudo, mesmo após a forte alta recente (e de 2,27% do Ibovespa apenas na véspera), não é recomendável uma zeragem total das posições em bolsa. "Seguimos bullish [altistas] com bolsa, principalmente para alocações de longo prazo", afirma a Rico Investimentos. 

Este cenário de maior otimismo ganha ainda mais força em meio a essas indicações sobre a reforma. "Quando tem [a idade mínima] de 65/62 anos, com esse prazo, encaminha metade da discussão -- se não for mais do que a metade. Porque já tem uma referência do que pode vir a acontecer. Agora é aguardar os outros aspectos e ver como vai ser a negociação no Congresso", reforçou José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, em entrevista à Bloomberg. 

As incertezas sobre a reforma continuam. Contudo, um grande passo foi dado ontem e ajudou a dar mais claridade ao mercado sobre a reforma que o governo pretende passar. 

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(Com Bloomberg)

 

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