Em mercados

Copom sugere cautela e afasta chance de corte de juros no curto prazo

Comunicado foi mais "hawkish" que o esperado e manteve um alto tom de cautela para os próximos meses

 Ilan Goldfajn
(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

SÃO PAULO - Apesar de amplamente esperada pelo mercado, a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) em manter a Selic estável a 6,50% ao ano também trouxe uma "surpresa" para quem já começava a projetar um novo ciclo de corte de juros para este ano.

Para os analistas, o Banco Central deu grande destaque para os riscos e assimetrias, o que indica que a autoridade quis reduzir as avaliações sobre um possível corte de juros. Com o comunicado de hoje, a avaliação é que a Selic deve se manter estável por um período mais longo.

Entre os destaques do comunicado, o BC ressaltou que o cenário externo permanece desafiador, mas "com alguma redução e alteração do perfil de riscos". Para a autoridade, diminuíram os riscos de curto prazo associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas, mas aumentaram os riscos associados a uma desaceleração da economia global.

Também chamou atenção o fato da autoridade monetária falar em cautela nas suas decisões: "o Copom avalia que cautela, serenidade e perseverança nas decisões de política monetária, inclusive diante de cenários voláteis, têm sido úteis na perseguição de seu objetivo precípuo de manter a trajetória da inflação em direção às metas".

Em outro momento do texto, o BC afirma que uma "frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária".

Este risco ainda pode se elevar em caso de uma piora do cenário externo para as economias emergentes. Segundo a equipe da consultoria Rosenberg Associados, "para não correr o risco de criar a expectativa de uma queda de juros logo mais, o Copom reforçou que ainda existe uma assimetria no balanço de riscos de inflação".

"No todo, a mensagem trazida por este comunicado reforça a perspectiva de estabilidade de juros no cenário atual: seria preciso que uma evolução pior da atividade, ou melhor das reformas/cenário externo, alterasse seu balanço de riscos e eliminasse a assimetria, para trazer a discussão de nova queda de juros à mesa", avalia a Rosenberg.

Em entrevista para a Bloomberg, a XP Investimentos ainda avaliou que o tom foi mais "hawkish" do que o mercado esperava e que a indicação neste momento é que não há discussão de corte de juros. "A percepção é que como ainda há incerteza em relação a aprovação da reforma, ele vai manter o tom cauteloso por um tempo", disse.

Vale ressaltar que esta provavelmente foi o último Copom sob o comando de Ilan Goldfajn, já que nas próximas semanas o Senado deve sabatinar e aprovar Roberto Campos Neto para liderar o BC. Até por isso, a tendência era de uma cautela maior e poucas definições para o futuro neste momento. Mas o que o mercado viu agora é que não há como pensar em um corte de juros no curto prazo.

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