M. Dias Branco tem nova baixa na B3 após derrocada na 6ª; JPMorgan reduz projeções

Banco manteve recomendação neutra para o papel e afirmou estar cerca de 7% abaixo do consenso de mercado para o lucro por ação da companhia

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

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O JPMorgan reduziu suas estimativas e o preço-alvo das ações da M. Dias Branco (MDIA3) de R$ 25 para R$ 22,50 após os resultados considerados fracos do primeiro trimestre de 2026. O banco manteve recomendação neutra para o papel e afirmou estar cerca de 7% abaixo do consenso de mercado para o lucro por ação da companhia. As ações da fabricante de massas e biscoitos recuaram 3,95%, cotadas a R$ 20,41 na sessão desta segunda, após baixa de 13,76% na sexta.

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Segundo o JPMorgan, apesar do tom otimista da administração e do foco contínuo em inovação e execução, a teleconferência evidenciou um ambiente de consumo ainda desafiador. A companhia reconheceu que as condições de mercado seguem difíceis, especialmente em categorias principais como biscoitos e massas, que registraram queda de volumes diante da alta de preços e do maior endividamento dos consumidores.

O banco destacou que, embora a M. Dias Branco tenha conquistado participação de mercado nos segmentos de biscoitos e farinha, o mercado total desses produtos encolheu. Na avaliação do JPMorgan, o desempenho da companhia foi sustentado mais por iniciativas específicas de marketing e execução comercial do que por uma recuperação ampla da demanda.

A administração também ressaltou investimentos contínuos em categorias adjacentes e snacks saudáveis, além de melhorias operacionais, mas alertou que as pressões de custos, especialmente relacionadas a commodities e logística, devem continuar no próximo trimestre.

O JPMorgan afirmou ainda que a estratégia de preços da companhia segue equilibrada, evitando cortes agressivos, e avaliou que avanços mais relevantes nas margens dependerão de uma recuperação gradual da renda disponível do consumidor e da continuidade da boa execução nos pontos de venda.

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Por um lado, o banco vê benefício potencial da valorização do real frente ao dólar, o que pode aliviar custos. Por outro, avalia que a demanda fraca continua pressionando preços e receitas, limitando uma recuperação mais consistente das margens.

Redução das estimativas

Após os resultados do primeiro trimestre, o banco revisou suas projeções para refletir uma visão mais conservadora para receitas e margens. A estimativa de receita líquida para 2026 foi reduzida em 4%, para R$ 10,5 bilhões, enquanto a projeção de EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caiu 6%, para R$ 1,12 bilhão, principalmente devido à expectativa de preços médios menores e maiores despesas com vendas, gerais e administrativas.

A margem EBITDA projetada passou para 10,6%, redução de 0,18 ponto percentual frente à estimativa anterior, refletindo a persistência da pressão de preços e maiores investimentos em marketing. A projeção de lucro líquido também foi reduzida, para R$ 700 milhões, cerca de 2% abaixo do modelo anterior.

O JPMorgan também adotou uma postura mais cautelosa em relação ao capital de giro, com redução de R$ 222 milhões nas projeções, enquanto elevou as estimativas de investimentos (capex) para R$ 433 milhões, considerando iniciativas contínuas de expansão e modernização. Segundo o banco, as revisões acompanham o guidance da companhia, o ritmo operacional atual e os cortes nas estimativas do mercado após o resultado abaixo do esperado.