Em mercados

Inflação bate recorde, mas não se preocupe: está abaixo do esperado

O IPCA de outubro registrou variação de 0,45% (maior alta para o mês desde 2015), mas veio abaixo da mediana de expectativas da Bloomberg, de 0,56%

Dragão da inflação
(Wikimedia Commons)

SÃO PAULO - O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de outubro registrou uma variação de 0,45%. O valor, embora tenha sido a maior inflação para o mês desde 2015, veio abaixo da mediana de expectativas da Bloomberg, que indicava alta de 0,56%, e menor do que a variação de 0,48% registrada no mês anterior.

O ano começou com uma inflação de 0,29% em janeiro, mas a taxa começou a subir em maio devido à greve dos caminhoneiros - naquele mês o IPCA fechou em 0,40%. A alta se prolongou ao longo do ano e o índice chegou a atingir 1,26% em junho, por exemplo.

Porém,  após resultado abaixo do estimado em outubro, os analistas esperam que as taxas comecem a cair. De acordo com o BTG Pactual, a inflação permanece a níveis confortáveis, reforçando um cenário de menor pressão nos preços. Para novembro, a estimativa é uma queda de 0,02% do IPCA em relação ao último mês.

As maiores contribuições de alta em outubro vieram dos grupos de transportes, alimentação e bebidas, enquanto os setores de energia elétrica e gasolina contribuíram para a amenização da taxa. Já no acumulado do ano, o IPCA registrou variação de 3,81%, com a taxa em 12 meses subindo para 4,56% (ante 4,53% em setembro).

Dado o otimismo do curto prazo, a Rosenberg Consultores Associados reduziu a projeção de IPCA para 4,1% em 2018 (era 4,4%) e 4,1% em 2019.

De acordo com o Bank of America Merrill Lynch, a taxa básica de juros deve aumentar a partir do próximo ano, porém, a alta projetada para a Selic deve ser menor do que espera boa parte dos analistas.

Segundo o banco, o cenário de inflação benigna deve permitir que o Banco Central mantenha a Selic em 6,5% por um tempo maior, levando os juros a encerrarem 2019 em 7% (abaixo do último boletim Focus, do BC) - caso haja um andamento da reforma da Previdência e do projeto de independência da autoridade monetária.

Os analistas do Goldman Sachs também estimam que a taxa básica seja mantida em 6,5% nos próximos meses. Segundo eles, deve haver, porém, uma normalização gradual ao longo do primeiro semestre de 2019.

Pedro Jobim, economista-chefe e sócio-fundador da Legacy Capital, contou em entrevista ao programa Papo com Gestor, que a inflação está muito baixa no Brasil, ancorada na meta de 4% em 2018 e em 2019, e que há um estoque de capacidade ociosa tanto de indústrias, quanto de serviços e mão de obra (lê-se desemprego).

Segundo ele, o país pode crescer até 7,12% no biênio 2019-2020 sem aumentar os juros. Com relação à Selic, Jobim afirma que a taxa básica só deve subir a partir do último trimestre do ano que vem.

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