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Em mercados

Como a Turquia e Trump azedaram os mercados globais e fizeram o dólar disparar

Fala do presidente turco pegou o mercado de surpresa e fez a moeda do país afundar 20%, puxando o dólar para cima no mundo todo

Turquia e Estados Unidos
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Os investidores se preparavam para ver a reação do mercado ao primeiro debate eleitoral nesta sexta-feira (10), mas acordaram com uma "bomba" vinda da Turquia que ofuscou qualquer outra notícia no mundo todo, fazendo não só as principais bolsas caírem, mas levando o dólar a disparar contra as principais divisas globais, incluindo o real.

Em discurso realizado nesta manhã, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu que a população do país troque dólares, euros e ouro que eventualmente tenham "sob seu colchão" por liras turcas, "para que possamos responder de modo apropriado como uma nação" ao que ele chamou de "guerra econômica".

Isso foi o suficiente para fazer a moeda local desabar 20% ante o dólar, enquanto o ETF da Turquia desaba cerca de 15% nesta tarde, caminhando para seu pior dia na história. No Brasil o reflexo também é bastante negativo, com o Ibovespa afundando 2% e o dólar saltando 1,5% contra o real, chegando a R$ 3,87 na máxima do dia.

Erdogan disse que não irá elevar o juros no país e que está confiante sobre um futuro forte. "Não se deve focar só no câmbio, mas no quadro geral da economia turca [...] Há lobbies para que a Turquia mexa na taxa juros, mas eles não conseguirão esmagar nosso país", afirmou.

A situação piorou após o presidente dos EUA, Donald Trump, dar autorização para que sejam dobradas as tarifas de alumínio e aço para para a Turquia, passando para 20% e 50%, respectivamente. O republicano ainda citou que faz isso "em um momento em que a moeda do país, a lira turca, despenca rapidamente frente ao dólar americano".

Segundo José Faria Júnior, diretor de câmbio da Wagner Investimentos, o Brasil acaba bastante impactado por este cenário por fazer parte do grupo de emergentes juntos com a Turquia. "A queda de dois dígitos da moeda e da bolsa turca eleva de forma generalizada o risco global e mais ainda nos países emergentes", avalia.

Além disso, ele cita dois "agravantes" para o cenário. O primeiro é o fato de estarmos entrando na agitação do processo eleitoral, o que aumenta naturalmente a volatilidade. Além disso, Faria explica também que nas últimas semanas, o índice S&P 500 estava em sua máxima histórica, enquanto o índice do medo, o VIX, estava na mínima, ou seja, o mercado estava muito "relaxado", o que potencializa o impacto de uma surpresa como esta de hoje.

O diretor da Wagner acredita que este movimento externo tende a se acalmar em alguns dias e talvez hoje seja o ápice deste pânico. Para ele, a "onda externa" deve passar em torno de uma semana, mas o mercado doméstico terá outras questões para se preocupar se quiser ver realmente uma melhora nos ativos, principalmente no campo eleitoral, com novas pesquisas e debates ocorrendo nas próximas semanas.

O Brasil já estava passando por dias complicados, com os investidores temerosos com o ambiente político e esta "bomba" da Turquia acaba sendo um agravante de curto prazo. Não é difícil vermos uma recuperação na bolsa e no dólar nos próximos dias, mas para que possamos ver a volta dos níveis de 83 mil pontos no índice e R$ 3,70 para o dólar será preciso uma melhora substancial dentro do país.

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