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O Ibovespa viveu um dos movimentos mais fortes de valorização dos últimos anos em 2026, renovando sua máxima histórica, há dez dias, na região dos 199.354 pontos, muito próximo do marco psicológico dos 200 mil pontos. No acumulado do ano, o índice ainda sustenta uma alta relevante de 18,78%, tendo chegado a avançar mais de 23% em seu pico.
Desde então, porém, o cenário mudou. Após atingir o topo histórico em 14 de abril, o índice passou a apresentar um fluxo corretivo, devolvendo parte dos ganhos recentes e voltando a negociar próximo da região dos 190 mil pontos. O movimento acende um sinal de atenção para os investidores: até onde vai essa correção?
O desafio agora passa a ser claro: retomar o fluxo comprador com força suficiente para romper novamente a região dos 200 mil pontos, o que abriria espaço para novas máximas. Até lá, o mercado tende a conviver com maior volatilidade e seletividade.
Pelo gráfico diário do Ibovespa, é possível observar que o Índice de Força Relativo – IFR (14) em 52,51 se mantém em zona neutra, refletindo justamente esse momento de transição após o rali. No entanto, em um olhar de médio prazo, a estrutura segue sendo de alta, com o movimento recente caracterizando, até aqui, apenas um ajuste dentro da tendência principal.
Do topo à correção: o que aconteceu após o recorde
Entre o topo histórico registrado em 14/04/2026 e o fechamento de 23/04/2026, o Ibovespa passou por um movimento de ajuste que se refletiu diretamente no desempenho das ações que compõem o índice.
Após um período de forte valorização praticamente disseminada, o mercado entrou em uma fase mais seletiva, com realização de lucros concentrada em diversos papéis — inclusive entre aqueles que lideraram o rali anterior.
Os dados do período mostram um predomínio de quedas, com grande parte das ações registrando desempenho negativo desde a máxima do índice. Esse movimento reforça a leitura de que o mercado passou por uma rotação e correção técnica, típica após movimentos de forte esticamento.
Ao mesmo tempo, alguns ativos conseguiram se descolar desse movimento, sustentando alta mesmo com o índice em correção — o que evidencia que, apesar do ajuste, o fluxo não saiu completamente da Bolsa, mas passou a ser mais criterioso.
Entre as altas, houve dispersão: nenhum setor dominou claramente. Os destaques ficaram em bens industriais, com VAMO3; materiais básicos, com USIM5 e GGBR4; e utilidade pública, com SBSP3 e AURE3.
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Entre as quedas, a pressão foi mais concentrada em consumo cíclico, com CEAB3, COGN3 e YDUQ3 entre as dez maiores baixas. Também chamam atenção consumo não cíclico, com MBRF3 e SLCE3, e saúde, com RDOR3 e RADL3.
Após máxima histórica, apenas 7 ações sobem e quedas predominam
Após renovar sua máxima histórica, o Ibovespa entrou em correção, movimento que se refletiu diretamente nas ações do índice. Entre o topo e o fechamento de 23/04, houve forte predominância de perdas, com a maior parte dos papéis devolvendo parte dos ganhos acumulados no rali.
Na ponta positiva, apenas 7 ações conseguiram subir no período. Os destaques ficaram com VAMO3 (+2,61%) e USIM5 (+2,56%), seguidas por HAPV3 (+1,92%), SBSP3 (+1,85%), PETR3 (+0,44%), GGBR4 (+0,37%) e AURE3 (+0,29%), mostrando resiliência mesmo diante do movimento corretivo.
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Por outro lado, as maiores quedas foram registradas por BRKM5 (-17,01%) e MBRF3 (-16,42%), além de perdas relevantes em CEAB3 (-11,13%), RDOR3 (-10,73%) e COGN3 (-10,06%).
Também figuraram entre as baixas mais intensas YDUQ3 (-9,66%), EMBJ3 (-9,49%) e BBAS3 (-9,38%).
Confira a lista completa no final deste post.
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O balanço do período reforça a leitura de correção técnica após forte valorização, com o mercado entrando em uma fase de maior seletividade.
Enquanto poucos ativos sustentaram alta, a ampla maioria acompanhou o ajuste do índice, indicando redução do fluxo comprador no curto prazo.
Maior alta após rali: Vamos (VAMO3)

Com alta de 2,61% desde o topo histórico, a ação da Vamos (VAMO3) segue em movimento de recuperação no curto prazo, após reagir das mínimas recentes e voltar a negociar acima das médias móveis, o que mantém o viés construtivo. Ainda assim, o papel mostrou perda de força no curtíssimo prazo ao registrar queda de 5,68% na última sessão, encerrando a R$ 4,32, movimento que acende alerta para possível acomodação após a sequência de altas.
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Pela leitura do gráfico, o ativo vinha respeitando a estrutura de alta, com topos e fundos ascendentes, mas a rejeição recente próxima das resistências sugere que o mercado pode buscar um ajuste técnico ou lateralização antes de uma nova tentativa de avanço. O IFR (14) em 58,03, em zona neutra, indica que não há pressão extrema no momento.
Para retomada mais consistente do movimento de alta, entendo que será essencial a superação das resistências em R$ 4,64 e R$ 4,94. Acima dessas regiões, o ativo tende a ganhar tração e buscar níveis mais elevados. Por outro lado, caso perca a sustentação acima das médias móveis, o papel pode intensificar o movimento corretivo no curto prazo.
Resistências: R$ 4,64, R$ 4,94, R$ 5,33, R$ 5,48, R$ 5,95.
Suportes: R$ 4,26, R$ 3,96, R$ 3,82, R$ 3,70, R$ 3,45, R$ 3,18.
Maior baixa após rali: Braskem (BRKM5)

Liderando as baixas após o rali, com queda de 17,01%, a ação da Braskem (BRKM5) vinha estruturando um movimento de alta dentro de um canal ascendente, respeitando topos e fundos mais altos ao longo das últimas semanas.
No entanto, o ativo perdeu força ao romper a linha de tendência de alta (LTA), o que marcou uma mudança relevante na dinâmica de curto prazo e abriu espaço para um movimento corretivo mais consistente.
Após esse rompimento, o papel passou a intensificar a pressão vendedora e agora negocia abaixo das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, reforçando a perda de momentum e indicando continuidade do viés baixista no curto prazo. O fechamento recente próximo dos R$ 8,14, com queda relevante, reforça esse cenário de enfraquecimento, mantendo o ativo pressionado.
Para que haja retomada do movimento de alta, entendo que será necessário, inicialmente, o retorno acima da região das médias móveis, o que poderia sinalizar recomposição do fluxo comprador. Por outro lado, a perda das regiões atuais tende a dar continuidade ao movimento de queda, com o mercado mirando níveis inferiores.
O IFR (14) em 36,43, ainda em zona neutra, mas próximo da sobrevenda, sugere que o ativo pode até ensaiar repiques, embora o cenário principal ainda favoreça cautela.
Resistências: R$ 8,61, R$ 9,32, R$ 10,10, R$ 10,97, R$ 12,35, R$ 13,78.
Suportes: R$ 8,09, R$ 7,25, R$ 6,90, R$ 6,11, R$ 5,30, R$ 4,87.
(Rodrigo Paz é analista técnico)
Confira o desempenho completo das ações e o IFR
O IFR oscila em uma escala de 0 a 100. Quando o gráfico de linhas do indicador estiver na faixa entre 0 e 30 estará indicando que o ativo está sobrevendido, ou seja, ele está barato e a qualquer momento ele poderá voltar a subir.
Por sua vez, se estiver na faixa entre 70 e 100 mostrará que está sobrecomprado, ou seja, está caro e a qualquer momento o ativo poderá começar a se desvalorizar.
Fonte: Economática; período de 14/04 e 23/04


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