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Brasil encerra 2017 com 2,95% de inflação, a menor em 19 anos, e obriga BC a escrever carta à Fazenda

Apesar do resultado anual abaixo do piso estabelecido pelo CMN, o desempenho do índice em dezembro veio significativamente acima das expectativas dos economistas, cuja mediana apontava para alta de 0,30%

supermercado - 30/10/12
(Marcelo Camargo/ABr)

SÃO PAULO - O Brasil acumulou uma inflação de 2,95% em 2017, em sua menor variação anual desde 1998, quando registrou alta de 1,65% nos preços. Foi a primeira vez que o resultado ficou abaixo do piso estabelecido pelo regime de metas do Conselho Monetário Nacional, sistema em vigor desde 1999. Com isso, o Banco Central terá de enviar uma carta ao Ministério da Fazenda explicando os motivos de a inflação não ter ficado no intervalo de tolerância entre 3% e 6% do centro da meta, de 4,5%. Em 2016, a inflação oficial foi de 6,29%.

Conforme informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (10), o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 0,44% em dezembro. O desempenho veio acima das expectativas dos economistas consultados pela Bloomberg, cuja mediana apontava para uma alta de 0,30% no mês e de 2,80% no ano. Em novembro, a inflação oficial foi de 0,28%. O resultado de dezembro representou a maior variação mensal de 2017.

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Pesaram no movimento do IPCA no último mês do ano a aceleração na taxa dos grupos Alimentação e Bebidas (de -0,38% em novembro para 0,54% em dezembro) e Transportes (de 0,52% para 1,23%). No primeiro grupo, após sete meses consecutivos de variação negativa -- o que representou um dos principais motivos para o resultado acumulado abaixo do piso estabelecido pelo CMN --, a alta em dezembro deveu-se à alimentação consumida em casa, que passou de -0,72% para 0,42%. Apesar de alguns produtos terem caído de preços, como o feijão-carioca (-6,73%) e o leite longa vida (-1,43%), outros, também importantes na mesa dos brasileiros, exerceram pressão contrária, como as carnes (1,67%), as frutas (1,33%), o frango inteiro (2,04%) e o pão francês (0,67%).

Já os principais impactos individuais no índice do mês, ambos de 0,09 p.p., foram exercidos pelas passagens aéreas, com alta de 22,28%, e pela gasolina, cujo preço do litro ficou, em média, 2,26% mais caro. Juntos, com impacto de 0,18 p.p., estes dois itens representaram 41% do IPCA de dezembro. Eles também foram os principais responsáveis para que o grupo Transportes (1,23%) apresentasse a maior alta no mês, considerando-se, ainda, o aumento de 4,37% do etanol, com impacto de 0,04 p.p. Na gasolina, observa-se que o aumento é reflexo dos reajustes concedidos durante o período de coleta do índice, que montam de 2,05%.

Por outro lado, o principal impacto de baixa se deu na energia elétrica (-0,12 p.p.), em função de uma redução de 3,09% nas contas de luz, devido à volta da bandeira tarifária vermelha patamar 1 (com custo adicional nas tarifas de R$ 0,03 por cada kwh consumido) em substituição do patamar 2 (que implicava em um custo adicional de R$ 0,05 por kwh), a partir de 1º de dezembro.

Quanto aos índices regionais, o maior foi de Curitiba (3,24%), tendo em vista a alta de 20,93% na energia elétrica e de 20,40% no ônibus urbano. Já o índice mais baixo foi o de Belém (0,74%), onde as quedas do feijão-carioca (-46,21%) e do açúcar cristal (-35,62%) ajudaram a conter a taxa.

O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 05 salários mínimos, sendo o chefe assalariado, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande e de Brasília. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 30 de novembro a 28 de dezembro de 2017 (referência) com os preços vigentes no período de 31 de outubro a 29 de novembro de 2017 (base).

 

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