Em mercados

Leitura da ata: Economistas apostam até em corte de 100 pontos-base da Selic em fevereiro

Banco Central divulgou nesta terça-feira a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária

Ilan Goldfajn
(Lula Marques/Agência PT)

SÃO PAULO - A ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) reforçou no mercado a percepção de que o BC (Banco Central) seguirá com cortes "agressivos" que devem levar a Selic a níveis mais baixos que o esperado anteriormente. Na avaliação da Caixa Asset, o documento mostra um "risco" maior de baixa que de alta da inflação, o que abriria espaço para um ciclo de afrouxamento monetário mais agressivo.

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, avalia que a ata mostra o BC "tranquilo" para continuar com o ciclo de afrouxamento monetário e considera que a ata "deixou claro que a intenção é manter o ritmo de cortes em 75 pontos-base".

Para Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset Management, a mensagem transmitida do texto é "dovish" e sinaliza a manutenção do ritmo de cortes em 75 pontos-base. "Já parte do mercado começará advogar por cortes ainda mais profundos", afirmou, em relatório distribuído a clientes. Após a publicação do documento, o banco Fator manteve seu call de corte de 100 pontos-base na reunião de fevereiro, com a taxa básica de juros chegando a 9,5% em outubro.

Para a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, a Selic pode chegar a 9,25% ao final de 2017, "se os dados seguirem nesse toada". Ela estima ainda que é possível que o Brasil retome o grau de investimento em breve, mas alerta que "o timing ainda é dúvida".

Em Davos, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse acreditar que o país terá o rating elevado pelas agências de classificação de risco e recuperará o investment grade "antes de 2018.

O documento
O Copom praticamente escreveu "do zero" boa parte da ata da última reunião na semana passada que cortou a Selic em 75 pontos-base. Normalmente feita com base no documento anterior e com ajustes pontuais que permitem ao mercado identificar as novas sinalizações da autoridade monetária para as próximas decisões, o documento desta semana traz pelo menos cinco parágrafos "originais", com informações "frescas" para o mercado digerir.

A ata justifica que a convergência das expectativas inflacionárias para o centro da meta é compatível com a intensificação dos cortes da taxa básica de juros. O ritmo de corte saltou de 25 pontos-base em outubro e dezembro para 75 pontos-base em janeiro. "O Comitê entende que o atual cenário, com um processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária, permitindo o estabelecimento do novo ritmo de flexibilização", diz o texto.

O documento diz ainda que a atividade econômica tem "operado em ritmo mais fraco do que se esperava" e, portanto, a redução da Selic na magnitude atual "permite contribuir para o processo de estabilização e posterior retomada da atividade econômica, sem que se desvie dos objetivos de levar a inflação para a meta de 4,5% em 2017 e 2018".

Os integrantes do Copom consideraram ainda, segundo a ata, que o corte mais intenso nos juros era "compatível" a comunicação que vinham estabelecendo com o mercado e "melhor transmite a racionalidade econômica que guia" as decisões. Olhando á frente, a ata afirma que "a extensão do ciclo e possíveis revisões no ritmo de flexibilização continuarão dependendo das projeções e expectativas de inflação e da evolução dos fatores de risco".

(com Bloomberg)

 

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