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Após RTI, economistas não descartam corte de 75 pontos-base na Selic em fevereiro

Depois da divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), economistas projetam redução de 50 pontos-base na Selic em janeiro de 75 pontos-base em fevereiro.

Ilan Goldfajn
(Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

SÃO PAULO - O Banco Central deve aumentar a magnitude do corte de juros nas próximas duas reuniões do Comitê de Política Monetária, contando com uma cenário favorável para a desinflação e níveis ainda mais baixos de atividade econômica em 2017. Esta é a leitura de economistas ouvidos pela Bloomberg após a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) na manhã desta quinta-feira (22).

Os especialistas projetam que a autoridade monetária vai subir o ritmo de redução de juros, dos atuais 25 pontos-base para 50 pontos-base em janeiro e, possivelmente, 75 pontos-base em fevereiro.

Para Luiz Eduardo Portella, sócio-gestor da Modal Asset Management, o RTI veio em linha com as expectativas já apontadas na ata do Copom e, por isso, não altera o cenário-base do mercado. Isso explica a relativa estabilidade dos contratos de juros futuros. Às 10h (horário de Brasília), os DIs com vencimento em janeiro de 2018 recuavam 2 pontos-base, a 11,60%, enquanto os papéis com vencimento em janeiro de 2021 registravam ligeira retração de 3 pontos-base, a 11,52%.

Para a economista Camila Abdelmalack, da CM Capital Markets, as projeções do RTI não trouxeram revisões "tão fortes". "O ano de 2016 foi um ajuste e o mercado já tinha antecipado cenário de que inflação se encerraria no teto da meta em 6,5%", avaliou. Segundo ela, os cortes nas projeções do BC para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2016 e 2017 não tiveram impactos significativos nas estimativas para inflação. Para ela, como o documento não trouxe mudanças significativas nas projeções, segue a sinalização dos diretores do BC, que reorientarem o mercado para uma redução de 50 pontos-base na próxima reunião do Copom. "Em janeiro, pelo menos, o BC não vai avançar para um corte de 75 pontos-base”, afirmou. 

Relatório Trimestral de Inflação
O Banco Central manteve suas estimativas para a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) abaixo do centro da meta (estabelecida em 4,5%) em cenário referência para o ano que vem, em 4,4%, mas reduziu projeções para o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) no período, de alta de 1,3%, para 0,8%.

O Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado na manhã desta quinta-feira (22), também mostrou recuo da estimativa anterior de 3,8% para 3,6% para o IPCA em 2018 no mesmo cenário referência, ao passo que, no cenário mercado, as apostas para o indicador foram de 4,9% para 4,7% em 2017 e de 4,6% para 4,5% no ano seguinte.

"BC reafirma inflação abaixo do centro da meta em 2017, mas vê PIB mais fraco no ano que vem", dizia o documento da autoridade monetária nacional em tom que pode indicar um ritmo mais intenso no corte dos juros. Hoje, a Selic marca 13,75% ao ano e o Banco Central tem sido pressionado pelo empresariado e mundo político para acelerar o ciclo de redução na taxa, tendo em vista os riscos sobre o processo recessivo vivido pelo país.

Na última quarta-feira, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15) registrou alta de 0,19% em dezembro após subir 0,26% em novembro. Foi a menor variação para meses de dezembro desde 1998 para o indicador conhecido como prévia da inflação oficial. O resultado ficou abaixo das estimativas dos analistas do mercado financeiro. Com isso, o IPCA-15 fechou 2016 com alta de 6,58%, pouco acima da margem de tolerância de 2 pontos porcentuais da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5% ao ano.

A autoridade monetária destaca suas novas projeções consideram que houve interrupção no processo de recuperação da confiança e novo recuo – após interrupção de longa sequência de quedas no segundo trimestre – dos investimentos no terceiro trimestre. Olhando para o exterior, o BC considera que o período favorável às economias emergentes, descrito como interregno benigno, pode ter chegado ao fim, citando o processo de alta dos juros nos Estados Unidos. "Além disso, há incertezas quanto ao rumo das economias avançadas", diz o texto.

 

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